O poder da duration | Real Grandeza aproveita momentos de estress...

Edição 296

 

Graças ao colchão de títulos públicos formado nos últimos anos, com uma duration média acima dos 10 anos, a Real Grandeza tem obtido retornos bem superiores à sua meta atuarial. No acumulado de 2017 até o dia 8 de setembro, o plano de Benefício Definido (BD) da Real Grandeza teve rendimento de 10,9% contra uma meta anual de INPC mais 5,7%, o que correspondeu a uma taxa de 5,77% no período analisado. No plano de Contribuição Definida (CD), a rentabilidade alcançada foi maior, de 13,45%, contra uma meta muito menor de IGP-DI mais 5,61% no ano, que corresponde a 1,15% no período. O plano BD soma Patrimônio Líquido de R$ 13,85 bilhões e o CD, de R$ 1,16 bilhão.
Segundo Sérgio Wilson Ferraz Fontes, presidente da fundação, a renda fixa representa cerca de 80% nos dois planos. No plano BD o rendimento da classe foi de 10,4% e no CD de 13,8%, esse último mais alto por fazer a marcação dos títulos à mercado. Além da renda fixa, o bom desempenho da bolsa brasileira, que já superou em 2017 sua máxima histórica, também teve contribuição importante para os resultados obtidos pela Real Grandeza. As ações, que correspondem a cerca de 10% da carteira do fundo de pensão, renderam quase 20% em 2017 até o momento.

Fechamento – O presidente da Real Grandeza ressalta que o fechamento das taxas verificado no mercado tem sido a maior contribuição para os ganhos registrados pela entidade, que vê seus títulos públicos comprados com taxas elevadas tirarem proveito do movimento. “O resultado que temos produzido nos últimos anos é fruto da queda dos juros”.
Para Everaldo França, consultor da PPS, que auxilia nos investimentos da Real Grandeza desde 2005, “a fundação foi uma das que mais aproveitou os picos de juros das NTN-Bs; toda vez que houve estresse no mercado eles aumentaram as posições e alongaram a carteira, e quando os juros caíram houve um benefício muito grande”. França recorda que a estratégia de alongar o duration das carteiras, na fundação, já vem de longa data. Segundo ele, durante a crise de 2008, quando as NTN-Bs chegaram próximas de 8%, a Real Grandeza já realizava a estratégia.
O consultor da PPS destaca também o fato da fundação ter mantido, e até mesmo elevado mais recentemente, sua exposição em renda variável, ao contrário de muitas que optaram por praticamente zerar seu portfólio nos últimos anos. “A Real Grandeza se aproveitou de todo rally que a bolsa apresentou graças a uma leitura correta do cenário”, pondera o especialista.
Já para 2018, o presidente da entidade admite que a Real Grandeza, assim como todos os fundos de pensão, terá de analisar quais ativos de risco serão incorporados à carteira para fazer frente à insuficiência dos rendimentos dos títulos públicos. Entre as opções no radar está um aumento da exposição à bolsa, e também o início das aplicações em ações no exterior. “De certa forma os nossos participantes ficaram um pouco mal acostumados, ao conseguirmos rentabilidades bem acima da meta e com baixo risco. Esse cenário vai começar a mudar a partir de agora com os juros próximos de 7%”, afirma Fontes.
Ainda assim, o dirigente nota que a duration dos títulos na carteira da Real Grandeza dá uma folga relativa para que a entidade possa pensar em como adicionar risco para seu portfólio com calma, pondera o presidente da entidade.