Edição 58
Um crescente número de fundos de pensão passa a adotar o IBX como
indexador de suas carteiras de ações
O IBX, índice das 100 ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa), está se popularizando entre os fundos de pensão. O
índice, que começou a ser calculado pela Bovespa em dezembro de 96
com dados a partir de dezembro de 95, já começa a substituir o IBA
(Índice Brasileiro de Ações) e até mesmo o tradicional Ibovespa como
referencial de carteiras de renda variável de várias fundações.
Os motivos, segundo especialistas, são o amadurecimento do próprio
IBX – que já conta com uma série histórica de 3 anos e meio – e as
mudanças geradas no mercado com o desmembramento dos Recibos de
Telebrás. A partir de setembro, esses recibos (que hoje convivem com as
ações das 12 empresas oriundas com a privatização da estatal de
telecomunicações) deixarão de existir. “O desmembramento da Telebrás
favorece o IBX, que passará a ter uma carteira bem mais diversificada que
os outros índices, refletindo melhor o mercado”, diz o gerente de risco da
fundação Eletros (Eletrobrás), Jair Ribeiro.
Atualmente, o IBX já tem a carteira mais diversificada entre os índices
brasileiros, mas sua metodologia é a que melhor vai espelhar a
diversificação causada pela divisão dos Recibos. Ele tem 100 papéis em
sua carteira teórica, dos mais variados setores, sem restrições. O IBA, por
exemplo, considera apenas as ações em poder do mercado, deixando de
fora as ações de controle, enquanto o FGV-100, medido pela Fundação
Getúlio Vargas, não tem ações de estatais nem de bancos. E o Ibovespa
tem vocação para concentrar-se em poucos papéis, já que sua
metodologia baseia-se em volume negociado. “A ação que ganha maior
liquidez acaba concentrando o Ibovespa”, opina Ribeiro.
A Eletros decidiu recentemente adotar o IBX como benchmark de sua
carteira de ações. Outras fundações já estavam adotando o mesmo índice
desde meados do ano passado. De acordo com empresas de
administração de recursos, o primeiro índice a ser substituído foi o IBA,
principalmente porque ele não tem uma periodicidade regular enquanto o
IBX é calculado e divulgado diariamente pela Bovespa. “O fato do IBX ser
calculado e divulgado pela Bovespa dá, sem dúvida, mais transparência e
segurança aos investidores”, diz o gerente comercial da Icatu
Investimentos, Paulo Stockler.
Na Icatu, o processo de migração para o IBX começou no segundo
semestre do ano passado, atingindo entre 20% a 25% das carteiras
administradas, estima Stockler. Na Unibanco Asset Management (UAM), o
IBX já divide espaço com o IBA. Segundo o diretor de institucionais, Ailton
Garcia, do final do ano passado até hoje o IBX passou a ser o benchmark
de 5% do volume administrado em renda variável, o mesmo que o IBA.
Os outros 90% ainda adotam o Ibovespa como referencial.
A migração de Ibovespa para IBX é mais recente. “Tivemos apenas um
caso até agora”, diz Garcia. A Icatu Investimentos também registrou
apenas uma migração, mas para Stockler, em breve haverá outras. “ O
IBX está crescendo em importância, porque não tem os riscos do
Ibovespa, por não ser ponderado por volume”, explica. “Os clientes têm
feito muitas consultas”.
Risco – O aumento da cultura do risco é outro ponto a favor do IBX. De
acordo com o gerente comercial do CCF, Francisco Amarante, os novos
clientes já pedem o índice como benchmark, e parte dos antigos, com
contratos baseados no Ibovespa, estão revendo o índice. “Para seguir o
Ibovespa, o administrador tem que ter concentração forte em teles e
energia, o que traz um risco maior para a carteira”, diz Amarante. “Além
disso, o IBX dá mais flaxibilidade para o administrador, porque tem mais
papéis”, acrescenta.
Segundo um estudo quantitativo feito pela Bradesco Templeton, o IBX
apresenta, no conjunto, os melhores indicadores de risco. A empresa, que
iniciou suas atividades em julho do ano passado, sempre apostou em
benchmarks alternativos ao Ibovespa, conta o gerente de risco Lauro
Araújo. Porém, uma das dificuldades de adotar o novo índice está na
resistência dos próprios clientes, que relutam em sair do tradicional. Mas
isso começa a mudar. “Sempre buscamos alternativas para os clientes, e
percebemos que hoje em dia temos tido mais abertura para falar sobre
índices com eles”.
Por ser mais conhecido do que os outros índices, abandonar o Ibovespa
torna-se mais difícil, principalmente hoje em dia, em que a prestação de
contas das fundações aos participantes e patrocinadora é muito mais
demandada. “O público mais leigo só conhece o Ibovespa. Fica difícil
justificar a rentabilidade utilizando outro índice”, comenta Paulo
Stockler. “Mas hoje, o controle de risco das instituições
acaba ‘recomendando’ o uso de um índice menos concentrado”.
Esperando – Algumas entidades estão esperando para ver. “Acho
prematuro tomar qualquer decisão agora”, diz o gerente de renda variável
da Sistel, Ivan Mendes. A Sistel, por enquanto, está fazendo simulações
para tentar se antecipar à futura composição do Ibovespa, para ver que
ajustes teria que fazer em sua carteira. “Estamos estimando prévias da
carteira teórica, a partir da metodologia da Bovespa, que todo mundo
conhece”, acrescenta.
Ele questiona o argumento de que o IBX reflete melhor o mercado do que
o Ibovespa, por causa da concentração desse último índice. “A
concentração é uma característica do próprio mercado, porque a maioria
das ações não tem liquidez. Existe em função do porte do nosso mercado,
e o Ibovespa reflete isso”, opina.
Além disso, para ele, o desmembramento dos Recibos de Telebrás vão
ajudar a reduzir o risco do Ibovespa. “O investidor estrangeiro que queria
comprar Brasil comprava Telebrás. Agora, ele deve ter pelo menos uns
quatro papéis como opção, o que já é um avanço”, ilustra.
Para Jair Ribeiro, da Eletros, a relação entre IBX e Ibovespa tende a ser
como nos Estados Unidos. Lá, o Dow Jones reflete a negociação do
mercado, mas não serve como referência para administração de recursos,
que em geral é baseada no S&P 500 (Standard & Poor’s 500). “Existem,
ainda, outros índices, calculados por empresas de renome, que poderiam
ser utilizados no Brasil. É bom para o investidor ter várias opções”, conclui.
Comparativo entre índices de ações
(jan/96 a março 99)
índice volatilidade retorno nominal
IBA 41,1 48,6%
IBX 41,7 92%
Ibovespa 44% 148%
Fonte: Icatu Investimentos