Cresce a participação dos fundos de investimento nas empresas

Edição 22

Um novo tipo de comprador está começando a ganhar relevância no
cenário das fusões e aquisições brasileiras

Um novo tipo de comprador está começando a ganhar relevância no
cenário das fusões e aquisições brasileiras: os fundos de investimento. Ao
contrário do comprador tradicional, que adquiria uma empresa do seu
setor para eliminar um concorrente, ou de um segmento diferente para
diversificar posições, os fundos investem interessados unicamente na
rentabilidade do negócio.
Eles não estão interessados na operação em si, seja para consolidar
posições na área ou diversificar setores. Estão interessados na
rentabilidade das ações da companhia ou na revenda da empresa mais à
frente, por um preço superior ao da compra. “Uma coisa que estamos
observando é o assédio crescente dos fundos de investimento sobre as
empresas brasileiras”, afirma o sócio-diretor da consultoria Ernst Young,
Luiz Carlos Passetti.
Segundo ele, os fundos de investimento “são mais rápidos na tomada das
decisões, compram participações minoritárias e não pedem assento no
Conselho Administrativo”. O universo das empresas nas quais os fundos
de investimento tem maior interesse, de acordo com Passetti, são as que
estão na média de faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões.
“Estamos trabalhando para inúmeros fundos de investimento”, afirma o
sócio-diretor da Price Waterhouse, Raul Beer, especialista na área de
fusões e aquisições. De acordo com ele, “a indústria de fundos de
investimento está começando a competir com os fundos de pensão nas
aquisições de empresas”.
Em um relatório especial sobre fusões e aquisições no Brasil, a Price
analisa que “a participação cada vez mais forte dos fundos de pensão,
fundos de ações de investidores privados e outros investidores financeiros,
está se tornando uma alternativa para viabilizar necessidades de
capitalização de médio prazo e planos agressivos de investimentos”.
Ainda no mesmo relatório, a consultoria afirma que “os compradores
financeiros, que hoje já são uma realidade também no Brasil, são
normalmente investidores profissionais e/ou institucionais, buscando
posições relevantes, porém normalmente temporárias, em empresas
lucrativas”.
Mas nem o diretor da Ernst Young nem o da Price Waterhouse possuem
números sobre a participação desse novo comprador. “Ainda é uma
participação nova, não foi quantificada”, explica Beer.
Os levantamentos da Ernst Young indicam que, nos primeiros sete meses
deste ano, foram concluídos 185 processos de fusões e aquisições,
representando um crescimento de cerca de 60% em relação ao mesmo
período do ano passado (ver quadro). Dos negócios de fusões e
aquisições deste ano, cerca de 70% envolveram empresas estrangeiras.
Estudo realizado pela consultoria indica que o setor financeiro realizou 17
transações (entre fusões e aquisições) nos primeiro sete meses do ano.
Das 250 instituições financeiras que o Brasil possui, devem ficar entre 100
e 150, após a conclusão dos processos de fusões e aquisições, destaca
Passetti. Ainda de acordo com ele, o processo de reestruturação dos
grandes bancos está praticamente concluído, agora será a vez dos bancos
de atacado.

Outros setores – Outro segmento que tem registrado muitos processos de
fusões e aquisições é o de alimentos. Foram registradas 19 transações
até setembro último, mas “ainda há muito para mudar”, avalia Passetti.
Segundo ele, a Tysson Foods (que atua no ramo de carnes nos EUA) está
se movimentando no Brasil, assim como a Cragnotti & Partners (em torno
da Chapecó).
No setor químico e petroquímico aconteceram 17 transações até setembro
e outras devem acontecer a partir do acordo Petrobrás/Odebrecht, para
investir no polo de Paulínia. O estudo avalia que, com a privatização dos
setores elétrico e de telecomunicações, as fusões e aquisições nesses
setores tendem a crescer a partir do final deste ano.
Para Passetti, “os fundos de investimento estão vindo com sede, porque
eles não têm muitas alternativas para investir o dinheiro. A Europa
Oriental, que parecia uma alternativa boa há 5 anos, fracassou. A Ásia
tem se mostrado uma economia frágil. Os países desenvolvidos
apresentam uma rentabilidade baixa. Restam, na América Latina, o
México e o Brasil, além da China, que é um caso à parte”, afirma.