Edição 210
Não é comum encontrar um fundo de previdência municipal ou estadual que esteja acostumado ao risco da renda variável. A maioria ainda concentra suas aplicações em renda fixa, e muitos deles mantêm todas as aplicações em fundos de bancos estatais. O Instituto dos Servidores Públicos de Hortolândia (Hortoprev) não segue a tendência que predomina no segmento. Com cerca de 18% da carteira em investimentos em renda variável, o fundo da cidade do interior de São Paulo aposta na Bolsa para continuar batendo sua meta atuarial.
Acostumado com a volatilidade do mercado, o Hortoprev já estuda novas modalidades de aplicações na Bolsa, como por meio de fundos de small caps e multimercados. “Acreditamos que uma gestão de longo prazo com exposição entre 15% e 20% em renda variável é a fórmula mais adequada atualmente para superar a meta de nosso plano”, explica Renato Sarto, diretor superintendente do Hortoprev. Apesar dos resultados negativos da Bolsa em 2008, a carteira do instituto se recuperou neste ano e saltou de R$ 80 milhões no começo de 2009 para R$ 115 milhões no final de novembro.
A entrada na Bolsa não aconteceu de uma hora para outra. O instituto abriu uma pequena carteira de fundos de ações para conhecer o mercado há cerca de quatro anos. Depois, foi gradativamente aumentando a exposição em fundos de ações com os indexadores mais tradicionais – Ibovespa e IBrX. Também houve uma diversificação gradual de gestores.
Uma das aplicações mais recentes foi em um fundo de ações da LMX – Previdenciário FIA. Outro novo fundo que passou a receber aplicações do instituto foi o Brasil Short Multimercado, da Caixa Econômica Federal.
Para o ano que vem, a política de investimentos prevê a ampliação da aplicação em multimercados dos atuais 1% para até 3% do patrimônio.
Outra novidade será a entrada em fundos de ações small caps.
“Pretendemos provar novas modalidades de fundos de renda variável, sempre entrando com uma pequena aplicação para conhecer o mercado”, revela o diretor superintendente.
Paula Lima, consultora da RiskOffice, que presta assessoria para o Hortoprev, também acredita que a diversificação das aplicações com o aumento da exposição a renda variável é a opção mais recomendada para uma gestão de longo prazo. “O Instituto de Hortolândia tinha um perfil bastante conservador, mas pouco a pouco foi colocando o pé na renda variável e depois começou a ampliar e diversificar sua carteira”, diz a consultora. Dos cerca de 50 institutos de previdência aos quais a RiskOffice presta consultoria de risco o Hortoprev é um dos poucos que têm uma carteira de renda variável bem acima da média.
Além dos fundos de ações, outro produto em que o Instituto de Hortolândia vem aumentando suas aplicações são os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs). Atualmente, as posições nesta modalidade de fundo já representa 14% do patrimônio do Hortoprev.
O instituto investe em FIDCss de três gestores – o Cruzeiro do Sul, o Banco Rural e o Panamericano.
Quanto aos novos fundos indexados ao IMA, que constam na Resolução 3.790 do Conselho Monetário Nacional (CMN), os gestores do Hortoprev ainda pretendem analisar as opções do mercado e, se possível, realizar um migração gradual dos recursos que estão alocados atualmente em fundos DI.
Relação com a Prefeitura – Um dos pontos fortes do Instituto de Hortolândia é a boa relação com a administração municipal, que tem incentivado o desenvolvimento do fundo de previdência. Prova disso é a participação do diretor superintendente do instituto em encontros de coordenação do secretariado da cidade. “Convidamos a direção do instituto para participar diretamente das reuniões dos secretários com o prefeito, para que ele possa encaminhar suas propostas diretamente para as secretarias”, afirma Marcelo Borges, secretário de administração de Hortolândia.
O secretário explica que desta forma é possível realizar uma gestão mais coordenada do fundo de previdência com as secretarias mais próximas de sua atividade, como as de administração e finanças, e até diretamente com o gabinete do prefeito. Por outro lado, os secretários conseguem compreender melhor o papel do instituto para equilibrar as contas da previdência dos servidores públicos da cidade, além de conhecer mais de perto a gestão tanto dos benefícios quanto dos investimentos do Hortoprev.