Fundação mira fundos de valor para 2013 | Capef quer diversifica...

Fernando Barros de Lima, da Capef

Edição 244

 

Adecisão de investir em papéis de renda variável de menor liquidez e produtos com foco em imóveis deram resultados favoráveis à Capef. Junto com a estratégia de alongamento das carteira de renda fixa, o plano de contribuição variável (CV) do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Nordeste já havia batido 106% da meta atuarial em outubro do ano passado.

A estratégia utilizada no ano passado será mantida em 2013, mas com uma diversificação ainda maior. O diretor de administração e investimentos da entidade, Fernando Barros de Lima, conta que a Capef prevê uma seleção de ativos mais diversificada, mas que, no entanto, não deseja perder elementos que performaram satisfatoriamente. Um exemplo é dos ETFs (fundos de índice) de small caps que buscam ganhos vinculados às negociações de empresas de menor valor de capitalização listadas em bolsa. O objetivo é que no plano CV, que está em fase de acumulação de recursos, a renda variável atinja o limite máximo de 30%, deixando os atuais 25%. A política prevê a entrada em outras alternativas de fundos passivos, de dividendos e também de valor.

Por outro lado, a fundação também prevê a diversificação de estratégias de gestão mais ativa, com as assets do próprio patrocinador, o Banco do Nordeste, além da SulAmérica Investimentos, Itaú-Unibanco. Já a Schroders que realizava gestão de recursos para a entidade estava se despedindo no final do ano passado, por conta de um fraco desempenho na comparação com os outros concorrentes. Em seu lugar, estava entrando o BTG Pactual que começa a administrar cerca de R$ 16 milhões em janeiro.

Outra mudança para o novo ano é a contratação de uma asset especializada em opções mais arriscadas em renda variável prevista para o primeiro trimestre. Lima, que atua na fundação há pouco mais de um ano, vindo da área financeira do patrocinador, prefere não citar os favoritos do fundo, mas destaca a participação de nomes como HSBC e Mercatto Investimentos, além das atuais contratadas estão participando do processo de seleção. Pelo menos dez empresas serão convidadas para participar da concorrência. Para testar estratégias dos gestores, foram alocados três pacotes de cerca de R$ 1 milhão em fundos da SulAmérica, Pactual e Rio Bravo a fim de testar teses de investimentos. “Vemos este método como facilitador da nossa escolha futura, para conhecermos melhor os gestores e tomarmos uma decisão mais assertiva”, diz.

Benefício definido – No plano de benefício definido (BD), tido como mais maduro, o desempenho não é tão positivo quanto o CV, pois tem enfrentado dificuldades para alcançar suas metas (INPC+6%). Os contratos de renda fixa tinham boas taxas, mas o desempenho deixou a desejar e apresentou poucos rendimentos junto a performance fraca da bolsa, alcançando até outubro 93% da meta atuarial.

Sobre uma melhora nas negociações efetuadas na BM&FBovespa em 2013, Lima pontua que atualmente existem condições muito favoráveis para investimentos, mas não se vê um crescimento no nível e volume esperados, pois o cenário ainda confuso deva se tornar mais estável nos próximos meses. “Será no plano BD, nosso produto mais antigo que hoje está atrelado às taxas maiores, que teremos maiores desafios”, diz. Ele  revela que uma das políticas será a alocação de fundos estruturados de 4% do patrimônio.

O presidente da instituição, Fran Bezerra, cita a composição da carteira concentrada no setor imobiliário, com destaque para apostas em lajes corporativas e imóveis comerciais, como apoio importante no plano com exigências definidas. “As escolhas feitas neste segmento nos últimos 3 anos nos renderam taxas de rendimento médias de 20% ao ano, além da segurança gerada pelo fluxo de caixa garantido pela alternativa. Continuaremos neste caminho e também com projetos que evidenciem oportunidades no mercado local”, diz.

Perspectivas – Bezerra aponta ainda que as impressões para 2013 não fogem da situação dos outros fundos. O patrimônio total da Capef que soma R$ 2,65 bilhões continuará com uma gestão que busque alternativas aos juros baixos, em um ambiente de maior risco. Ele aposta em uma participação maior de pequenas empresas na bolsa e no surgimentos de mais títulos privados em renda fixa.

Em relação a produtos destinados à região Nordeste, a Capef deve investir em um fundo de infraestrutura multissetorial que é formatado com recursos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) que deve aportar 40%, deixando 20% para o Banco do Nordeste. O restante ficou com algumas fundações que decidiram entrar no fundo. Segundo Bezerra, a integralização dos recursos começa ainda no primeiro semestre de 2013.