Edição 40
A Fundação IBM está preparando uma reestruturação de seu plano de
benefícios, que trará uma série de novidades em relação à administração
dos recursos dos participantes
A Fundação IBM está preparando uma reestruturação de seu plano de
benefícios, que trará uma série de novidades em relação à administração
dos recursos dos participantes. A principal inovação, que representa um
fato inédito entre os fundos de pensão brasileiros, é a elaboração de uma
carteira passiva para a renda variável baseada no índice MSCI – índice do
Morgan Stanley Capital.
A fundação também está criando outra carteira indexada que terá a meta
de reproduzir o Ibovespa – índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Outra
modificação prevista é a possibilidade dos participantes escolherem o
perfil dos investimentos de sua reserva, mas só para aqueles que
migrarem para o novo plano de contribuição definida, que será implantado
em outubro próximo (leia matéria na pág. 6).
A carteira indexada ao índice MSCI será utilizada para administrar os
recursos de renda variável do plano de benefício definido, que terá como
participantes aqueles que não decidirem pela migração. A gestão da
carteira está sendo disputada por dois administradores que já trabalham
com a Fundação IBM, que são o Unibanco Asset Management e o Chase.
A escolha do MSCI, que teve influência decisiva da empresa Barra que
presta consultoria à Fundação IBM, foi motivada pelo fato do índice ser
construído por uma instituição financeira reconhecida internacionalmente.
Como quem assume os riscos do plano BD é a patrocinadora que, neste
caso, é uma empresa multinacional, houve a preferência pela adoção de
um índice mais global que tem presença nos principais mercados de
capitais do mundo, explica Marcelo Mancini, analista financeiro da
Fundação IBM.
Por outro lado, os recursos da renda variável do novo plano CD serão
alocados em uma carteira indexada ao Ibovespa. Neste caso, quem
assume o risco das aplicações são os próprios participantes e, por isso, é
necessário utilizar um índice mais conhecido do público local. “Apesar dos
problemas de construção do Ibovespa, decidimos utilizá-lo na
administração passiva para facilitar o entendimento e a apresentação dos
resultados de rentabilidade aos participantes”, diz Mancini.
Concentração – O maior problema do índice da Bolsa de Valores de São
Paulo é a alta concentração em determinados papéis, devido ao critério
adotado de priorizar a liquidez das ações. Como os fundos de pensão
enfrentam restrições de limites de concentração em alguns papéis, a
reprodução do Ibovespa pode criar uma situação inviável para a
composição da carteira indexada.
O índice do Morgan Stanley não apresenta o problema da excessiva
concentração em determinadas ações, porque ao invés de considerar a
liquidez considera o valor de mercado da empresa como critério mais
importante. Por isso, o índice é construído com a composição de 60 ações,
que representam aproximadamente 55% do valor do mercado acionário
do país. O MSCI Brasil é calculado desde 1988 e possui também a
vantagem, em relação a outros índices produzidos nacionalmente, de
eliminar a contagem dupla das ações de empresas que têm os mesmos
controladores, explica Giovanni Graham Zoli, diretor executivo do Morgan
Stanley do Brasil.
Mas os analistas de mercado afirmam que não existe um benchmark ideal
e, por isso, todos apresentam algum tipo de defeito. Uma das críticas
dirigidas ao MSCI é justamente a inclusão de papéis com pouca liquidez
no índice. Como a liquidez do mercado de capitais brasileiro está
extremamente concentrada em um grupo restrito de ações, o índice do
Morgan Stanley acaba incluindo papéis que apresentam dificuldade de
negociação em bolsa.
Outro problema é o período muito dilatado que se adota para atualizar
esse índice, apenas a cada 18 meses. “Às vezes há necessidade de se
realizar um ajuste em um período mais curto de tempo do que um ano e
meio, e o MSCI acaba não contemplando isso”, aponta Luiz Felipe
Pinheiro de Andrade, diretor de pesquisa quantitativa do Unibanco Asset
Management.
Administração passiva – Segundo Zoli, muitos fundos de pensão já
começam a perceber as vantagens de criar carteiras que utilizem
estratégias de gestão passiva. Em primeiro lugar, as taxas de
administração são mais baixas em comparação com as carteiras que são
administradas ativamente. “As carteiras indexadas não requerem gastos
com pesquisa e utilização de instrumentos mais sofisticados de alocação
de ativos e, por isso, o custo fica reduzido ao trabalho meramente
operacional”, diz ele.
Outra vantagem, ainda de acordo com ele, é a facilidade de prestar contas
aos participantes ou para a patrocinadora na questão da performance dos
administradores. É que a fundação não será questionada quanto à escolha
do gestor, que tem a missão de apenas perseguir o índice escolhido e não
de conseguir um resultado acima do que foi estipulado
previamente. “Apesar de não eliminar o risco dos investimentos, a
administração passiva permite uma avaliação mais clara do desempenho
do gestor”, explica Pinheiro de Andrade do Unibanco.