Com as contas na rede | Paraná Previdência investe em software de...

Edição 115

Até então restritos aos fundos de pensão privados, os softwares de gestão dos ativos, dos passivos e de investimentos fazem sua estréia no setor público de previdência. Primeira entidade a instituir um sistema de capitalização, o Paraná Previdência toma novamente a dianteira e torna-se a única desse setor a controlar suas operações e a permitir que seus segurados visualizem suas reservas por meio de um sistema de gestão pela Internet.
O processo de implantação do software Gprev (Gestão Previdenciária), desenvolvido pelo Centro Internacional de Tecnologia de Software (CITS), teve início em outubro passado e deve ser concluído no primeiro semestre de 2003. Até lá deverão ser gastos perto de R$ 4,5 milhões, segundo cálculos do gerente da área de informática do Paraná Previdência, Juarez Pereira Souza. O desenvolvimento do projeto foi financiado pelo próprio Paraná Previdência, e a tecnologia e mão-de-obra ficaram a cargo do CITS.
Até agosto próximo, a entidade inicia a implantação do primeiro módulo: o da concessão de benefícios e cadastro do histórico do beneficiário. Em um segundo momento, a fundação vai implantar o sistema de manutenção de benefícios, que mostra a variação do valor do benefício do segurado com a concessão de bônus e gratificações legais obtidas ao longo da carreira e possíveis descontos.
Mas a demora na implementação do software no fundo previdenciário do Estado do Paraná não deve ser vista como regra. “Cada caso é um caso”, resume o responsável técnico do projeto, Osmar Zózimo. Isso porque o GPrev foi desenvolvido especificamente para gerenciar o Paraná Previdência e, se instalados em outros fundos, deverá passar por alterações. Caso sejam necessárias poucas alterações no sistema, a implantação do software é quase imediata.
O coordenador executivo do CITS e ex-presidente do Paraná Previdência, Renato Follador, ressalta que a influência do software só será percebida no item agilidade, e não na redução dos quadros de pessoal da entidade. “O Gprev otimiza processos. Uma simulação atuarial que ocupava contadores e atuários por até vinte dias pode ser resolvida em uma hora”, revela. A opinião é compartilhada pelo assessor da diretoria de previdência do fundo, Lauro Fernando Benitez, para quem os profissionais que diariamente lidavam com os cálculos da entidade responderão pela nova função de supervisores do sistema.
Segundo Zózimo, apesar de dirigida à totalidade dos institutos e fundos de pensão, o software certamente terá mais adeptos nas entidades de grande porte pela sua complexidade, desenvolvido para facilitar o relacionamento com bancos, seguradoras e mercado financeiro em geral. Follador comenta que as fundações de pequeno porte poderão escolher apenas os módulos de que precisam para sua administração e não todo o sistema. O executivo destaca que a diferença do software em relação ao que já existe no mercado está na possibilidade de integração dos módulos, que permitem fazer cálculos atuariais e controlar a gestão dos ativos, geralmente terceirizada.
Segundo Follador, o Ministério da Previdência está conversando com o centro de tecnologia para tornar o software acessível a todos os regimes próprios de municípios. “Ainda não há nada certo mas, as conversas estão em estágio adiantado. É possível que até o final deste ano algum acordo tenha sido fechado”, diz.