Devanir defende regulação preventiva e baseada em dados

O presidente da Abrapp, Devanir Silva, em palestra no 15º Congresso Brasileiro de Atuária realizado nesta quinta-feira (13/8) pelo IBA, disse que a regulação da previdência complementar fechada deve avançar além da produção de normas e se apoiar em quatro pilares: ser inteligente, preventiva, baseada em evidências e proporcional aos riscos de cada entidade.

“A digitalização da economia, a explosão dos volumes de dados, o avanço da inteligência artificial e a crescente sofisticação dos riscos exigem uma nova forma de pensar a supervisão”, afirmou. Segundo ele, a regulação inteligente deve utilizar dados e análises avançadas para antecipar problemas e fundamentar as decisões em informações de qualidade.

Devanir destacou que as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) convivem não apenas com os riscos tradicionais de mercado, crédito e atuariais, mas também com riscos emergentes. Entre eles estão ataques cibernéticos, vazamentos de dados, impactos climáticos sobre os portfólios, exposição reputacional e dependência de fornecedores externos.

Outro ponto de atenção é o próprio uso da inteligência artificial, especialmente quando as decisões se apoiam em algoritmos que não são adequadamente supervisionados. Para Devanir, esse novo cenário reduziu a eficácia de uma abordagem regulatória fragmentada. “Nós precisamos de uma visão integrada e de uma verdadeira regulação 360 graus. O desafio não é simplesmente produzir dados, é transformá-los em inteligência”, disse.

Segundo o dirigente, a transformação de dados em conhecimento permite reduzir incertezas, acelerar decisões, identificar problemas de forma precoce e acompanhar continuamente os riscos. “Não estamos falando apenas em tecnologia, estamos falando de confiança, o principal ativo da previdência complementar”, afirmou.

Sobre a adoção da inteligência artificial no setor, Devanir ressaltou que a tecnologia deve apoiar, e não substituir, a administração dos fundos de pensão. “A inteligência artificial não substitui o gestor, ela amplia sua capacidade de decisão”, disse. A decisão fiduciária e a responsabilidade por seus efeitos, acrescentou, devem continuar nas mãos dos administradores.

Para o presidente da Abrapp, a regulação precisa conciliar inovação, proteção aos participantes, segurança jurídica e eficiência operacional. Embora o setor já conte com bases de dados consolidadas, regulação madura, profissionais qualificados e cultura de gestão de riscos, ele considera necessária a incorporação de competências em ciência de dados, inteligência artificial responsável, cibersegurança e gestão integrada da informação.

“A tecnologia muda a velocidade das decisões, a governança define sua qualidade e a confiança permanece sendo o maior patrimônio da previdência complementar”, concluiu.