Sem medo das bolsas | Instituto de Rondônia planeja diversificar ...

Edição 209

Nada de acomodação. Apesar do resultado positivo alcançado com os investimentos em 2009, os gestores do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Rondônia (Iperon) pretendem realizar uma boa reformulação em sua carteira de aplicações. Até o mês de setembro, a rentabilidade global de sua carteira, de 12,16%, vinha batendo em 155% a meta atuarial, de 7,83% (de INPC+6% ao ano). O resultado foi bastante comemorado pois representou um alívio depois das perdas registradas no ano anterior por causa da crise internacional que afetou os mercados mundiais. Mas parece que, neste caso, o ditado “em time que está ganhando não se mexe” não se aplica à política de investimentos do fundo. Novas aplicações estão em processo de definição~çç.
A principal mudança em termos de volume de recursos é o aumento da exposição a renda variável, que deve saltar dos atuais 14,8% para algo próximo do limite de 30%, máximo permitido pela nova legislação que rege as aplicações dos regimes próprios de previdência (Resolução 3.790 do Conselho Monetário Nacional – CMN). Como hoje o total de recursos administrados pelo Iperon gira em torno dos R$ 300 milhões, a medida deve representar a migração de mais de R$ 45 milhões que devem deixar a renda fixa com destino a fundos previdenciários com papéis de renda variável.
Outra novidade que a equipe do instituto está preparando é a aplicação de recursos nos FIDCs – Fundos de Investimento em Direitos Creditórios. “Nossa política de investimentos prevê uma maior diversificação dos investimentos. Pretendemos ampliar a renda variável e investir em outros tipos de fundos, como os FIDCs”, revela César Licório, presidente do Iperon. E já começam a chegar propostas de gestores, como de FIDCs de veículos, por exemplo, do Banco PanAmericano, e de crédito consignado, do Cruzeiro do Sul. Outra modalidade de fundos que pode receber novos aportes são os multimercados, que já concentram cerca de R$ 3 milhões e podem abocanhar uma fatia maior das aplicações do instituto.
Além da renda variável e de novas modalidades de fundos, o Iperon também deve investir em novos papéis de renda fixa. A opção é a compra de títulos públicos do Tesouro Nacional, no caso NTN-Bs que garantam rentabilidade de IPCA mais 6%. “São papéis que garantem segurança e rentabilidade para uma parte de nossa carteira que precisa ficar dentro dos limites da renda fixa”, explica o presidente do Instituto de Previdência de Rondônia.
Todo o conjunto de mudanças na carteira deve impulsionar também a diversificação dos gestores dos fundos de investimento escolhidos pelo Iperon. Atualmente, mais de 95% dos recursos do instituto está concentrado no Banco do Brasil, e o pouco que resta fica dividido entre Bradesco e Caixa Econômica Federal. Com as novas aplicações, a equipe do fundo está analisando as opções apresentadas por outras assets, apesar de não pensar em terceirizar a gestão dos recursos.

Consultoria externa – Para entender as mudanças na gestão de recursos do Iperon é necessário voltar um pouco mais atrás no tempo. Um dos momentos importantes foi a contratação de uma consultoria externa de investimentos, realizada em setembro do ano passado. “Com a crise mundial, o Instituto de Rondônia decidiu contratar a nossa consultoria para ajudar no acompanhamento da gestão de recursos e na elaboração da política de investimentos”, diz Ideraldo Gonçalves, consultor da Somma Investimentos.
O momento de crise atingiu em cheio a carteira de renda variável, ao mesmo tempo que a renda fixa já não garantia ganhos muito acima da meta atuarial. “Orientamos que se deveria sair dos fundos DI, que não dariam rendimentos necessários para bater a meta, e migrar para fundos referenciados com crédito em carteira e multimercados”, revela o consultor.
Ao mesmo tempo, foi mantida a estratégia de entrada na renda variável, apesar das perdas de 2008, até voltar à posição anterior à crise. “Muitos se intimidaram com a queda das bolsas, mas não foi o caso do Iperon, que tem um conselho maduro e experiente. Hoje eles têm cerca de 15% em fundos de ações e a tendência é elevar a posição até o limite”, revela Gonçalves.
O consultor da Somma ressalta a capacidade dos membros do Conselho do Iperon de não se assustar com os riscos do mercado das bolsas. A presença de servidores com formação em economia e contadores com certificação CPA-10 (Certificação Profissional da Andib – série 10) ajudam a facilitar o diálogo entre a equipe do instituto e a consultoria.
Agora a consultoria começa um trabalho de análise dos novos fundos referenciados ao IMA que as assets terão que oferecer aos regimes próprios, de acordo às determinações da Resolução 3.790, aprovada recentemente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A consultoria define critérios de elegibilidade de parceiros e forma um radar com diversos fundos de mercado. “Enviamos o radar para os institutos e, caso tenham interesse, podemos elaborar análise mais profunda do fundo, seus ratings e outras informações”, diz o consultor. Ele elogia o espírito da nova resolução que privilegia o longo prazo, pois referencia os ativos dos fundos ao IMA – Índice de Mercado Andima.
O patrimônio do Instituto de Previdência de Rondônia começou com o regime de capitalização de fato a partir de 2003 quando o governo do estado iniciou o repasse mensal de recursos. A carteira de investimentos saltou de pouco menos de R$ 10 milhões para cerca de R$ 300 milhões atuais. Além dos repasses mensais dos servidores atuais, o instituto recebe mensalmente um parcelamento de dívidas de R$ 40 milhões referente aos servidores da Assembléia Legislativa e de R$ 70 milhões de autarquias como Detran e DER, entre outras.