Faelba terceiriza carteira de renda fixa

Edição 52

Terceirização será de R$ 180 milhões

O novo plano de contribuição definida da Faelba está levando a mudanças
na gestão dos investimentos da fundação. A principal mudança refere-se à
terceirização da carteira de renda fixa, avaliada atualmente em R$ 180
milhões, que será repartida entre 12 ou 15 gestores. A redução da carteira
de renda variável da fundação, de 28% no início de funcionamento do
novo plano em outubro do ano passado, para 15% atualmente é outro
componente dessa mudança.
A contratação de administradores externos, iniciado em novembro do ano
passado, encontra-se atualmente na fase final de definição. Os seis
gestores que já acertaram com a Faelba são os seguintes: Matrix,
Patrimônio, CCF Brain, Icatu, Real e BMG. Com os outros, ainda falta
acertar pequenos detalhes referentes à assinatura de contrato ou
constituição do fundo exclusivo, explica Hernani Velloso, diretor financeiro
da Faelba. Cada administrador está recebendo um volume de recursos
que pode variar entre R$ 10 milhões a R$ 15 milhões.
A maior parte dos gestores foi escolhida por desempenho, a partir de
análises de performance de investimentos feitas pela Faelba. A fundação
já investia em fundos mútuos de diversos administradores, e os que
vinham apresentando melhores performances foram selecionados.
A terceirização da gestão pretende liberar a área financeira da fundação
da operação do dia-a-dia da carteira de renda fixa. Com a contratação dos
gestores, o fundo de pensão assume o papel de avaliador de
desempenho, podendo estabelecer comparações entre os desempenhos
das instituições. “Agora, irá sobrar mais tempo para fiscalizar e
acompanhar a performance dos investimentos”, diz Velloso.
Do total de fundos exclusivos, a fundação está escolhendo dois ou três
que irão adotar um perfil mais agressivo em comparação com os demais.
O lastro básico de todos os fundos será formado por títulos do governo
federal, e os mais agressivos poderão contar com um nível moderado de
alavancagem com derivativos. “Os perfis dos fundos exclusivos serão
diversificados, mas nenhum deles poderá apresentar altos níveis de
exposição a riscos”, comenta o diretor financeiro da Faelba.

Ações e imóveis – A carteira de renda variável da Faelba encontrava-se no
patamar de 40% do patrimônio antes da crise da Ásia, em outubro de 97.
Antes das primeiras quedas das bolsas naquela época, a fundação já
havia vendido uma parte das ações e, com isso, conseguiu acumular
resultados positivos naquele ano.
No início de 98, a carteira de ações representava pouco mais de 20% dos
ativos da fundação. No primeiro semestre do ano passado, os preços das
ações foram subindo gradualmente até a crise da Rússia, o que
possibilitou ao fundo de pensão a redução da exposição em renda
variável. Um grupo de ações foi vendido e o que ficou na carteira sofreu a
desvalorização imposta pela nova crise.
O resultado é que a fundação chegou no momento de migração do plano
de benefício definido para o de contribuição definida com apenas 15% do
patrimônio investido em ações. “Pretendemos manter o tamanho da
carteira de renda variável entre 15% e 20% neste primeiro semestre”,
afirma Hernani Velloso.
Quanto à carteira de imóveis, atualmente não há nenhuma perspectiva de
movimentação. A carteira representa 10% do patrimônio da fundação e
não há interesse em investir em novos projetos imobiliários. A venda de
imóveis também está descartado no momento devido às condições
desfavoráveis do mercado, pois os preços não estão atraentes.