Edição 242
As carteiras de renda variável dos fundos de pensão estão passando por um processo de reestruturação nos últimos anos.
O modelo de fundos exclusivos que seguiam o IBrX e o Ibovespa estão dando lugar a uma carteira mais diversificada, com estratégias de valor, dividendos, ativismo e outras. “Antes da crise de 2008, cerca de 95% da renda variável dos fundos de pensão estava concentrada em fundos atrelados aos principais índices de bolsa”, diz Carlos Garcia, sócio-diretor da distribuidora Itajubá. O especialista explica que as fundações perceberam que a gestão indexada ao Ibovespa e ao IBrX levava a uma alta concentração em cerca de 80 ações de maior liquidez com aumento do risco.
“É uma gestão que não representa o dinamismo da economia brasileira”, diz Garcia. Ele reforça que o Ibovespa representa apenas 30% do PIB brasileiro e não traz novos setores da bolsa, como construção civil, saúde, serviços e outros. Para agravar a situação, os fundos exclusivos ativos ou passivos aos índices vinham enfrentando dificuldades para bater os benchmarks nos últimos anos.
Os exemplos de fundos de pensão que realizaram processo semelhante não páram de se multiplicar. Além da Fundação Cesp, outros fundos como a Valia (Vale) e Funcef (Caixa Econômica) reduziram a parcela da renda variável indexada ao IBrX, para ampliar principalmente os segmentos de valor e dividendos.
A Faelba, patrocinada pela Coelba, é um dos fundos de pensão que passou a adotar uma carteira de renda variável mais diversificada. “Criamos uma estrutura que chamamos de núcleos satélites, com uma parte que continua indexada ao IBrX, mas com outros segmentos descorrelacionados do índice”, diz Jeremias Xavier de Moura, diretor administrativo e financeiro da Faelba.
A carteira foi distribuída nos segmentos de dividendos, Ibovespa ativo, small/mid caps, e ativismo. Esta última deu a melhor rentabilidade na renda variável em 2012 – 38% até agosto. “Apesar de ser um segmento de longo prazo, pois depende das ações do gestor sobre a governança das empresas, foi o que gerou melhor retorno neste ano”, diz o diretor. As estratégias de small/mid caps e dividendos também deram bom desempenho, bem acima do Ibovespa em 2012. “Estamos privilegiando estratégias que tragam valor agregado para nossa carteira”, diz Moura. Ele comenta que a estratégia de dividendos, por exemplo, teve ampliação do montante de recursos, saltando de R$ 18 milhões para R$ 20 milhões – dentro da carteira de renda variável que vale R$ 156 milhões.