Edição 263
A EmbraerPrev criou dois novos fundos de investimento de renda fixa no mês de agosto, que são compostos por títulos públicos e de crédito privado, desdobramento de um trabalho de LDI (Liability Driven Investment, ou investimentos guiados pelo passivo, em tradução livre) iniciado na casa no final do ano passado.
Devido ao ocorrido com a renda fixa em 2013, o fundo de pensão optou por marcar parte de sua carteira na curva para diminuir a volatilidade. Na virada do ano, a fundação converteu para a marcação na curva parte de sua carteira marcada a mercado, conforme permitido pela legislação, e também aproveitou a abertura das taxas, principalmente no primeiro trimestre, para fazer compras da ordem de R$ 200 milhões em NTN-Bs.
Ao final dessa primeira etapa de implementação do LDI, a EmbraerPrev contava com dois fundos de renda fixa, geridos pela BB DTVM e pelo Santander, e ambos tanto com títulos marcados na curva como a mercado.
“Entendemos que precisávamos especializar essa gestão, já que o título marcado na curva não requer nenhum tipo de gestão especial. Tínhamos dois tipos de papéis dentro de um fundo com um único regulamento para a gestão”, recorda Eléu Baccon, diretor superintendente e de seguridade da EmbraerPrev.
A solução encontrada foi criar dois novos fundos, que ficaram à cargo dos mesmos gestores, e alocar neles somente os títulos marcados a mercado. Uma das vantagens desse processo, pontua Baccon, foi que os dois fundos originais, que ficaram somente com ativos marcados na curva, tiveram suas taxas de gestão reduzidas, o que permitiu uma economia anual para a casa, que tem PL de R$ 1,4 bilhão, de R$ 400 mil.
Além disso, o executivo destaca também que, quando os ativos a curva e a mercado estavam dentro de um mesmo fundo, em uma ordem aproximada de 70% e 30% respectivamente, os gestores não precisavam fazer um grande esforço na gestão dos ativos a mercado, já que a boa rentabilidade entregue pelas NTN-Bs adquiridas recentemente, e marcadas na curva, era suficiente para cumprir a meta estabelecida de INPC mais 4,5%.
Para os dois novos fundos marcados a mercado, o benchmark passou a ser 104% do CDI. “Com isso buscamos elevar a rentabilidade da parte não marcada na curva em nossa carteira de renda fixa, em função da cobrança de um maior nível de atividade do gestor. Eles farão estratégias de gerir a curva, vão trabalhar para aproveitar eventuais momentos de ganho com a abertura ou o fechamento da curva”.
Apesar da busca por uma rentabilidade mais elevada, o superintendente atenta para o perfil previdenciário dos fundos, o que impediu a adoção de benchmarks mais agressivos. “Temos a preocupação de gerar atividade no fundo sem expôr a carteira à volatilidades indesejáveis, até por isso estabelecemos o CDI, e não o IMA-B”.
Além dos títulos públicos, os gestores também poderão fazer estratégias de crédito privado marcadas a mercado nos dois novos fundos; o rating necessário para que operações dessa natureza possam ser realizadas é acima do grau de investimento.
Como os fundos foram segregados em agosto, o resultado disponível do acumulado do ano ainda é referente ao período em que os títulos na curva e a mercado estavam sob o mesmo guarda-chuva – um deles, até agosto, rendeu 8,31% e o outro 8%.
Hoje cada um dos fundos marcados a mercado tem PL aproximado de R$ 200 milhões, enquanto aqueles marcados na curva somam R$ 300 milhões e R$ 440 milhões. “Esse espelhamento é importante porque avaliamos mensalmente os resultados dos gestores e os comparamos”.
Além das quatro carteiras de renda fixa sob a gestão de BB e Santander, a EmbraerPrev tem um fundo exclusivo de crédito privado com a Icatu, de R$ 96 milhões, que tem apresentado a melhor rentabilidade entre os pares, de 8,92% no ano até agosto.