
Um grupo de grandes fundos de pensão do Reino Unido anunciou nesta segunda-feira que está se preparando para criar um fundo de investimento de £ 1 bilhão (R$ 6,8 bilhões) destinado a financiar empresas britânicas de ciência e tecnologia em fase de expansão. Denominado UK Scale-up Fund, o veículo terá apoio do British Business Bank e do Gabinete de Investimentos do governo e deverá operar de forma semelhante a um fundo de capital de risco.
Participam da iniciativa a Railpen, fundo dos trabalhadores ferroviários; a Nest, voltada principalmente aos empregados de pequenas e médias empresas; e as gestoras de recursos de servidores públicos Border to Coast, LGPS Central e Local Pensions Partnership Investments (LPPI). Juntas, essas instituições administram centenas de bilhões de libras. O governo deverá iniciar a seleção do gestor do novo fundo.
O objetivo é aumentar a oferta de capital de longo prazo para empresas que já superaram os estágios iniciais de desenvolvimento, mas encontram dificuldades para financiar a implementação de novas tecnologias e a competição internacional. O Reino Unido possui o terceiro maior mercado de capital de risco do mundo, mas injeta poucos recursos nacionais em empresas e de pesquisas em rodadas mais avançadas.
A iniciativa também integra a estratégia do novo primeiro-ministro, Andy Burnham, de utilizar parte da poupança previdenciária para apoiar a reindustrialização da economia britânica. A expectativa é estimular a inovação, preservar empresas no país e criar empregos qualificados, conectando o capital dos fundos de pensão a negócios com potencial de crescimento.
O projeto dá continuidade ao Acordo de Mansion House, firmado no ano passado entre o governo e 17 grandes fundos de pensão. Pelo compromisso, os investidores concordaram em direcionar até 2030 cerca de 10% dos recursos dos planos de benefícios corporativos para ativos privados, o equivalente a até £ 50 bilhões (R$ 340 bilhões), com metade desse volume destinada a empresas e projetos no Reino Unido.
A participação permanece voluntária, já que os fundos têm o dever fiduciário de investir no melhor interesse de seus participantes. Por isso, o UK Scale-up Fund precisará conciliar os objetivos de política industrial do governo com a oferta de retornos competitivos para a poupança previdenciária.
Outro desafio será distribuir os recursos para além dos polos tradicionais de Londres, Oxford e Cambridge. Empresas do Norte da Inglaterra têm ampliado o acesso ao capital inicial, mas ainda enfrentam escassez de recursos para financiar rodadas mais avançadas e projetos de ciência e tecnologia cujo desenvolvimento pode levar anos.
Para Duncan Johnson, CEO da empresa de venture capital Northern Gritstone, o novo fundo pode ajudar a reduzir essa lacuna ao reunir capital previdenciário, recursos públicos e oportunidades de investimento em escala institucional. Ele ressalva, porém, que £ 1 bilhão é um montante limitado para o mercado de capital de risco e que o impacto dependerá da capacidade dos gestores de identificar projetos qualificados em diferentes regiões.
A iniciativa poderá fortalecer a economia britânica caso consiga transformar pesquisas universitárias e empresas emergentes em negócios globais sem concentrar os investimentos em Londres. Seu sucesso dependerá tanto da qualidade das oportunidades selecionadas quanto da articulação com universidades, gestores regionais e ecossistemas de inovação já estabelecidos.