Edição 214
Desde a publicação da resolução número 3.792 do Conselho Monetário Nacional (CMN), em outubro do ano passado, os fundos de pensão contam com um limite de 10% para fazer aplicações fora do Brasil. De lá para cá, o que mais se tem ouvido é que as entidades fechadas de previdência complementar não têm interesse em investir lá fora, uma vez que o mercado brasileiro apresenta infindáveis alternativas para se atingir um bom retorno. Parece, no entanto, que algumas fundações estão pensando um pouco melhor sobre o assunto.Esse é o caso da Volkswagen Previdência Privada (VWPP). A entidade está discutindo internamente a reunião com outras fundações para constituir um fundo que investirá em ativos no exterior. Tudo ainda está em fase de estudos e nada foi aprovado ainda, como faz questão de frisar Luiz Paulo Brasizza, diretor de investimentos da fundação. Mas onde há fumaça…De acordo com Brasizza, a entidade considera mais interessante se unir a outros fundos de pensão e montar um fundo do que adquirir cotas de um produto de prateleira, já estruturado. “Queremos poder direcionar mais as aplicações do fundo para ativos que correspondem ao nosso interesse”, explica o diretor. Ele acrescenta que já se percebeu que “existe uma predisposição” de algumas fundações em começar a realizar investimentos além das fronteiras do Brasil. Brasizza reforça, porém, que ainda não foi feito nenhum contato com qualquer entidade para negociar a implementação de um fundo. “Iniciamos discussões internas para aprovação posterior”, sublinha.Por questões de legislação, será necessária a adesão de pelo menos quatro fundos de pensão no total ao projeto. Isso porque a CMN 3.792 estabelece que as entidades devem observar, “considerada a soma dos recursos por ela administrados, o limite de até 25% de fundos de investimento constituídos no Brasil que tenham em sua carteira ativos classificados no segmento de investimento no exterior”. A ideia é buscar como outras cotistas do fundo entidades com perfil semelhante ao da VWPP, indica Brasizza. “São fundos de pensão patrocinados por multinacionais, que precisam atender às mesmas normas contábeis que nós e seguem o IAS 19”, detalha o diretor, se referindo a International Accounting Standard 19, regra de contabilidade estabelecida pelo International Accounting Standards Board (Iasb) e que trata de benefícios a empregados.Com os cotistas reunidos, parte-se então para a escolha de um gestor e de uma empresa que prestará assessoria à montagem e ao funcionamento do fundo. “O ideal é contratar um gestor que já tenha experiência com fundos que investem lá fora”, aponta o diretor de investimentos.Por enquanto, não se sabe quanto do patrimônio da VWPP será destinado à nova classe de ativos, e nem em que países o fundo deve fazer aplicações. “A tendência é de que o investimento lá fora seja em ações”, adianta Brasizza, para completar que as operações propriamente ditas devem ficar somente para 2011. “Este ano é mais de estudos e discussões.”
Fundos imobiliários – Para o curto prazo, o que se espera é o início das aplicações da VWPP em Fundos de Investimento Imobiliário (FII). Nesse caso, a ideia é que o fundo de pensão faça um voo solo, sem precisar se unir a outras fundações. Brasizza comenta que a entidade tem, em seu estoque de títulos privados, um volume que está vencendo e que não há como renovar. Segundo ele, não tem havido tantas emissões de dívida privada no mercado brasileiro, e acaba restando como alternativa aos fundos de pensão somente a compra de títulos no mercado secundário.Atualmente, perto de 25% do total de recursos do fundo de pensão, de R$ 1,4 bilhão, está em crédito privado.Assim como no caso do investimento no exterior, o objetivo ao se aplicar em fundos imobiliários é de trazer diversificação à carteira. “Hoje, fazemos apenas o arroz com feijão”, brinca Brasizza, ao completar que a entidade tem apenas ativos dos segmentos de renda fixa, renda variável e imóveis em seu portfólio.