Estratégia do BMG é focar sua atuação nos institucionais

Edição 41

Uma opção feita há mais de 20 anos levou o BMG a ser o administrador
mais focado do país na gestão de recursos de fundos de pensão

Uma opção feita há mais de 20 anos levou o BMG a ser o administrador
mais focado do país na gestão de recursos de fundos de pensão. Naquela
época, o banco decidiu que a atuação nesse segmento seria a maneira de
fixar seu nome no mercado, conta Bruno Amadei Jr., diretor de produtos e
desenvolvimento. “O nosso foco em fundos de pensão foi pensado desde
o princípio”, complementa.
O BMG tinha, até 30 de junho último, R$ 426,4 milhões em ativos de
fundações, que representam 85,6% dos recursos sob sua administração.
No início da década de 70, o relacionamento com os investidores
institucionais era feito pela corretora BMG, que se especializou nesse
segmento. Depois, nos anos 80, o banco estruturou uma área de
investidores institucionais e, a partir de 1994, criou a área de gestão de
recursos de terceiros. Em janeiro de 1998 foi criada uma empresa
independente de gestão de recursos, a BMG Asset Management.
Essa empresa iniciou suas atividades com R$ 582 milhões em recursos de
fundações. Mas, logo de cara, teve que enfrentar o problema da tributação
dos fundos de renda fixa e a turbulência na Ásia, e seu patrimônio caiu.
Segundo o diretor de gestão da BMG Asset, Luiz Carlos Caser, as perdas
totalizaram 14% no primeiro semestre deste ano. Só na renda fixa, houve
um decréscimo de 28% nos volumes administrados, de R$ 154 milhões
para R$ 110 milhões. “A indústria como um todo perdeu muito com o
problema da tributação, que levou as fundações a investir diretamente
nos papéis”, acrescenta. “A queda do Ibovespa, de cerca de 5% no
período também contribuiu para as perdas, porém em menor escala”.
Apesar da má performance do Ibovespa, os fundos do BMG se saíram
bem, garante Caser. De acordo com ele, um deles teve valorização de
15,4%, basicamente devido a posições fortes na segunda e terceira linha.
Um segundo fundo exclusivo conseguiu 2,2% de rentabilidade.
Os outros fundos, na sua maioria, perderam menos do que o Ibovespa,
informa Caser. “O que diferencia a performance de um fundo do outro é
basicamente a estratégia que o cliente monta, o que ele quer daquela
carteira”, explica.

Desfavorável – A gestão de recursos de renda variável é outra das
especialidades da BMG. Cerca de 80% do que administra para as
fundações está aplicado em ações. No entanto, o primeiro semestre não
foi favorável para os negócios nesse segmento. “Muitas carteiras que
estávamos esperando foram congeladas”, lamenta o diretor da BMG.
Basicamente, os investidores preferiram se desfazer das ações e entrar na
renda fixa, ou esperar mais um pouco para terceirizar a carteira.
Uns poucos levaram o processo de formar novas carteiras adiante. A
Previminas é um dos exemplos. No final de junho contratou quatro
gestores, entre os quais o BMG, para conseguir Ibovespa mais 2% para
sua carteira. Cada um deles está gerindo cerca de R$ 12,5 milhões (ver
edição nº 38 de Investidor Institucional).
Por outro lado os saques dos fundos de renda variável também foram
poucos. Segundo Caser, alcançaram R$ 15 milhões, sendo que R$ 12
milhões estavam numa só carteira, que foi extinta.
Para ele, o comportamento do investidor brasileiro em relação às bolsas é
ainda muito tímido, de um modo geral. “Lá fora, o momento de comprar é
quando as bolsas estão lá embaixo. Agora, por exemplo, com a queda do
Ibovespa, deveria ocorrer um movimento forte de compras, mas isso não
está acontecendo. Os investidores ainda têm medo da bolsa em baixa”.