Fundos compram menos

Edição 50

A aquisição de escritórios por parte das fundações caiu em 1998,
comparado a 1997, de acordo com pesquisa do mercado imobiliário
realizada pela consultoria CB Richard Ellis

A aquisição de escritórios por parte das fundações caiu em 1998,
comparado a 1997, de acordo com pesquisa do mercado imobiliário
realizada pela consultoria CB Richard Ellis. Segundo a pesquisa, os fundos
de pensão compraram entre 30 mil e 40 mil metros quadrados do total de
100 mil metros quadrados negociados na cidade de São Paulo durante o
ano de 1998. Em 1997, o volume negociado de escritórios atingiu a marca
de 120 mil metros quadrados, dos quais 45 mil metros quadrados foram
adquiridos por fundações.
“As fundações têm sido responsáveis por 50% a 60% das aquisições do
mercado de escritórios”, afirma o consultor de investimentos da CB
Richard Ellis, Martin Andrés Jaco. “No ano passado, com a alta
rentabilidade das aplicações em renda fixa e a queda das bolsas, os
negócios do setor imobiliário ficaram prejudicados”. A pesquisa da CB
Richard Ellis abrange os seguintes pólos de escritórios de São Paulo:
região da Paulista, Jardins, Centro, Marginal e outros.
De acordo com analistas de mercado, a Previ (fundo de pensão do Banco
do Brasil) deve ser a responsável pela maioria dos negócios imobiliários
envolvendo empreendimentos de alto padrão. “O mercado está
apontando que a Previ entrou como investidora no empreendimento
America Business Park, complexo formado por seis prédios, na Marginal
Pinheiros, na zona sul da cidade”, diz uma fonte do mercado. Segundo
essa fonte, o negócio envolveria dois prédios, com área construída entre
10 mil e 12 mil metros quadrados, no valor de R$ 28 milhões.
Dentre as outras aquisições que se atribui à Previ, mas que ainda não
foram confirmadas pelo seu conselho consultivo, constam o total de 11
andares da Torre Oeste (edifício que compõe o complexo Centro
Empresarial Nações Unidas), também localizado na Marginal Pinheiros, e
duas torres comerciais que somam 12 mil metros quadrados, no bairro
Água Branca, região central de São Paulo. Segundo a mesma fonte, os 11
andares da Torre Oeste teriam sido adquiridos por cerca de R$ 80
milhões.

Locação – O levantamento da CB Richard Ellis apontou que a demanda de
espaços para locação continua aquecida, mantendo a média dos anos
anteriores. Em 1998 foram locados um total de 270 mil metros quadrados
de escritórios. “O número está abaixo de 1997, quando a locação de
escritórios foi recorde, com um total de 300 mil metros quadrados. Mas
podemos considerar que está sendo mantida a média de anos
anteriores”, considera o consultor da CB Richard Ellis.
Na análise da CB Richard Ellis, os negócios no mercado de escritórios para
este ano vão depender dos rumos da economia, como queda de juros e
estabilidade da moeda. O analista da CB Richard Ellis descarta que possa
ocorrer uma retomada do dólar como coeficiente de correção do metro
quadrado, como ocorria nos anos de inflação. “Os preços podem ter
alterações até atingir uma média, que deve ser abaixo do custo do dólar e
um pouco acima do que está hoje. Os valores de locação caíram muito em
relação a valorização do dólar”, compara.
As projeções para 1999, de acordo com o consultor da CB Richard Ellis,
apontam para aquecimento nos negócios com escritórios, principalmente
no mercado de alto padrão, que é o grande alvo de empresas
estrangeiras. “Há empresas que planejaram se instalar no País e precisam
honrar seus compromissos no mercado. A demanda deste ano deverá ser
similar a de 1998”, prevê.