Participantes ativos são minoria em 12 fundações

Edição 42

O grupo de fundos de pensão em que a quantidade de participantes
assistidos – aposentados e pensionistas – supera a de ativos triplicou no
último ano, saltando de 4 para 12

O grupo de fundos de pensão em que a quantidade de participantes
assistidos – aposentados e pensionistas – supera a de ativos triplicou no
último ano, saltando de 4 para 12. Fundações de grande porte como a
Petros (Petrobrás), Valia (Vale do Rio Doce) e a Refer (Rede Ferroviária
Federal e Metrô do Rio de Janeiro) ingressaram neste grupo nos últimos
meses e mais uma dezena está prestes a contar com uma quantidade
predominante de assistidos.
O fenômeno seria visto com naturalidade pelos dirigentes dos fundos de
pensão, não fosse a grande velocidade em que a “balança” começa a
pender para o lado do pagamento dos benefícios. “Em menos de um ano
tivemos que enfrentar a duplicação do número de aposentados, enquanto
as demissões incentivadas reduziram severamente o quadro de
participantes da fundação”, ilustra Marcus Guilherme de Freitas, gerente
de investimentos da Crediprev.
A maioria das fundações que hoje estão nessa situação vem enfrentando
o problema da diminuição brusca do número de participantes ativos,
provocado muitas vezes pela privatização da patrocinadora, como é o
caso, por exemplo, da CBS (Companhia Siderúrgica Nacional), Brasiletros
(Companhia Energética do Rio de Janeiro) e Previrb (Instituto de
Resseguros do Brasil) dentre outras (veja quadro).
Normalmente, os programas de demissões incentivadas acaba
promovendo a redução drástica do quadro de profissionais das empresas
privatizadas, sem que haja uma reposição posterior de funcionários. Ao
mesmo tempo, o volume de assistidos passa por um crescimento rápido
devido à corrida pelas aposentadorias provocada pelas incertezas da
Reforma da Previdência.

Transferência – No caso da Crediprev, em especial, além do aumento do
número de requerimentos de aposentadoria, a fundação recebeu o
ingresso de um grupo de mais de 2000 assistidos que eram pagos pelo
banco. São funcionários que se aposentaram pelo Credireal antes da
constituição do fundo de pensão em 1977. Com a venda da empresa,
houve a transferência desses aposentados para a fundação junto com
uma reserva matemática capaz de cobrir os pagamentos dos benefícios.
Para as fundações em que a quantidade de aposentados e pensionistas é
maior que a de participantes ativos, existem algumas práticas comuns em
relação às estratégias de investimentos. A administração dos recursos
precisa atender os compromissos gerados pelo fluxo previdencial
negativo, no qual, as saídas superam as entradas. Por isso, a área de
investimentos do fundo de pensão acaba privilegiando aplicações mais
líquidas, predominantemente de renda fixa, ao mesmo tempo que
procura promover a redução gradual das carteiras de imóveis e de
ações. “Nos últimos dois anos vendemos cerca de 40% de nossas ações e
estamos implementando um programa rigoroso de redução da carteira de
imóveis”, diz Luiz Fernando Perdigão de Oliveira, diretor financeiro da CBS.
Mesmo com essa significativa redução da carteira de renda variável, a
fundação ainda apresenta um nível alto de concentração em ações.
Segundo os dados do fechamento de julho, a CBS detinha
aproximadamente 40% do patrimônio aplicado em ações. O maior
problema do fundo é a excessiva quantidade de papéis da patrocinadora
que representa mais da metade da carteira de renda variável. Por isso, a
fundação foi obrigada a cumprir um programa da Secretaria de Previdência
Complementar para resolver o problema do enquadramento de mais de
5% do patrimônio em ações de uma única empresa.
Contudo, com as perdas acumuladas nas bolsas nas últimas semanas, a
CBS e quase todas as fundações, tiveram que paralisar o processo de
venda de parte da carteira de renda variável. Os preços ficaram muito
depreciados e qualquer alienação de ações representaria prejuízo neste
momento.
Em relação à carteira de imóveis, a prática mais comum das fundações
que apresentam grande volume de saída de recursos para pagar os
benefícios é a seguinte: vender o máximo possível e não comprar
nada. “Os projetos de investimentos em imóveis que chegam na fundação
não são sequer analisados porque não podemos mais imobilizar nossos
recursos”, diz Marcus Guilherme de Freitas, da Crediprev.
Desta forma, todos os recursos que são obtidos através da redução das
carteiras de ações e de imóveis acabam migrando para a renda fixa, que
é a forma mais eficaz para manter o alto nível de liquidez. A Crediprev,
por exemplo, concentra cerca de 70% dos investimentos em renda fixa, o
que permite, além de receber a rentabilidade atraente das taxas de juros,
cobrir com tranqüilidade todas as necessidades de caixa da fundação.
Freitas revela que neste momento a entidade está priorizando as
aplicações em fundos DI de 60 dias pós-fixados.