Cresce a demanda por fundos exclusivos

Edição 57

A volta da CPMF, dessa vêz com alíquota de 0,38%, incentiva a abertura
de fundos exclusivos

Os administradores de recursos estão registrando aumento progressivo da
demanda por fundos exclusivos, nos últimos dois meses, por parte dos
fundos de pensão. O motivo central que está impulsionando a migração
desses recursos para FIFs e FACs exclusivos é o retorno da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), de 0,38%, marcado
para o próximo dia 17 de junho. “Dentro dos fundos exclusivos é possível
movimentar papéis ou cotas sem ter que pagar a CPMF”, explica Nilson
Antônio Gonçalves, analista financeiro da Volks-wagen Previdência Privada.
Desde janeiro deste ano, o governo vem utilizando o Imposto sobre
Operações Financeiras (IOF) em substituição à CPMF. Como muitas
fundações possuem liminares de isenção do IOF, este imposto não
impedia as entidades fechadas de investir diretamente em renda fixa,
variável ou fundos mútuos de investimento.
Com a volta da CPMF já não será possível fugir da tributação. Por isso,
principalmente desde o final de março passado, os fundos de pensão
estão acentuando a migração dos recursos para os fundos exclusivos. “O
fundo exclusivo funciona como um guarda-chuva que protege o fundo de
pensão da incidência da CPMF, permitindo ao mesmo tempo maior
mobilidade na alocação dos ativos”, diz Nicolau Herendy, gerente-geral de
distribuição de institucionais do Santander.
Nas últimas semanas, o Santander constituiu 5 fundos exclusivos de
institucionais e tem mais 4 negócios deste tipo para fechar nos próximos
dias. “Estamos registrando a procura de grandes fundações que estão
interessadas em aplicar os recursos de renda variável em fundos
exclusivos”, revela Herendy.
Outro gestor que está sentindo forte aumento na procura pelos fundos
exclusivos é a Lloyds Asset Management (LAM). Desde o início do ano
foram constituídos 27 fundos exclusivos, concentrando recursos da ordem
de R$ 420 milhões. “A captação da LAM em fundos exclusivos nestes
primeiros meses do ano cresceu em média 50% em comparação com
igual período do ano passado”, diz Alberto Fernandes, diretor comercial.

FAC exclusivo – Os administradores já vinham percebendo o crescimento
da demanda por fundos de aplicação em cotas desde o segundo semestre
do ano passado. Desde a ocorrência da crise russa, os institucionais
começaram a preferir a aplicação em FACs como forma de realizar uma
melhor gestão de risco dos ativos (leia matéria na edição n°52). Juntando
esta tendência um pouco mais antiga com o movimento recente das
fundações em direção aos fundos exclusivos devido ao retorno da CPMF, o
resultado não poderia ser outro: o crescimento dos FACs exclusivos.
O BMG Asset Management, por exemplo, tem fechado negócio com
algumas fundações que estavam querendo a constituição deste tipo de
produto. “Captamos cerca de R$ 70 milhões nas últimas semanas através
da criação de 4 FACs exclusivos para fundos de pensão”, informa Bruno
Amadei, diretor de desenvolvimento de clientes e produtos do BMG. Ele
explica que o fundos de aplicação em cotas (FAC) permite maior agilidade
e flexibilidade para a composição da carteira. O BMG oferece as opções
de gestão compartilhada ou discricionária para este tipo de fundo.
Outra vantagem do FAC é o custo da taxa de administração, que é mais
barato em comparação com outros fundos de investimento. Isso ocorre
porque os outros fundos de investimento possuem custos mais elevados
em função das taxas provenientes da própria alocação direta dos ativos e
do próprio trabalho mais elaborado do gestor. Como o FAC só aplica em
cotas de outros fundos de investimento, é mais fácil e barato realizar sua
gestão.
“Estamos pensando em investir em um FAC exclusivo devido à baixa taxa
de administração e a vantagem de não ter que pagar CPMF”, explica Ana
Cristina Lamounier, gerente de investimentos da Fundação Açominas.

Metade dos institucionais em fundos exclusivos de perfil conservador
O Liberal Asset Management está ampliando sua participação no
segmento de investidores institucionais. Seus fundos de derivativos
conservador e moderado somavam R$ 527 milhões provenientes desses
investidores em meados de maio, contra pouco mais de R$ 200 milhões
até o final do ano passado. Dos R$ 527 milhões em meados de maio, R$
400 milhões estavam aplicados no fundo de derivativos conservador e R$
127 milhões no fundo de derivativos moderado.
“Marcamos nosso nome como uma empresa voltada para performance,
com uma política de investimentos consistente”, diz o diretor comercial da
área de institucionais, Guilherme Cavalcanti. O Liberal teve uma excelente
performance no mês de janeiro, durante a crise cambial, basicamente
devido às apostas em títulos públicos federais cambiais e operações com
derivativos. “Por determinação da matriz, não assumimos risco de crédito,
nossas carteiras só têm títulos públicos”, acrescenta.
O fundo conservador tem como meta alcançar 105% do CDI. Dos 400
milhões que os fundos de pensão aplicam nessa modalidade, metade
está em um fundo aberto e a outra metade em 10 fundos exclusivos com
as mesmas características. O fundo moderado busca 120% do CDI. Dos
R$ 127 milhões de fundos de pensão nessa modalidade, R$ 90 milhões
estão em um fundo aberto e R$ 37 milhões em 2 fundos exclusivos.
De acordo com Cavalcanti, a empresa deve fechar o primeiro semestre
ultrapassando a casa dos R$ 600 milhões em ativos administrados de
fundações. “Estão acontecendo mexidas grandes nos investimentos das
fundações, por causa da CPMF. Até 17 de junho a realocação de recursos
continuará forte”, avalia.