Edição 117
Os gestores de fundos de pensão da Espanha terão de repartir o bolo de pelo menos 6 bilhões de Euros (US$ 5,2 bilhões) em ativos derivados de investimentos até o final do ano com os administradores de recursos internacionais, tornando o mercado local mais competitivo. Marcada para acontecer no final deste ano, a chegada desses gestores, principalmente dos Estados Unidos e Europa, foi costurada pelo governo, que quer aumentar a competição no mercado de fundos de pensão do País. A mudança permite que a administração das entidades aponte mais que um gestor para seus recursos.
Até o momento, os fundos de previdência privada da Espanha só podiam trabalhar com um gestor. O administrador de recursos pode encaminhar os ativos direcionados a investimentos internacionais para um gestor terceirizado, mas não mais que 20% do total desses ativos. Nesse ponto, o número de gestores de recursos que passam portfólios para administradores terceirizados é muito pequeno, e menos ainda os que utilizam os serviços de administradores estrangeiros, segundo a consultoria Towers Perrin, de Madri.
No final de 2001, os fundos de pensão privados da Espanha registravam 18,8 bilhões de Euros em ativos, 31% investidos em ações de empresas internacionais e títulos. São nessas aplicações que os administradores de recursos têm sua maior chance de ganhar participação no mercado. Investidores institucionais e de varejo também querem reduzir sua exposição ao mercado espanhol à medida que muitas empresas locais, e bancos em particular, foram fortemente afetados pela crise da moeda Argentina.
Divulgadas no final do ano passado, as novas regras para o mercado de fundos de pensão introduzirão um novo grupo de medidas, incluindo a redução das taxas, para estimular a procura de planos de aposentadoria por empresas e pessoas físicas. Especialistas do mercado de previdência local disseram que a novidade abrirá o mercado espanhol consideravelmente, além de alavancar a competição. O problema é que as regulamentações que irão dar força à lei não devem ser aprovadas até o final deste ano.
A Fonditel, gestora do maior fundo de pensão espanhol, da empresa de telefonia Telefónica, planeja aumentar o número de especialistas na gestão dos recursos, especializados no mercado internacional e que focariam em estratégias absolutas de rentabilidade e administração dos papéis investidos em moedas estrangeiras.
Muitos consultores vêem com bons olhos a mudança do governo para aumentar a competição no mercado de pensões espanhol. Hoje, somente grandes bancos – como o Grupo Banco Bilbao Vizcaya Argentaria e Banco Santander Central Hispano, ambos de Madri – que detêm um grande número de operações em sua área de asset management, têm capacidade de oferecer produtos para investimento internacionais e seriam capazes de competir com administradores internacionais, segundo especialistas locais.
Segundo pesquisa da Inverco, o BBVA é o gestor dominante para fundos de pensão corporativos, com 27,7% do mercado. A Fonditel é a segunda maior, e a La Caixa Catalunya, de Barcelona, é a terceira do ranking, com a fatia de 10,8% do mercado.
O mercado previdenciário da Espanha é um dos que mais cresce na Europa, segundo a Scottish Windows Investment Partnership. Contabiliza um total de ativos da ordem de 43,8 bilhões de euros e é dividido em três setores: os planos de aposentadoria individuais, responsáveis pela maior fatia, fecharam o ano com ativos de 24,2 bilhões de euros, crescimento de 12,6%; os corporativos, cujos ativos cresceram 21% em 2001; e, na terceira posição, os planos de associações e fábricas, pequenos e de crescimento lento. Segundo estimativa conservadora da consultoria Watson Wyatt, até 2005 o mercado de previdência da Espanha vai mais que dobrar, com o total de ativos alcançando 83,4 bilhões de euros.