Edição 39
Negócios entre fundos de pensão e empresas de seguros são cada vez
mais freqüentes
Negócios entre fundos de pensão e empresas de seguros são cada vez
mais freqüentes. A principal tendência que está tomando corpo é a
terceirização do pagamento dos benefícios de morte e invalidez, mas
podem surgir em breve outras modalidades de acordos, como por
exemplo, a transferência da renda vitalícia do aposentado. A Telos partiu
na frente e terceirizou alguns benefícios com a Generali e muitas outras
fundações estão trilhando na mesma direção. “Os fundos de pensão estão
percebendo a necessidade de centralizar o foco de atuação na
aposentadoria e, por isso, estão procurando as seguradoras para repassar
os benefícios de risco”, diz Luiz Carlos Junqueira Ferreira, diretor de
seguridade da Telos.
A maioria das seguradoras vem registrando o aumento da procura por
parte das fundações. A CCF Brasil Seguros já concretizou quatro acordos
com entidades fechadas no primeiro semestre deste ano e tenta viabilizar
outros quatro planos. A seguradora é a primeira do mercado a lançar um
produto específico para os fundos de pensão, o CCF Vie
Fundações. “Percebendo o aumento da procura dos fundos, decidimos
montar uma estrutura de trabalho exclusiva para este tipo de cliente”, diz
Alberto Fernandes, diretor da empresa. O novo sistema inclui a utilização
de um software que ajuda na cotação dos custos em relação aos
benefícios para grupos de participantes.
No caso do CCF, o repasse do seguro de vida e invalidez pode representar
uma redução dos custos em média de 1% a 2% do valor das
contribuições, podendo chegar em alguns casos especiais a até 2,5%. Ou
seja, se as contribuições da patrocinadora e do funcionário somam, por
exemplo, 15% do valor do salário, a terceirização dos benefícios de risco
pode reduzir essa porcentagem para até 12,5%. Essa economia é possível
graças a diluição da carteira de participantes que, no caso de uma
seguradora, apresenta nível menor da quantidade de sinistros – ocorrência
da morte ou invalidez do segurado.
Outra que também aponta o aumento do interesse das fundações neste
tipo de negócio é a Sul América Seguros. Desde o final do ano passado
até agora, a empresa já realizou 15 estudos de avaliação atuarial, tendo
aprovado dois convênios. “Para os fundos de pensão que lidam com um
grupo reduzido de participantes, o custo dos benefícios de risco podem se
mostrar muito altos”, diz Hosannah Santos, diretor da divisão técnica e
previdência grupal da Sul América.
A Telos, o fundo de pensão dos funcionários da Embratel, é uma das
primeiras fundações a realizar a terceirização dos seguros de vida para
seus participantes. A fundação fechou dois convênios com a empresa
Generali em março último em substituição aos antigos benefícios de
pecúlio por morte e assistência a funeral. A seguradora oferece as opções
de seguros de vida e pós-vida aos participantes da fundação.
No caso do seguro de vida, a Generali recebeu a adesão de 1.196
assistidos, que decidiram transferir as reservas de suas contribuições ao
invés de resgatá-las no momento da aposentadoria – opção que ainda
continua vigorando. “A redução dos custos para Telos, decorrente da
terceirização do benefício de morte, foi de aproximadamente 50%”,
ressalta o diretor da fundação.
No seguro pós-vida, outra inovação da Telos, o custo para a fundação
acabou aumentando porque o serviço acaba saindo gratuito para o
participante. Antes da mudança, o fundo emprestava um valor de até R$
700 para cobrir as despesas de funeral. O participante podia pagar a
dívida em até dez meses sem correção. Agora, o seguro fornece uma
bolsa de R$ 2 mil que inclui vários serviços como despachante e traslado
do corpo de locais distantes. A adesão ao seguro foi automática e, por
isso, todos os 13097 participantes da Telos têm direito ao benefício.
A fundação estuda ainda a realização de um seguro imobiliário nos casos
de financiamento de casas, apartamentos e terrenos. Em situação de
falecimento do participante, o imóvel ficaria quitado para seus
dependentes.