Crédito privado no radar | Fundação Ceres monitora as oportunidad...

Edição 295

 

Com a economia aparentemente já tendo alcançado o fundo de poço, com o tímido início de uma trajetória de recuperação se desenhando, a Fundação Ceres, com ativos da ordem de R$ 6 bilhões, começa a buscar alternativas no mercado de crédito privado e na bolsa brasileira para fazer frente às suas metas atuariais nos próximos anos com a perspectiva de redução dos prêmios dos títulos públicos nos próximos meses.
“Temos feito uma análise bastante minuciosa e fundamentalista para aumentar a exposição em bolsa”, pondera Dante Scolari, diretor de investimentos da Ceres, que acrescenta que a medida do governo de liberação do FGTS teve contribuição importante para a retomada do consumo observada recentemente. “A medida gerou uma folga no orçamento das famílias, e essa folga está começando a dar um ânimo para a economia pelo lado do consumo”. Essa retomada do consumo, pontua Scolari, pode fazer com que o empresariado volte a investir, “até porque o Estado não tem mais condições de fazer esse papel”. Scolari cita como uma das razões para o bom rendimento da renda variável da entidade o fato dela não fazer investimentos em índices de mercado, já que a alocação de recurso em cada ação é precedida de longa análise sobre determinada empresa.
No crédito privado, o dirigente ressalta que há uma expectativa positiva do mercado para os próximos meses, caso saiam do papel os projetos de concessão à iniciativa privada de rodovias e aeroportos ventilados recentemente pelo governo. “Se o mercado entender que serão projetos viáveis, com empresas de primeira linha e expectativa de boa remuneração, os fundos de pensão devem participar”, prevê o dirigente da Ceres.
No entanto, para que o cenário mais positivo se confirme em 2018, destaca o diretor, é preciso que o próximo governo dê seguimento às reformas propostas para que os juros possam seguir em queda e permanecer em patamares baixos por tempo prolongado, a fim de estimular a retomada dos investimentos por parte da iniciativa privada. “Se as reformas forem deixadas de lado as fundações terão de voltar a financiar o Estado”, prevê o especialista, que torce pela aprovação da reforma previdenciária, ainda que essa não venha robusta como deveria ser, “até porque o governo atual não tem força política para isso”.
Scolari nota ainda que também tem surgido, como alternativa à insuficiência dos prêmios nos títulos públicos, cada vez mais os fundos multimercados estruturados nas conversas com os gestores. Ele pondera que os ganhos relevantes dos multimercados nos últimos meses, que impulsionaram o otimismo por essa classe de ativos, decorrem basicamente dos movimentos da curva de juros.
Sobre o segmento estruturado, como os fundos de participações, o dirigente acredita que ele não deve voltar tão cedo para o radar das entidades, tendo em vista os problemas apresentados no passado recente. “Hoje em dia, ninguém tem muita confiança nessa classe de ativo”.

Segurança – Mas por enquanto, ressalta Scolari, os títulos públicos ainda representam o mais importante retorno para a carteira da Ceres. Além do patamar ainda elevado no qual se encontram os títulos, principalmente na ponta longa da curva de juros, tendo em vista as incertezas que persistem no horizonte de curto e médio prazo, o especialista destaca que o fechamento das taxas tem beneficiado sobremaneira os investidores com posições à mercado como é o caso da fundação.
O diretor de investimentos evita fazer projeções sobre os resultados esperados para o ano. “Não falamos muito da rentabilidade dos planos, mas todos estão superavitários, alguns com boa margem por conta do desempenho positivo do mercado no primeiro semestre”, diz Scolari. A Ceres é uma entidade multipatrocinada com 16 planos, que inclui entre outros patrocinadores a Embrapa e a ABDI. “Nossa situação no momento é confortável, mas quando olhamos para frente ainda não enxergamos com clareza onde poderemos investir”.