
Devanir Silva, presidente da Abrapp
O presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir Silva, destacou nesta quarta-feira (6/5), na abertura do 15º Seminário de Investimentos promovido pela entidade, o papel dos fundos de pensão como investidores de longo prazo.
“Somos investidores institucionais por natureza. Não estamos orientados por movimentos de curto prazo, mas pela construção consistente de resultados que garantam segurança aos participantes ao longo de décadas”, afirmou.
Ele ressaltou o perfil conservador dos investimentos das entidades, hoje concentrados em títulos públicos, como reflexo do ambiente de juros elevados. “Trata-se de uma alocação coerente com o momento”, disse. Dados da Abrapp mostram que a renda fixa representava 85,2% dos ativos das entidades ao final de 2025, enquanto a renda variável respondia por apenas 7,6%.
Segundo Devanir, essa concentração em renda fixa está diretamente ligada ao compromisso das entidades com a solvência e a liquidez. Na avaliação dele, um movimento de queda dos juros poderá abrir espaço para a diversificação das carteiras e para a ampliação dos investimentos em ativos que contribuam para o desenvolvimento econômico.
Supervisão e controle — No campo institucional, o presidente da Abrapp defendeu maior clareza na definição das atribuições das instâncias de supervisão e controle, como a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e o Tribunal de Contas da União (TCU), de modo a evitar retrabalhos e, principalmente, decisões conflitantes sobre temas semelhantes. “Hoje lidamos com um nível muito maior de complexidade, e o gestor precisa de segurança jurídica”, disse.
Evolução — Outro ponto abordado por Devanir foi a inclusão de novos contingentes de trabalhadores no sistema de previdência complementar, por meio de um modelo de micropensões. “Estamos falando de milhões de brasileiros que hoje estão à margem. São os informais, os motoristas de aplicativo, os entregadores. Essa parcela não pode ficar fora de um sistema de proteção de longo prazo”, afirmou.
Na avaliação dele, o sistema previdenciário precisa evoluir e acompanhar as transformações do mercado de trabalho para incluir esses trabalhadores. “Se nada fizermos, corremos o risco de ter uma parcela significativa da população sem cobertura no futuro”, disse.