Fundos de pensão transformam déficit em superávit de R$ 17,7 bi

As Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) fecharam 2025 com superávit líquido de R$ 17,7 bilhões, revertendo o déficit de R$ 9,88 bilhões registrado em dezembro de 2024. O resultado consta do Relatório Gerencial de Previdência Complementar (RGPC) do 4º trimestre de 2025, divulgado pelo Ministério da Previdência Social.

A virada foi puxada pela melhora do mercado financeiro no último trimestre do ano e pela redução do número de planos deficitários. Em dezembro de 2025, 496 planos acumulavam superávit de R$ 39,70 bilhões, enquanto 232 planos registravam déficit de R$ 22,01 bilhões. Um ano antes, havia 443 planos superavitários e 283 deficitários.

O resultado consolidado das EFPC também mostra mudança expressiva em relação aos trimestres anteriores. O sistema havia saído de um déficit líquido de R$ 9,88 bilhões em dezembro de 2024 para déficits de R$ 7,1 bilhões em março e R$ 6,7 bilhões em junho. No 3º trimestre, chegou praticamente ao equilíbrio, com superávit líquido de R$ 10 milhões, antes de encerrar o ano com saldo positivo de R$ 17,7 bilhões.

Segundo o RGPC, a recuperação pode ser explicada pelo desempenho da bolsa brasileira e dos títulos públicos de longo prazo atrelados a índices de preços. A bolsa local teve valorização acumulada de 34% no 4º trimestre, impactando positivamente os investimentos em renda variável. A manutenção da Selic em 15% ao ano também favoreceu as aplicações de curto prazo em renda fixa.

O resultado líquido positivo foi sustentado principalmente pelos planos de Benefício Definido (BD), que apresentaram superávit de cerca de R$ 15,2 bilhões. Os planos de Contribuição Variável (CV) também fecharam o período no azul, com superávit de aproximadamente R$ 3,18 bilhões. Já os planos de Contribuição Definida (CD) registraram déficit de R$ 685,9 milhões.

Patrimônio – O patrimônio das entidades de previdência complementar, abertas e fechadas, chegou a R$ 3,26 trilhões em dezembro de 2025, o equivalente a 26% do PIB brasileiro. O montante representa crescimento de 11% em relação ao 4º trimestre de 2024. Desse total, 43% estavam no segmento fechado e 57% nas entidades abertas.

Nas EFPC, o patrimônio chegou a R$ 1,41 trilhão ao final de 2025. Por modalidade de plano, 54% dos recursos estavam em planos BD, 30% em planos CV e 16% em planos CD. O relatório aponta que os ativos dos planos BD cresceram cerca de 4% no ano, enquanto os dos planos CD avançaram aproximadamente 10% e os dos planos CV 8,5%, segundo o relatório.

O ativo de investimentos das EFPC somava R$ 1,33 trilhão em dezembro. Desse total, R$ 920 bilhões estavam aplicados em títulos públicos federais. A carteira do segmento fechado também tinha 16% em demais ativos de renda fixa, 7,5% em renda variável, 4,5% em investimentos no exterior e 3% em imóveis.

O relatório destaca diferenças relevantes entre a composição dos investimentos das entidades abertas e fechadas. Nas EFPC, a busca por ativos de maior duration levou a uma concentração de aproximadamente 52,4% dos títulos públicos em papéis com prazo superior a cinco anos, sendo 79,7% indexados a índices de preços. Nas EAPC, 83% dos títulos públicos tinham vencimento de até cinco anos, com maior peso de papéis indexados à Selic.

Planos e entidades – O RGPC mostra que o número de entidades de previdência fechada continuou em queda, enquanto a quantidade de planos permaneceu relativamente estável. O segmento fechou 2025 com 264 EFPC, ante 266 em dezembro de 2024. O número de planos de benefícios ficou em 1.130, praticamente estável em relação aos 1.135 do fim de 2024.

A estabilidade reflete, segundo o relatório, a migração de planos de benefícios patrocinados e instituidos para planos multipatrocinados já existentes, movimento que busca ganho de escala e redução de custos administrativos. O número de patrocinadores e instituidores, no entanto, aumentou de 4.300 para 4.408 no período, com acréscimo de 98 novos patrocinadores, especialmente entre entes públicos estaduais e municipais.

Contribuições e benefícios – O volume financeiro das contribuições de participantes, patrocinadores e empregadores para planos de previdência complementar atingiu R$ 201,7 bilhões em 2025, o equivalente a 2% do PIB. Desse total, 78% vieram das entidades abertas e 22% das fechadas.

No segmento fechado, as contribuições dos planos BD representaram cerca de 31% do total, enquanto os planos CV e CD responderam por 38% e 31%, respectivamente. No mesmo período, a previdência complementar pagou R$ 100,3 bilhões em aposentadorias e pensões para cerca de 950 mil beneficiários. As EFPC responderam por R$ 95,5 bilhões, ou 95% do total pago.

Servidores públicos – O relatório também informa que 27 entidades fechadas administravam, ao final de 2025, 49 planos de previdência voltados a servidores públicos da União, estados e municípios, com cerca de 300 mil participantes e patrimônio de aproximadamente R$ 28,8 bilhões. Entre os entes subnacionais com Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), 2.032 já haviam aprovado lei de instituição da previdência complementar, dos quais 913 tinham convênio de adesão aprovado pela Previc.

Versão em inglês – A edição do 4º trimestre do RGPC passou a contar também com versão em inglês, com o objetivo de facilitar o intercâmbio de dados com órgãos internacionais. O relatório traz ainda um suplemento especial sobre programas de integridade para fundos de pensão, com recomendações de transparência, ética e boas práticas para as entidades.