Investidores buscam opções para reter ganhos | Institucionais ame...

Edição 207

Depois de escaldados pela crise financeira, cada vez mais investidores institucionais têm abraçado estratégias de opções para garantir ganhos e limitar as perdas. “Isso vem acontecendo há algum tempo, mas ultimamente há muito mais atividade”, disse Terrence Ransford, diretor de trading da Northern Trust Securities. “Os gestores de recursos estão extremamente ansiosos para mitigar um pouco da volatilidade de seus portfólios”, explica o diretor.“Quando o VIX (indicador de volatilidade da Bolsa de Opções de Chicago) estava batendo novos recordes, a oscilação era tão dramática que muitos clientes como fundações, endowments [fundos formados por doações de pessoas jurídicas e físicas a universidades e obras de caridade] e fundos de pensão interessaram-se por caminhos para gerenciar a volatilidade.” Atualmente, por não haver retornos “em lugar nenhum”, investidores estão procurando estratégias de opções para tentar obter algum alfa fora do estoque de mercado, completa Ransford. “Agora que a volatilidade está estabilizando, exercer opções tem se tornado um bom jeito de encontrar algum alfa. E muitos grandes planos de pensão e endowments estão fazendo isso”, conta Ransford, que preferiu não mencionar os nomes das fundações.Segundo agentes do mercado, a maioria dos fundos de pensão, endowments e fundações delega as estratégias de opções para gestores.Mas há algumas exceções. Os dirigentes do Fundo de Aposentadoria dos Funcionários Públicos de Indiana aprovaram, de acordo com a ata da reunião de maio do conselho, um plano que permite que a equipe de investimentos da fundação prepare US$ 500 milhões em valor nacional para opções de compra de índices de ativos domésticos, uma forma de gerenciar a posição overweight de US$ 12 bilhões em ativos do mercado doméstico que a fundação possui.
Fator custo – Uma razão que tem levado alguns investidores institucionais a hesitar em investir em opções é o custo. Usar contratos de opções para fornecer proteção custa tanto quanto comprar um seguro. Mas essa preocupação foi superada — pelo menos por enquanto — em consequência da crise financeira. “Nós usamos muito opções”, conta Kyle McClements, diretor e gestor da BlackRock. “Esse é, certamente, um negócio em expansão para nós.” De fato, quando McClements se juntou à gestora baseada em Nova York em 2005, ele era apenas um operador de derivativos. Hoje, ele é responsável pela estratégia de derivativos do grupo. “Nós transacionamos todos os tipos de derivativos: futuros, opções e swaps. Operamos em todo o mundo, em mercados desenvolvidos e emergentes, assim como large caps e small caps”, explica o gestor. A razão é simples: os clientes estão demandando esse produto. “Os clientes estão pedindo por isso por causa do aumento do foco em gerenciamento de riscos”, explica McClements.“Por exemplo, no ano passado o S&P 500 estava caindo 38,5%, mas se você estivesse caindo 35%, poderia dizer: ‘Eu tive um bom ano em bases relativas’”, explica o gestor da BlackRock. “Mas para fundos de pensão e outros tipos de clientes que têm que combinar ativos e passivos orientados por retornos absolutos isso não funciona.” Especialistas concordam que a situação do mercado financeiro forçou os institucionais a lançar um olhar mais atento para os riscos e encontrar caminhos para reforçar suas práticas de gerenciamento de risco. “Se você é um institucional e não está se protegendo nesse ambiente, coitado de você”, diz Jeromee Johnson, vice-presidente de mercados em desenvolvimento da Bolsa BATS, de Kansas City.Nos últimos cinco anos, o volume de contratos de opções tem crescido a uma taxa anual de 33%. Em agosto o volume de contratos de opções foi de 286 milhões, 9% a mais que no mesmo mês do ano passado, de acordo com dados da Bolsa de Opções de Chicago. Executivos da BATS estão esperando tirar vantagem dessa expectativa de crescimento para desenvolver uma plataforma para operar opções no próximo ano.Outras empresas também estão esperando que investidores institucionais continuem aumentando o uso de estratégias de opções e estão construindo plataformas para permitir a operação de grandes blocos de opções. “Continuamos vendo um aumento do interesse em listar execuções de estratégias de opções por parte dos institucionais”, afirma David Mortimer, diretor da Pipeline Financial Group. Por conta disso, Montimer está desenvolvendo o que a empresa está chamando de Board Bid Options Cross (BBOX), que vai ajudar os clientes institucionais a minimizar seus custos nesse tipo de operação.