Latinvest cresce apostando no mercado brasileiro de ações

Edição 41

A Latinvest Asset Management, a administradora de recursos mais focada
em renda variável, é um dos casos em que o foco deriva de uma opção
clara pela especialização

A Latinvest Asset Management, a administradora de recursos mais focada
em renda variável, é um dos casos em que o foco deriva de uma opção
clara pela especialização. Desde sua fundação, em 1977, procurava
conquistar seu espaço extraindo lucros das bolsas latino-americanas,
inicialmente para investidores estrangeiros interessados na região.
“Já naquela época percebemos que as reformas políticas e econômicas na
América Latina levariam a ganhos substanciais para os investidores. E
esses ganhos viriam das bolsas”, conta Márcio Galvão, diretor comercial da
empresa.
A aposta da Latinvest mostrou-se acertada e, por isso, em meados da
década de 90 a administradora achou que poderia repetir a dose com
investidores brasileiros. O Latinvest Fund, o produto mais antigo da
administradora, teve uma valorização média anual de 40,2% entre 1987 e
1997. No mesmo período, o IFC-Latin America (índice para a América
Latina da IFC, o braço financeiro do Banco Mundial), teve um retorno
médio de 26,1% ao ano.
Em 94 foi criada a Latinvest Asset Management Brasil. O crescimento do
mercado brasileiro era promissor e as ações brasileiras já representavam
a maior parcela de investimentos da Latinvest. Hoje, respondem por cerca
de 80% do portfólio, e os outros 20% estão distribuídos entre México,
Argentina, Chile, Colômbia e Venezuela.
Mas foi só em 97 que a administradora decidiu entrar de vez no mercado,
devido ao impulso no volume de investimentos dos investidores
institucionais. “O crescimento da previdência privada como um todo, e as
mudanças dos planos dos fundos de pensão de benefício para
contribuição definida fez com que os investidores institucionais
procurassem os administradores profissionais para gerar valor agregado à
sua administração própria”, explica.
Para ele, isso se deve ao fato de que nos planos de contribuição definida
os participantes cobram muito mais das fundações do que nos de
benefício definido, nos quais o valor do benefício não depende dos
investimentos.
Ainda segundo Galvão, essa tendência estaria levando fundações, e
mesmo seguradoras, a procurar gestores especializados por tipo de
aplicação (renda fixa, variável, derivativos), e também por tipo de
administração (ativa e passiva). “Esse é um mercado que vem se
profissionalizando e deve manter a tendência nos próximos anos”,
acrescenta.
Entretanto, até 30 de junho, a Latinvest ainda não tinha conquistado
nenhum cliente institucional no Brasil. Os R$ 997,9 milhões em recursos
de fundos de pensão que administra (é a segunda mais focada nesse tipo
de investidor, segundo o ranking) são de fundações estrangeiras.
As conquistas institucionais no mercado local, por enquanto, se resumem
a uma carteira do Instituto de Resseguros do Brasil, o IRB. Mas, para
Galvão, é apenas uma questão de tempo. “Já temos alguns negócios
próximos de serem fechados”, garante.
Um deles é um fundo de private equity de R$ 200 milhões, que será
administrado em parceria com o banco FonteCindam. A Latinvest negocia,
ainda, a administração de carteiras de renda variável de bancos de médio
porte.