Edição 238
Rodrigo Carvalho, coordenador de operações estruturadas na Funcef, ficou surpreso ao saber dos dados da Previc que mostram a concentração das carteiras de crédito privado das fundações brasileiras.
Com um portfólio de R$ 1,6 bilhão de dívida privada que não inclui as posições da entidade em CDBs, DPGEs e LFs, a Funcef aplica em títulos emitidos por, em média, 45 emissores, considerando tanto a carteira própria quanto os fundos exclusivos de crédito privado que são geridos por terceiros. CDBs, DPGEs e LFs estão inseridos em outra estrutura, com o objetivo de segregar as aplicações em títulos de bancos e de empresas não financeiras.
Dos R$ 1,6 bilhão, 19% estão nesses fundos exclusivos, 5% em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (Fidcs), 48% em debêntures e 29% em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs). Com exceção dos fundos exclusivos, as demais classes de ativos contam com análise de gestores da entidade para seleção dos ativos que entrarão na carteira. “Nossa carteira é bastante pulverizada até como forma de mitigação e monitoramento de risco”, afirma Carvalho.
Ele comenta, no entanto, que muitas operações das quais a Funcef participou não foram a mercado. “Fazemos coisas específicas, como financiamento a projetos de infraestrutura. São operações mais restritas”, aponta.
Carvalho concorda que emissões públicas com AAA e que tragam taxas atrativas são raras hoje em dia. “O nível de risco que as fundações têm de assumir para bater suas metas atuariais mudou. Se a entidade quiser correr mais risco para conseguir uma rentabilidade melhor, terá de criar ferramentas de mitigação. A outra opção é aceitar um retorno menor e manter o foco na atratividade dos títulos sob o ponto de vista do baixo risco”, aponta o coordenador.