-17mar-04.jpg)
Edição 290
Pouco depois de ultrapassar a casa de R$ 10 milhões em ativos, o maior endowment acadêmico do Brasil, o fundo patrimonial Amigos da Poli, já traça metas mais ambiciosas. Até o final do ano que vem pretende superar a casa de R$ 20 milhões e iniciar um processo de profissionalização de sua gestão. Os valores ainda são tímidos se comparados com os bilionários endowments das universidades americanas, como de Harvard, Columbia, Yale entre outras. As perspectivas, porém, de crescimento do patrimônio são animadoras e indicam também o processo de diversificação dos investimentos do fundo fundado e mantido por ex-alunos e professores da Escola Politécnica da USP.
O fundo foi idealizado por ex-alunos da turma de 2009. Naquele ano e no ano seguinte, o projeto foi desenhado e em 2011 o Amigos da Poli recebia o primeiro seed money para iniciar as atividades. Desde então, o fundo tem funcionado com uma estrutura de membros voluntários em seus conselhos, diretoria e comitê de investimentos. Chama a atenção a presença de Luís Stuhlberger, da Verde Asset, como membro do comitê de investimentos, ao lado de Luís Ronchel Soares (Núcleo) e Guilherme Affonso Ferreira (Teorema).
Contudo, não são esses gestores que tocam o dia-a-dia do fundo. Eles se reúnem a cada três meses com os diretores executivos para ajudar a traçar e avaliar a política de investimentos. “Nosso comitê de investimentos é formado por três gestores de primeira linha do mercado, que foram formados pela Poli. Eles foram indicados pelo nosso conselho deliberativo e realizamos uma reunião trimestral presencial com eles”, explica Samuel Ponsoni de Oliveira, diretor financeiro do Amigos da Poli.
Com o objetivo de alcançar R$ 20 milhões até final de 2018, a direção do fundo pretende também iniciar processo de profissionalização da gestão. Atualmente, o Amigos da Poli tem apenas uma funcionária contratada, a gerente executiva Ana Carolina Carvalho. Com o crescimento do fundo e aumento das necessidades de gestão e alocação, a ideia é contratar funcionários que possam se dedicar em tempo integral.
Engenheiro de produção formado pela Poli, Oliveira tem passagens pelo Royal Bank of Canada, pela GPS e pela gestora BRZ Patrimônio. Atualmente, o executivo é funcionário da Azimut e presta um serviço voluntário para o Amigos da Poli. Os demais diretores também são voluntários, como é o caso do presidente do endowment, Lucas Sancassani, que trabalha no Itaú BBA. “Queremos incentivar a cultura da retribuição que é tão difundida no mercado e no meio acadêmico americano. Estudei em Columbia e percebi como eles valorizam a gratidão pela educação que receberam”, diz Sancassani. Por isso, explica o executivo, os endowments dos Estados Unidos são tão grandes, como por exemplo, da Universidade de Harvard, que tem patrimônio de US$ 30 bilhões.
Os dois diretores diferenciam, porém, os endowments americanos dos fundos acadêmicos do Brasil e especificamente do Amigos da Poli. “Nosso foco é o financiamento de projetos de ensino e pesquisa da comunidade acadêmica. A gente não se propõe a pagar salários de professores e pintar os prédios da universidade, como acontece lá fora”, explica Oliveira. Anualmente, o Amigos da Poli abre um edital de seleção de projetos com participação de alunos, ex-alunos e professores. Já foram realizados quatro editais que financiaram dezenas de projetos, entre eles, de produção de próteses e órteses, mobilidade urbana, veículos elétricos, entre outros.
Preservação patrimonial – O princípio básico de funcionamento do fundo é a preservação patrimonial. Os recursos são aplicados no mercado financeiro e os ganhos reais, ou seja, acima da inflação, são utilizados para financiar os projetos. “Até agora concentramos as alocações 100% em títulos públicos, a maior parte atrelada à inflação. É a estratégia mais adequada para manter a preservação do patrimônio e ao mesmo tempo financiar os projetos”, explica diretor financeiro.
Ainda modesto, o volume de recursos também impede uma maior diversificação para outras modalidades de investimentos além dos títulos soberanos. Porém, a direção do Amigos da Poli almeja o início de uma processo de diversificação no futuro. “Com a queda das taxas de juros e aumento de nosso patrimônio, pretendemos iniciar um processo de diversificação das aplicações para fundos de renda variável e multimercados”, prevê Oliveira.
A iniciativa porém não deve ocorrer no curto prazo. “Se os cenários continuarem na direção atual, acredito que podemos iniciar a diversificação dentro de 12 a 18 meses”, revela o diretor. Em cinco anos de funcionamento, o fundo ainda não teve a necessidade de resgatar nenhuma aplicação, pois os gastos e recursos para financiamento de projetos são cobertos com as novas contribuições. As captações estão aumentando ano a ano. O ano de 2016 foi o melhor ano até agora para captações, pois no final de 2015 o fundo tinha R$ 5,3 milhões e já no final de 2016, tinha ultrapassado a marca de R$ 10 milhões.