Elas dão as cartas | A nova diretoria da Infraprev, o fundo de pe...

Edição 297

 

Infraprev em números (em pdf)

Durante o primeiro dia do 38º Congresso da Abrapp, que ocorreu entre os dias 4 e 6 de outubro em São Paulo, um grupo de mulheres que se conhece há décadas (“não precisa dizer quantas” pediu uma delas), resolveu que estava na hora de se sentarem para conversar sobre um monte de coisas em comum, entre elas a questão da igualdade de gêneros e o papel da mulher no setor de previdência/investimentos. Além, é claro, de outras amenidades já que ninguém é de ferro, muito menos elas. Marcaram um jantar no restaurante do Transamérica, hotel que fica ao lado do espaço onde foi realizado o Congresso, e o que começou com a pretensão de reunir cerca de 20 representantes do sexo feminino acabou reunindo o dobro.
As organizadoras do jantar, quando começaram a fazer a lista de quem deveria ser convidada, por unanimidade se lembraram em primeiro lugar de uma fundação: a Infraprev. Afinal, a entidade dos funcionários da Infraero renovou sua diretoria em meados deste ano e três mulheres compõem a direção atual: a superintendente Cláudia Avido, a diretora administrativa-financeira Juliana Koehler e a diretora de benefícios Ana Lúcia Esteves. É a primeira entidade com três mulheres em postos de comando, algo que não deveria causar estranheza e o fato de causar só mostra que o sistema está bastante atrasado na agenda que elas se dispunham a discutir naquele jantar.
“Foi muito gostoso, falamos sobre tudo”, resume Cláudia referindo-se ao jantar. A sua contratação para a diretoria da entidade, feita através de uma empresa de head-hunter, aconteceu em junho último, mesmo mês em que Ana chegou na diretoria de benefícios vinda da patrocinadora e dois meses antes de Juliana assumir a diretoria administrativa-financeira vinda da gerência de risco da própria Infraprev. “O fato de sermos três mulheres é só uma coincidência, mas estou feliz de ser reconhecida profissionalmente”, afirma Cláudia que é formada em economia e anteriormente foi por quatro anos, desde 2013, diretora de investimentos da Braslight. Ela começou a carreira no banco de investimentos Boreal, depois trabalhou na CSN e em uma das empresas do grupo Caemi, que acabou trocando pela Fundação Atlântico onde ficou por 6 anos na gerência de investimentos. Depois esteve por dois anos na área de planejamento financeiro da MMX, do hoje encrencado empresário Eike Batista, participando de um projeto que não vingou e do qual saiu para ir para a área de investimentos da Braslight.

Novos planos – Segundo Cláudia, “a diretoria anterior estava na fundação há muitos anos, nosso objetivo é trazer novas idéias para a entidade”. Entre outras coisas, ela planeja aprimorar a estrutura organizacional da fundação e melhorar a governança como um passo para caminhar na direção do código de autoregulação da Abrapp. Ela também pretende desenvolver um novo plano, na modalidade de Contribuição Definida, que seja mais atrativo aos participantes e com menos risco às patrocinadoras. Além da Infraero, a entidade conta hoje com o patrocínio de três outras concessionárias de aeroportos privatizados e da própria Infraprev. Segundo ela, esse “novo CD ainda está em processo de estudo”.
Também está sendo estudado um instituído para familiares de participantes. A fundação já tem um instituído com essa característica, vinculado à Associação Nacional dos Empregados da Infraero (ANEI), mas nunca recebeu muitas adesões. “Não sabemos porque, mas ele nunca atraiu os familiares dos participantes”, explica. “Vamos redesenhá-lo como um CD instituído, de forma que permita também a entrada de familiares de outras entidades”.

Batendo a meta – A Infraprev possui uma carteira de investimentos da ordem de R$ 3,2 bilhões, dos quais 90% estão num plano de Contribuição Variável. Segundo a diretora Juliana Koehler, esse CV obteve uma rentabilidade de 9% neste ano até agosto, o que supera a sua meta atuarial que é de INPC+5,7%, ou seja 5,2% no período. Juliana, que é economista de formação, começou na mesa de operações de renda variável da Infraprev em 2008 de onde saiu para trabalhar na gerência de risco da Accenture. Ficou lá até 2014, quando voltou para a Infraero para desenvolver a gerência de risco da fundação. Ao ser convidada para a diretoria administrativa-financeira estava em casa, de licença maternidade, cuidando de seu primeiro filho. “É um desafio profissional importante cuidar da área de investimentos de uma fundação desse porte”, diz.
Segundo ela, 70% da carteira do plano CV estão aplicados em títulos públicos federais marcados na curva, uma realidade que deve mudar a partir do ano que vem quando a fundação pretende buscar mais risco para as carteiras. Entre outras coisas, a Infraprev quer ampliar o espaço dos fundos de ações e multimercados, além de investimentos no exterior, uma modalidade que inclusive já está contemplada na política de investimentos.
O CV fechou o ano passado com um déficit de R$ 154 milhões, que os bons resultados alcançados pelo CV até agosto ajudam a mitigar. Segundo o informativo de julho/agosto da entidade, para o qual Cláudia deu uma entrevista, ainda não dá para saber se haverá necessidade de equacionamento de déficit. Para isso “temos que olhar o chamado equilíbrio técnico ajustado, que leva em conta o ajuste de precificação dos ativos. Quando utilizamos este princípio, o resultado negativo em 2016 cai para R$ 72 milhões”.