Edição 200
Se por um lado a crise financeira pode inibir o surgimento de novos planos de previdência sob o guarda-chuva dos multipatrocinados, por outro a necessidade de redução de custos nas empresas pode incentivar a migração de fundos de pensão geridos internamente para uma instituição que terceiriza esses serviços. “É claro que há um efeito de deterioração do mercado em geral, mas o setor de multipatrocinados é um que pode aproveitar oportunidades com a crise. Existe uma tendência de redução de custos nas empresas, e um fundo de pensão próprio apresenta uma despesa maior do que a adesão a um multipatrocinado. A migração é uma possibilidade concreta de redução de custos operacionais”, diz André Saint Martin, diretor superintendente do IH Prev.
O IH Prev fechou cinco novos negócios de adesão ao longo de 2008, dos quais três planos já foram implantados e dois estão em fase de implantação. “Todas essas adesões devem gerar um volume adicional de R$ 290 milhões”, afirma Saint Martin. Hoje, o IH Prev conta com 28 planos, 48 patrocinadores, 23 mil participantes ativos e 2 mil assistidos, com um volume total de R$ 900 milhões. Segundo Saint Martin, o movimento continua aquecido, uma vez que nos últimos três meses o IH Prev tem participado de algo como entre 10 e 15 concorrências. “Claro que um pouco desse movimento também tem a ver com o momento de cotação, quando as empresas analisam se trocam de fornecedor ou se de repente modificam o modelo de gestão, mas muitas dessas concorrências são para valer”, afirma. Saint Martin indica que, entre os clientes do IH Prev, há tanto o caso de empresas que trocaram de multipatrocinado quanto daquelas que tinham um fundo de pensão interno e optaram pela terceirização.
Começando do zero – Apesar de ainda não sentir os efeitos da crise, Rogério Aguirre, diretor de Previdência Fechada do HSBC, afirma que aqueles planos de previdência fechada que ainda estavam sendo estudados pelas empresas podem ser suspensos enquanto a turbulência não passar. “Esse período entre o final e o início de ano já é mais parado em geral, porque as empresas estão fazendo seus balanços. Então, teoricamente, ainda não sentimos uma modificação da demanda. Mas acho que o maior efeito da crise será em iniciativas novas, que podem estar suspensas nesse momento. Também por conta de dificuldades nas matrizes, a aprovação de um plano pode ser mais complicada”, justifica.
Segundo Aguirre, o HSBC conquistou 15 adesões em 2008, entre processos que realmente entraram e aqueles encaminhados à SPC. Hoje o HSBC tem de 115 a 120 planos, 186 patrocinadores, 15 mil participantes ativos, 5 mil assistidos e um volume próximo de R$ 4 bilhões. O HSBC está participando de oito concorrências nesse momento e, segundo Aguirre, apenas uma corresponde a um plano que está começando do zero.
Custos – Um efeito que a crise poderia trazer seria a pressão dos clientes por uma redução na taxa de administração dos planos (leia mais na página 18). No entanto, Aguirre diz que tem verificado um movimento de busca por custos menores em geral entre os clientes de previdência fechada, mas nada com grande foco na taxa de administração. “Temos visto questionamentos a respeito de alteração de plano e do nível de contribuição, por exemplo, sem ferir os direitos dos participantes”, afirma.
Em relação a solicitações dos clientes por uma redução da taxa de administração, Aguirre comenta que esse é um pedido que sempre acontece, e que não se trata “de um fenômeno” de agora. “O movimento é de consultoria geral, de todas as despesas, porque a idéia é minimizar o custo total. Temos a percepção de que os clientes querem essa otimização, mas não possuímos dados que fundamentam uma corrida em busca de custos menores. O que vemos é uma ou outra demonstração de preocupação, uma ou outra análise.” Segundo Aguirre, o HSBC procura ser o mais competitivo possível. “Nós estamos sempre atentos ao mercado, mas não temos gordura para queimar. Além do mais, como atuamos em um ambiente extremamente competitivo, nenhum concorrente pratica taxas muito diferentes, porque uma empresa pode sair de um multipatrocinado e ir para outro”, aponta.
Ele cita que o HSBC realizou em 2007 uma pesquisa interna e verificou que a taxa de administração não está “entre os três ou quatro pontos” considerados mais importantes em um multipatrocinado. “Antes da taxa, que ficou lá pelo quinto lugar, estavam a solidez da instituição, a segurança e a qualidade do serviço e da informação. Claro que o preço é uma preocupação, e o cliente sabe o quanto deve pagar por um serviço.
Mas como ele pretende contar com o plano por 30 anos, a solidez da instituição é muito importante.” Saint Martin, do IH Prev, também diz estar sempre atento aos movimentos do mercado, mas indica que, no nicho em que o IH Prev se propõe a atuar, as taxas cobradas “já nascem atraentes”. “Nós trabalhamos com segmentação. Um fundo de pensão grande já tem seu custo reduzido e diluído, mas um médio tem uma escala menor do que a nossa. Claro que sempre há uma discussão sobre taxas, mas nós prestamos contas aos nossos acionistas. O preço tem que ser bom para os dois lados”, afirma. Ele diz que o conceito de terceirização da administração dos planos já surge como uma opção redutora de custos no longo prazo e que, diante da estrutura oferecida pelo IH Prev, as empresas vêem que vale a pena contratar os serviços e liberar executivos que precisavam se dividir entre o dia a dia na própria companhia e as atividades que desempenhavam no fundo de pensão.