
Liane_Chacon, destituída da diretoria de Seguridade e Benefícios da Néos
A destituição de Liane Chacon do cargo de diretora de Seguridade e Benefícios da Néos, fundo de pensão das empresas do grupo Neoenergia, representou, segundo ela, “uma represália ao exercício legítimo da minha atuação institucional na defesa dos participantes e assistidos”.
Ela foi destituída pelo Conselho Deliberativo da entidade em reunião realizada no dia 30 de junho, juntamente com um membro eleito do colegiado cujo nome não foi divulgado ( para ver clique aqui ). A decisão foi baseada em processo administrativo que apontava suposto conflito de interesses entre sua atuação na diretoria da entidade e sua participação na diretoria do Sintern/RN, sindicato que representa parcela dos participantes da Néos.
Segundo Liane, porém, sua atuação na diretoria do Sintern/RN era conhecida pela própria Néos desde sua posse, em janeiro de 2020. Ela enviou à Investidor Institucional um manifesto no qual contesta os motivos que levaram à sua destituição. Veja abaixo:
“Fui destituída do cargo sob a alegação de conflito de interesses em razão de integrar, simultaneamente, a diretoria da Néos e a diretoria do Sintern/RN, sindicato representativo de parte dos participantes da entidade — condição de conhecimento da própria Néos desde a minha posse, em janeiro de 2020.
Essa mesma condição existia desde 2019, quando foi firmado o Termo de Compromisso entre as patrocinadoras das entidades de previdência complementar incorporadas pela Néos, a própria entidade e a Intersindical, composta pelo Sinergia-BA, pelo Sintern/RN e pelo Sindurb-PE. Foi com base nesse Termo que o processo eleitoral da entidade passou a ser questionado judicialmente, a partir de 2021, pelos três sindicatos, o que levou a própria Néos a anular administrativamente o processo eleitoral daquele ano. A ação foi retomada em 2024, quando um novo processo eleitoral também apresentou vícios em relação ao mesmo Termo de Compromisso, e culminou em um acordo entre a entidade e dois dos sindicatos, firmado em novembro de 2025. Ciente dos prejuízos que o acordo poderia ocasionar aos participantes e assistidos, o Sintern/RN não concordou, e foi essa discordância que deu origem ao processo administrativo que culminou no meu afastamento.
Essa decisão configurou uma represália ao exercício legítimo da minha atuação institucional na defesa dos participantes e assistidos, especialmente no contexto do processo eleitoral da entidade. O procedimento foi conduzido de forma seletiva e apresentou vícios relevantes que comprometem sua legitimidade.
A alegação de conflito de interesses não encontra respaldo na minha atuação ao longo de mais de duas décadas na previdência complementar. Sempre exerci minhas funções com absoluta independência, ética e observância dos deveres fiduciários inerentes ao cargo. Em diversas oportunidades, inclusive, votei de forma divergente de toda a bancada dos representantes dos participantes e assistidos, quando entendi que essa era a decisão mais adequada aos interesses dos participantes e assistidos. Esse histórico demonstra que minhas decisões sempre foram pautadas por critérios técnicos, pela boa-fé e pelo compromisso com a governança, e não por qualquer vinculação institucional ou política.”