Superávit das EFPCs recua de R$ 24 bi para R$ 18 bi no semestre

As Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) encerraram o primeiro semestre de 2026 com superávit líquido de R$ 18,44 bilhões, abaixo dos R$ 24,05 bilhões registrados em março mas superior aos R$ 17,69 bilhões de dezembro de 2025. Os dados constam do Relatório Gerencial de Previdência Complementar (RGPC), divulgado nesta segunda-feira (19/10) pelo Ministério da Previdência Social.

O resultado corresponde à diferença entre o superávit de R$ 42,15 bilhões acumulado por 485 planos e o déficit de R$ 23,71 bilhões registrado por outros 215 planos. Em março, o superávit era de R$ 46,18 bilhões, distribuído entre 497 planos, enquanto 198 planos acumulavam déficit de R$ 22,13 bilhões.

Os planos de Benefício Definido (BD) sustentaram a maior parte do saldo positivo, com superávit líquido de R$ 15,45 bilhões, abaixo dos R$ 21,06 bilhões registrados em março. Os planos de Contribuição Variável (CV) também fecharam no azul, com aproximadamente R$ 3,73 bilhões, enquanto os de Contribuição Definida (CD) apresentaram déficit de R$ 736,6 milhões.

Apesar da redução em relação ao trimestre anterior, o resultado representa uma recuperação expressiva na comparação de 12 meses. Em junho de 2025, o conjunto de planos apresentava déficit líquido de R$ 6,74 bilhões. O relatório atribui a melhora ao desempenho da bolsa brasileira, com o Ibovespa acumulando valorização de 6,76% no segundo trimestre de 2026, e dos títulos públicos de longo prazo indexados à inflação.

Patrimônio – O patrimônio da previdência complementar aberta e fechada chegou a R$ 3,43 trilhões em junho, o equivalente a 26% do PIB brasileiro, ante R$ 3,35 trilhões em março. Desse total, aproximadamente 43% estavam no segmento fechado e 57% no aberto.

Nas EFPC, o patrimônio alcançou R$ 1,46 trilhão, ante R$ 1,44 trilhão em março, com crescimento de 7,4% na comparação com junho de 2025. Os planos BD concentravam 54% dos recursos, os CV 30%, e os CD 16%. Na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, o patrimônio dos planos CD cresceu aproximadamente 15%, enquanto o dos planos CV avançou 10%.

O segmento aberto somava R$ 1,97 trilhão em junho, ante R$ 1,91 trilhão em março. Os VGBL respondiam por 80% desse patrimônio, os PGBL por 16%, e os planos tradicionais por 4%. Os planos individuais concentravam 92% dos recursos, enquanto os coletivos respondiam por 8%.

O relatório também destaca a diferença de concentração entre os dois mercados: as dez maiores entidades fechadas reuniam 57% do patrimônio do segmento, enquanto as dez maiores instituições do segmento aberto respondiam por 97%.

Investimentos – Os investimentos da previdência complementar aberta e fechada totalizavam R$ 3,35 trilhões em junho, ante R$ 3,27 trilhões em março. Nas EFPC, o montante chegou a R$ 1,38 trilhão, frente a R$ 1,36 trilhão em março, sendo que aproximadamente R$ 980 bilhões estavam aplicados em títulos públicos federais.

Esses papéis representavam cerca de 71% da carteira do segmento fechado. Os demais ativos de renda fixa respondiam por 15,2%, a renda variável por 7,3%, os imóveis por 2,2%, e os outros investimentos por aproximadamente 4,3%. Nesse último grupo, o relatório identifica R$ 29 bilhões em operações com participantes e R$ 27,1 bilhões em cotas de fundos.

No segmento aberto, os investimentos somavam R$ 1,97 trilhão, sendo R$ 1,27 trilhão em títulos públicos federais, equivalentes a 64% da carteira. Outros ativos de renda fixa representavam 30,4%, enquanto a renda variável respondia por 4% e os demais investimentos, por 1,6%.

A composição dos títulos públicos evidencia diferenças entre os segmentos. Nas EFPC, aproximadamente 54,8% desses papéis tinham vencimento superior a cinco anos e 76,2% eram indexados à inflação. No segmento aberto, cerca de 81% venciam em até cinco anos e 70,5% estavam atrelados à Selic, refletindo uma carteira de prazo mais curto.

Rentabilidade – A rentabilidade nominal estimada das EFPC foi de 5,5% no primeiro semestre, abaixo do CDI de 6,8% e do IMA-B 5 de 6,5%. Os planos BD tiveram retorno de 4,2%, os CD de 7,2%, e os CV de 6,7%.

O desempenho acumulado no semestre ficou abaixo dos 7,7% registrados no primeiro trimestre. Naquele período, os planos BD haviam rendido 8,7%, os CD 6,8%, e os CV 6,6%.

Planos e entidades – O segmento fechado encerrou o primeiro semestre de 2026 com 264 entidades e 1.130 planos de benefícios, números inalterados em relação a dezembro de 2025. Do total de planos, 518 eram de Contribuição Definida (CD), 323 de Contribuição Variável (CV) e 289 de Benefício Definido (BD).

Entre as 264 entidades, 167 eram de patrocínio privado, 32 de patrocínio público federal, 32 de patrocínio público estadual e 14 de patrocínio público municipal, além de 19 instituídas por associações e outras organizações.

O sistema reunia 3.999 patrocinadores e 409 instituidores, também sem alteração em relação a dezembro. Na comparação com 2017, o número de entidades caiu de 306 para 264, enquanto o de planos aumentou de 1.107 para 1.130 e o de patrocinadores passou de 2.699 para 3.999.

Custeio administrativo – A taxa média estimada de administração das EFPC recuou de 0,28% ao ano em março para 0,27% em junho, permanecendo abaixo da média de 1,2% do segmento aberto. Por modalidade, a taxa era de 0,22% nos planos BD, de 0,29% nos CV e de 0,38% nos CD.

O relatório reforça a importância da escala para diluir os custos administrativos. Na faixa de até mil participantes, a taxa média de administração alcançava aproximadamente 0,9% ao ano, enquanto na faixa acima de 100 mil participantes ficava em cerca de 0,2%. Nas faixas intermediárias, as taxas eram de 0,4% para entidades com mil a 10 mil participantes e de 0,3% para aquelas com 10 mil a 100 mil participantes.

A taxa média estimada de carregamento das EFPC, calculada sobre a soma das contribuições e dos benefícios, era de 2,8%. Por modalidade, alcançava 2% nos planos BD, 3,8% nos CD e 4% nos CV.

Também nesse indicador a escala exerce influência significativa. Nas entidades com até mil participantes, a taxa média de carregamento chegava a 9,7%, enquanto naquelas com mais de 100 mil participantes era de 2%.

Servidores públicos – O patrimônio dos planos de previdência complementar dos servidores públicos da União, dos estados e dos municípios alcançou R$ 32,59 bilhões em junho de 2026, ante R$ 28,84 bilhões em dezembro de 2025, com crescimento de 13% no primeiro semestre. Desse total, R$ 23,62 bilhões estavam nos planos da União e R$ 8,97 bilhões nos estaduais e municipais.

O segmento reunia 25 entidades responsáveis pela administração de 49 planos de benefícios, com aproximadamente 1.249 patrocinadores. A cobertura era de 300.116 servidores, dos quais 176.554 vinculados à União e 123.562 aos estados e municípios, segundo dados de população referentes a dezembro de 2025.

Na implantação da previdência complementar pelos entes subnacionais, o RGPC informa que 2.054 entes com Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), equivalentes a 96% do total, já haviam aprovado leis de instituição do regime complementar. Desse total, 945 tinham convênios de adesão aprovados pela Previc.

Os números representam avanço em relação ao relatório anterior, quando 2.045 entes haviam aprovado suas leis de instituição e 933 contavam com convênios de adesão autorizados pela Previc.