Edição 289
Tabela – Reestruturação na carteira de renda variável (em pdf)
Ainda sob o impacto de um processo de reestruturação iniciado em 2015, a Fundação Celos encerrou o ano passado com rentabilidade negativa (-0,78%) no plano misto, de contribuição variável (CV), enquanto o plano transitório, de benefício definido (BD), ficou bem abaixo da meta de 12,44%, com 6,30% de rentabilidade. Os resultados fazem parte de um período de reorganização dos investimentos pelo qual a entidade passou, explica o diretor administrativo-financeiro da fundação, Henri Machado Claudino.
Durante os últimos dois anos, a fundação reduziu a exposição em investimentos estruturados, principalmente em fundos de investimento em participações (FIPs), os quais, segundo Claudino, ocupavam quase 20% da carteira da Celos, que é o limite máximo na modalidade. A nova diretoria também contratou gestores especializados em recuperação de crédito – Brasil Plural e BRZ – para cuidar de uma carteira que estava desenquadrada. “Além disso, nosso portfólio tinha uma concentração grande nos mesmos investimentos, sendo muito exposta ao mercado, o que aumentava seu risco”, explica o diretor.
Em renda fixa, os títulos públicos estavam marcados a mercado, e com as aberturas de taxas, essa carteira sofria muito, salienta Claudino. “Decidimos que toda a liquidez que conseguíssemos dar, aproveitaríamos para aumentar a carteira de títulos públicos com marcação na curva. Conseguimos marcar 85% da carteira na curva”, diz o diretor, complementando que em 2015, a Celos praticamente dobrou o volume investido na carteira de títulos públicos com recursos de alguns FIPs e ativos de crédito privado para os quais a entidade conseguiu dar liquidez.
Reavaliação de gestores – Na carteira de renda variável, a Celos reavaliou os gestores após perceber que não havia expectativa de bater a meta com os fundos investidos na época. “Também demos o máximo de liquidez possível, usando os recursos para aumentar nossa carteira de títulos públicos”. Por conta dessa reorganização em renda variável, a fundação, que tinha oito gestores, passou a ter três no final de 2015, subindo para quatro em 2016 (veja quadro abaixo). Somando os dois planos, o volume investido no segmento caiu de R$ 363 milhões em 2014, para R$ 161 milhões no ano seguinte, fechando 2016 em R$ 175 milhões.
O executivo diz ainda que agora a fundação deve buscar investimentos que suportem a meta atuarial. “Vamos retornar para renda variável quando entendermos que a economia vai responder a isso, mas sempre cuidando da exposição e da diversificação”. Henri Claudino destaca que a fundação já pré-selecionou seis gestores de renda variável para o momento de voltar a alocar mais no segmento, mas os nomes das assets não foram divulgados.
Resultados – “No ano passado, pesamos a mão na nossa avaliação de risco. A fundação já tinha 60% da carteira indexada, ou seja, era uma carteira previsível. Mas tivemos muitos investimentos de crédito privado provisionados, o que nos deu um resultado muito aquém da meta”, salienta Claudino. Foi provisionado um total de R$ 146 milhões da carteira de crédito privado, sendo que a expectativa é de recuperação destes valores.
Para Claudino, apesar dos resultados de 2016 terem sido encerrados diante dessas dificuldades, a carteira está reestruturada para este ano. “Mesmo tendo uma carteira que me entregava resultado, ela acabou afetada. Em 2017, temos uma carteira mais confiável, sólida e com preço real de mercado”, destaca.