Edição 53
CSN faz agressiva distribuição de dividendos no início do ano e CBS recebe
R$ 17 milhões
A fundação CBS, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), acabou se
beneficiando do volume de ações que possui de sua patrocinadora,
correspondente a cerca de 35% do seu patrimônio de R$ 400 milhões. No
início do ano a fundação faturou R$ 17 milhões em dividendos da CSN,
uma das empresas mais agressivas na distribuição de lucros no exercício
de 98.
Com um lucro líquido de R$ 464,4 milhões no ano passado, a CSN
distribuiu 56% desse resultado aos seus acionistas. A parte que coube à
fundação representou um lucro de 18% no ano, levando-se em
consideração o preço da ação no início de março, de R$ 18 o lote de mil,
calcula o diretor financeiro da entidade, Luís Perdigão. “Poucas
companhias tratam o acionista com essa qualidade”, acrescenta.
Os ganhos com as ações da CSN amenizaram as perdas com o resto da
carteira de ações, por causa da crise russa. Essa carteira, basicamente de
cotas de fundos de ações, fechou o ano valendo 30% menos que em 97.
Hoje, ela representa 20% do patrimônio da entidade. “As ações da CSN
também caíram um pouco, mas a primeira linha sempre sofre mais nas
crises”, acrescenta.
Somando-se o resultado das aplicações de renda fixa, que representam
27% do portfólio da fundação, a rentabilidade do plano, que é de
contribuição definida, foi de 5% no ano passado. O restante dos
investimentos da CBS está investido em outros ativos, entre os quais
imóveis.
O impacto positivo da política de dividendos da CSN sobre o mercado pode
ainda ajudar a fundação em seu programa de enquadramento das ações
da empresa aos limites legais. Pela lei, as fundações podem ter, no
máximo, 5% do patrimônio investido num só papel, e a CBS tem 35%.
Mas, de acordo com Perdigão, “a fundação está adiantada no cronograma
de enquadramento”, disse, sem dar maiores informações sobre os prazos.
A fundação vem se desfazendo das ações da patrocinadora desde 97,
quando tinha cerca de R$ 300 milhões aplicados nesse ativo. Mas um
conjunto de operações de venda de ações e integralização de cotas de
fundos com essas ações, além da desvalorização das mesmas nas bolsas,
com as crises, já cortou essa soma pela metade.
Os bons resultados de 98, entretanto, podem não se repetir em 99. Para
o diretor financeiro da CBS, “certamente esse ano será mais difícil, e
haverá impactos sobre a carteira como um todo”.