A volta aos pós-fixados

Edição 57

Queda da taxa de juros leva fundações a abandonarem as aplicações pré-
fixadas

As aplicações em títulos e fundos pré-fixados estão em baixa. Devido à
queda das taxas de juros para 23,5% ao ano, a rentabilidade dessas
aplicações tornou-se menos atraente em relação às aplicações pós-
fixadas, que giram em torno de 21% ao ano, com menor risco. Além
disso, os rumores sobre a Argentina estão trazendo de volta a volatilidade
no mercado futuro de juros.
Em março último, com a subida das taxas para algo em torno de 45%,
muitas fundações fizeram aplicações pré-fixadas para aproveitar os
ganhos. Foi o caso da Aços, fundação da Açominas, que tem cerca de 40%
de sua carteira de renda fixa pré-fixada. Essa carteira, montada a partir
de agosto do ano passado, está rendendo em média 30% ao ano.
A Aços não pretende mais prosseguir nesse tipo de investimento, pelo
menos no atual patamar das taxas de juros, explica a gerente de
investimentos da fundação, Ana Cristina Lamounier de Sá. “Agora que as
taxas caíram, não compensa mais ter pré-fixados”, diz.
“Os prêmios ficaram muito baixos e os clientes estão migrando para
aplicações indexadas ao CDI”, afirma o gerente de fundos de renda fixa
do Bozano Simonsen, Alexandre Suarez. O Bozano, está reduzindo a
exposição em títulos pré-fixados de seus fundos de renda fixa.
Para o diretor de institucionais da Lloyds Asset Management (LAM), Alberto
Fernandes, a procura das fundações por operações pré-fixadas foi sazonal
e bem situadas dentro do perfil de risco de cada uma delas. “Não tivemos
investimentos generalizados em pré-fixados, porque a gestão das
fundações está cada vez mais profissional e protegida dos vai-e-vens do
mercado”, diz.
“As fundações aproveitaram para diversificar em março, quando as taxas
subiram. Mas agora as taxas estão em patamar de queda, e além disso
há o fator Argentina que aumenta o risco da situação”, complementa.
De acordo com o diretor de institucionais do BMC, Carlos Alberto Moreira,
as aplicações pré-fixadas representavam um risco pequeno para quem as
fez em meados de março pensando nos próximos 60 ou 90 dias. “Agora,
a rentabilidade dos fundos DI, renda fixa ou pré-fixados tendem a ter
poucas diferenciações”, complementa.