Previ e Postalis negam qualquer exposição a ativos do Master

A Previ e o Postalis, fundos de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e dos Correios, respectivamente, divulgaram notas na última sexta-feira (9/10) afirmando não possuir qualquer exposição a ativos do Banco Master, seja por meio de investimentos, operações financeiras ou contratos. As manifestações foram publicadas após reportagens da revista Veja indicar supostas negociações entre o banco, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, e fundações ligadas a empresas estatais para alocar em seus ativos.

Segundo a Veja, Daniel Vorcaro teria buscado captar cerca de R$ 10 bilhões das fundações Previ, Postalis, Petros e Funcef. A operação envolveria a venda de ativos do Master e o pagamento de uma suposta comissão de 10% sobre os recursos obtidos, equivalente a R$ 1 bilhão.

As reportagens atribuem a Vorcaro relatos segundo os quais as intermediações aos fundos de pensão teriam contado com a ajuda do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e de um grupo ligado ao então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Entretanto, um levantamento da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), divulgado em 19 de novembro de 2025 com base nas posições de 30 de setembro daquele ano, já havia apontado que nenhuma entidade fechada de previdência complementar possuía aplicações ou posições em ativos do Banco Master. “Investimento zero de fundos de pensão”, concluiu a autarquia à época.

Segundo a Previc, as colocações dos papéis do Máster estavam concentrados em regimes próprios de previdência social (RPPS) de estados e municípios, que não são fiscalizados pela Previc. Os exemplos mais conhecidos são os do Rioprevidência (RJ), Amprev (Amapá – AP) e Maceió Previdência (AL).

Além de negar investimentos no Master, a Previ diz que a instituição financeira nunca foi “habilitada nem analisada” para operações. Já o Postalis reafirmou “seu compromisso com a segurança dos recursos administrados, a transparência e o cumprimento das normas que regem os investimentos das EFPC”.

O ministro Padilha negou ter atuado a qualquer momento em benefício de Vorcaro ou do Banco Master e anunciou que pediria providências judiciais cabíveis e uma perícia no áudio divulgado. Ele classificou as denúncias como uma “farsa” e uma “tentativa tosca de confundir a sociedade” em favor da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Ele está notificando extrajudicialmente a Editora Abril, responsável por Veja, para exigir direito de resposta.

A Polícia Federal informou que o conteúdo divulgado por Veja não provêm dos depoimento prestado por Vorcaro à corporação, assim como os documentos mencionados pela revista não vieram da PF.

Já a Procuradoria-Geral da República afirmou que não houve depoimento oral do banqueiro, pois as propostas de colaboração premiada apresentadas por sua defesa não foram aceitas.