Edição 226
Funcef e Petros aderiram ao Fundo de Investimentos em Participações (FIP) que acertou, em abril, a compra do controle da antiga marca de eletroeletrônicos Gradiente. Gerido pelo Bradesco, o FIP conta ainda como sócios com a Agência de Fomento do Estado do Amazonas e a americana Jabil, também fabricante de eletroeletrônicos. Pelo acordo, cada investidor está direcionando um aporte de R$ 17 milhões, cuja soma assumirá 60% do capital da empresa criada com a operação, a CBTD (Companhia Brasileira de Tecnologia Digital). Os 40% restantes ficarão nas mãos da família Staub, fundadora da Gradiente.
Demósthenes Marques, diretor de investimentos da Funcef, considera a operação como uma oportunidade de diversificação da entidade no private equity. “Fizemos um investimento com um preço interessante de entrada e que se enquadra em uma das diretrizes de atuação no private equity adotada pela Funcef para os próximos três anos”, argumenta ele, ao referir-se à estratégia de investir em negócios relacionados ao tema “crescimento interno brasileiro”. “No auge da Gradiente, jamais poderíamos participar com o montante que vamos entrar agora”, acrescenta.
De acordo com Marques, a decisão da Funcef em estrear no ramo eletroeletrônico leva em conta tanto o histórico da marca quanto o que ele julga como capacidade da Gradiente em desenvolver produtos em que o brasileiro se identifica. “A empresa sempre demonstrou ter uma boa capacidade operacional. O problema foi unicamente financeiro, provocado por uma aquisição [da Philco] feita em momento equivocado e em que a empresa não conseguiu equacionar seu endividamento para concluir essa aquisição”, analisa Marques, ao apontar o reinício do negócio como principal risco da operação. “Se a operação da nova empresa for apenas regular, a nossa rentabilidade prevista já será boa”, garante. A fábrica de áudio e vídeo da Gradiente, em Manaus (AM), está paralisada desde 2007.