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Edição 288
Apesar da possibilidade de retomada de risco para o ano que vem, os fundos de pensão ainda não estão confiantes de que aumentar investimentos em renda variável seja a melhor opção para 2017. Mesmo com a bolsa de valores mostrando recuperação ao longo deste ano, a volta da crise política e a instabilidade do cenário mundial a partir de novembro deixaram os fundos de pensão com pé atrás novamente. Com isso, as políticas de investimentos para o ano que vem continuam privilegiando o conservadorismo, com preferência em aplicações em títulos públicos.
A Funcesp é uma das fundações que deve continuar nesse ritmo até que o cenário econômico do país fique mais claro. “Estamos olhando para a renda variável doméstica e até para investimentos no exterior, mas não pretendemos fazer nenhum movimento grande até clarear o cenário”, diz o diretor de investimentos da fundação, Jorge Simino. Atualmente, a Funcesp possui 10% de aplicações de renda variável, com um limite máximo de 20% estabelecido em sua política.
Simino diz que não vai mexer nas alocações no segmento, enquanto continuará ampliando as posições em NTN-Bs mais curtas, com vencimentos em 2023 e 2026. “Entramos com R$ 300 milhões em investimentos nas NTN-Bs em novembro. Aproveitamos a abertura do prêmio, que chegou perto de 6,50% mais inflação”, diz.
A Petros também não vê espaço para risco em 2017. Durante seminário realizado em São Paulo e promovido pelo J.P. Morgan, o presidente da fundação, Walter Mendes, declarou não ver a possibilidade de aumentar os investimentos de maior risco, já que a fundação precisa adequar a carteira do Plano Petros do Sistema Petrobras (PPSP), de benefício definido (BD), que está em déficit. A Petros possui cerca de 30% da carteira consolidada em renda variável. “Não vejo espaço para mais ativos de risco, principalmente porque há títulos públicos com retorno acima da meta atuarial”, declarou Walter Mendes durante o seminário.
Conservadorismo – Para a Real Grandeza, a estratégia de manter o conservadorismo já se tornou um padrão histórico da entidade. O presidente do fundo de pensão, Sergio Wilson, destaca que o perfil conservador é compatível com o modelo de negócios de um fundo de pensão, que é pagar benefícios. “Temos praticamente R$ 10 bilhões aplicados em títulos públicos no plano BD e R$ 684 milhões no de contribuição definida (CD). Quando todo mundo estava saindo da renda variável, mantivemos a alocação. Isso já produziu um ganho grande”, diz Wilson.
Com o histórico de títulos públicos em alta e a manutenção da renda variável, Wilson destaca que a Real Grandeza obteve boa rentabilidade, ficando bem acima da meta este ano. “Não vamos abrir mão desse conservadorismo em 2017. O cenário econômico e político não nos deixa fazer grandes alterações.”
A fundação aumentou, para a política do ano que vem, o limite de alocação em renda variável, de 16% para 23%. Também foi liberado um percentual de 1,9% para exterior, mas a Real Grandeza não possui ainda aplicações nesse segmento e precisará elaborar um manual de seleção de gestores, a ser aprovado pelo conselho, antes de iniciar os investimentos.
Aproveitamento das taxas – No geral, os fundos de pensão têm aproveitado as altas taxas de juros para garantir a rentabilidade acima da meta atuarial, e mesmo em planos mais saudáveis, a estratégia de postergar o risco e manter o atual patamar de retorno tem sido mais atraente. No caso da Valia, a política de investimentos para 2017 prevê uma alocação de até 6% em renda variável, com renda fixa podendo chegar a 80%. “A ideia é aumentar a previsibilidade dos resultados daqui para frente”, explica o diretor de investimentos e finanças, Maurício Wanderley.
“Vamos manter as aplicações em títulos marcados na curva até o vencimento. Essa decisão foi tomada aproveitando as taxas altas durante a crise, há cerca de três anos, e vimos que a atual posição em renda fixa garante os superávits futuros. É uma decisão estrutural de longo prazo, já que os retornos que estamos tendo com renda fixa nos garante a manutenção do superávit”, complementa o executivo.
Assim como as outras entidades, a Valia não pretende aplicar em fundos de investimentos em participações no ano que vem. “Na medida em que reduzimos nossa posição em renda variável, a posição em estruturados aumentou passivamente, com 5% do patrimônio aplicado em empresas listadas em bolsa e 5% em private equity. Não faz sentido aumentar private equity agora”, diz Wanderley. Além disso, o executivo complementa que a carteira vai entrar em desinvestimento.
Aumento no passivo faz Previ buscar liquidez
O Banco do Brasil abriu a adesão ao Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada para os funcionários que possuem entre 15 e 30 anos completos de tempo de trabalho na instituição. Cerca de 9 mil pessoas aderiram ao plano, o que deve gerar à Previ, fundo de pensão do BB, um crescimento de 10% na folha de pagamentos de benefícios.
Atualmente, a Previ paga cerca de R$ 800 milhões ao mês em benefícios no Plano 1, de benefício definido. “Temos perspectiva de chegar a R$ 1 bilhão em pagamento por mês”, diz o diretor de planejamento da fundação, José Carlos Reis da Silva. Diante disso, não há espaço para tomar risco nos investimentos, já que a estratégia da Previ ficará focada em garantir rendimento o suficiente para pagar as obrigações. “Precisamos de bastante liquidez no plano BD, pois é um plano maduro. Vamos levá-lo mais para renda fixa”, salienta José Carlos.
As estratégias já foram estabelecidas na elaboração da política de investimentos de 2017. No Plano 1, a posição do fundo de pensão em renda fixa foi elevada para um mínimo de 39,85% e um máximo de 47,85%. Já em renda variável, a alocação foi reduzida do intervalo de 47,9% e 55,9% para 41,75% e 49,75%. A Previ pretende sair de renda variável negociando vendas de participação em empresas. “A política de investimento tem o período de sete anos, e a nossa expectativa é que a alocação do Plano 1 em renda variável chegue a 30% até 2023”, diz o diretor de investimento da fundação, Marcus Moreira.
“Temos muita presença em blocos de controle de empresas, o que restringe a liquidez”, explica Moreira. Um dos movimentos que caracterizam essa redução de participação foi a venda da CPFL Energia para a empresa chinesa de energia elétrica State Grid. A venda não foi planejada, mas com o interesse da State Grid em adquirir a participação da Camargo Corrêa na CPFL, a chinesa teve que estender o acordo de compra aos demais sócios. Com a operação, a Previ prevê um ganho de R$ 7,7 bilhões em seu caixa, com liquidação prevista para segunda quinzena de janeiro.
Moreira destaca que o fundo de pensão está no bloco de controle de várias empresas. “Podemos nos desfazer das posições a qualquer momento. As conversas são constantes, com alguns acordos já com data para terminar, mas sempre buscamos tornar as posições mais líquidas, reduzindo também ações”.
Plano CD – Já o plano Previ Futuro, de contribuição definida, ainda está em fase de acumulação, com as alocações em renda variável podendo chegar a 60%, enquanto renda fixa fica entre 21% e 95%. Nesse plano, o participante escolhe o perfil de investimentos, estabelecendo, assim, o apetite a risco.
Investimentos estruturados estão congelados pela Previ em 2017 para os dois planos. “Temos um estoque de 0,45% do patrimônio do plano BD e de 1% do patrimônio do CD nesse segmento. É uma alocação tímida, mas acreditamos que o momento é de aguardar a maturação dos investimentos já feitos”, diz José Carlos. “Já passamos por dificuldades com a rentabilidade dessas aplicações, que são em empresas de menor porte e que demoram para se recuperar. Não estamos seguros de que esse período difícil já passou”, complementa.