Edição 289
A Verde Asset ultrapassou a impressionante marca de R$ 1 bilhão em dois fundos de previdência aberta. O primeiro foi lançado em dezembro de 2015 em parceria com a Icatu Seguros e agora tem R$ 677 milhões de ativos sob gestão. O segundo foi lançado em julho de 2016, em parceria com a Itaú Seguros, e já alcança R$ 337 milhões. “É um crescimento surpreendente, pois se trata de um segmento que há bem pouco tempo não conhecíamos bem e que não prevíamos entrar”, diz Luiz Godinho, responsável comercial da Verde Asset.
O montante não é tão impressionante ante o total de ativos sob gestão da asset, que já atinge a marca de R$ 31 bilhões, segundo dados de janeiro de 2017. Mas o que chama a atenção é a velocidade de crescimento na captação dos produtos, ainda mais em um período em que a economia vem dando passos para trás.
As primeiras conversas entre a Verde e a Icatu Seguros se iniciaram em outubro de 2015. “O pessoal da Icatu nos procurou e nos apresentou a proposta de lançar um fundo em parceria com eles. Fomos pesquisar o setor de previdência e vimos que era um segmento grande e promissor”, lembra Godinho. Naquele momento, não estavam nos planos da asset a entrada no segmento de previdência aberta, mas analisando o potencial do mercado, que houve a inclusão da iniciativa. Tomada a decisão de entrar no segmento, o executivo explica que a ideia foi de lançar um fundo de previdência diferenciado dos fundos de previdência que estão na prateleira dos grandes bancos.
No caso da asset de Luís Stuhlberger, o que fazia mais sentido era lançar um fundo com a espinha dorsal do principal produto da casa. “O fundo de previdência segue a espinha dorsal de nosso multimercado, o fundo Verde e conta com gestão da mesma equipe”, explica o responsável comercial da asset. Em pouco mais de um ano, o produto teve forte captação, aproximando-se da marca de R$ 700 milhões. “É uma captação impressionante. Acho que a procura é alavancada pela discussão da Reforma da Previdência, as pessoas têm a percepção que a previdência do governo está quebrada”, comenta Godinho.
Parceria Verde e Itaú – Por enquanto, são as seguradoras independentes como a Icatu, Sulamérica, e outras, como a Zurich e Mapfre que se destacam na realização de parcerias com assets independentes. Mas há uma exceção que chama a atenção do mercado. É a parceria da Verde Asset com o Itaú. “O pessoal do Itaú nos procurou e propôs o lançamento de um fundo de previdência”, conta Godinho.
A parceria entre a Verde e o Itaú quebra o modelo das grandes instituições como a Brasilprev e Bradesco que concentram a gestão nas assets ligadas aos grupos financeiros ao qual pertencem. O próprio Itaú não possui outros fundos previdenciários em parceria com assets independentes. O que tem acontecido com o Itaú é a utilização da arquitetura aberta na área de investimentos, ou seja, a oferta de fundos de assets independentes para seus clientes. O Itaú segue uma tendência de mercado de outras instituições, como por exemplo, o BTG Pactual, que também oferece fundos de outras casas. Na previdência aberta, porém, o movimento de parcerias entre bancos e outras assets ainda é pequeno.
“Temos uma relação muito antiga com o Itaú, de muitos anos. É um grande banco de ponta e vimos que o lançamento deste segundo fundo de previdência não prejudicaria o outro que já tínhamos com a Icatu”, diz o executivo da Verde. Ele explica que os canais de distribuição são diferentes entre os dois fundos. Enquanto a Icatu comercializa seus fundos através de distribuidores, o Itaú tem seus canais próprios, no caso do Personalité e do Private.
A parceria do Itaú pode apontar para uma nova tendência a futuro no mercado brasileiro, a exemplo do que acontece nos principais mercados mundiais. A arquitetura aberta na gestão de fundos de previdência, do tipo 401K nos EUA, por exemplo, é muito comum e difundida entre os diversos tipos de clientes. “Lá fora é muito comum, mas aqui ainda é um movimento tímido por parte dos grandes bancos. É um movimento natural, mas ainda pequeno”, diz Felipe Bottino, do Icatu.