Edição 197
Os fundos de pensão e os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) têm, estruturalmente, a cara e o perfil uns dos outros e, conjuntamente, se encontram ainda mais próximos com perspectivas de se fomentarem mutuamente. A declaração é de Luiz Guilherme Piva, diretor técnico da consultoria LCA. A empresa, prevendo o aumento da demanda dos fundos de pensão por investimentos em FIPs, também chamados de private equity, estruturou um serviço de prospecção e análise de oportunidades de investimentos nessa área. O objetivo é fornecer subsídios técnicos às fundações na eleição desses ativos para seus portfólios.
O novo produto está desenhado para as fundações de maior porte, que já são clientes da consultoria para estudos setoriais e de investimentos e também em análises macroeconômicas, entre as quais a Previ, Petros, Funcef, Ceres, Geap, Sabesprev e Fapes. A nova área da LCA pretende analisar a experiência e a qualificação dos gestores de FIPs, verificar se o investimento é compatível com o ALM da fundação, além de avaliar a qualidade e eficácia das normas e práticas de governança nos negócios.
A idéia não é substituir as equipes internas das fundações nessas análises, mas atuar como parceira qualificada. “Os Fundos de Pensão têm excelentes equipes de análise, e não se trata nunca de querer substituí- las até porque elas dominam a cultura do Fundo, assim como as prioridades, a experiência de negócios anteriores e a composição da carteira”, explica Piva. Ele conta que devido a limites orçamentários normatizados, não será possível para os fundos de pensão ampliar essas equipes toda a vez que for crescendo a demanda por novas análises de investimentos.
A LCA levanta o desempenho dos setores econômicos que podem ser alvo de interesse das fundações. O segundo passo é fazer avaliações de nível macroeconômico, incluindo demanda dos produtos, exportações e mercado interno, e o terceiro são as avaliações de nível microeconômico, incluindo concorrência, estrutura e financiamento. “Com isso, subsidiamos os fundos de pensão com informações sobre os Fips, fazendo a análise de ofertas de negócios que chegam a eles em número e em complexidade cada vez maior”, conta Piva. Até recentemente, as aplicações em renda fixa eram a melhor alternativa de investimento para as fundações. Com a redução dos juros nos últimos anos, mesmo levando-se se em conta a recente alta por conta do medo da subida da inflação, os investimentos alternativos como os FIPs tornaram-se atrativos. “Eles oferecem boas perspectivas de ganhos, principalmente em função da estabilidade e do crescimento da economia brasileira e do deslanche de vários projetos de investimentos na área de infra-estrutura”, declara Piva.
O diretor declara que nos últimos cinco anos a demanda por investimento em FIPs tem sido crescente, apesar de desigual. Ele diz que alguns fundos de pensão têm tido atuação mais agressiva, enquanto outros ainda perscrutam o mercado e muitos ainda preferem se resguardar na renda fixa.
Segundo Piva, a maior parte dos FIPs trabalha com rentabilidades mínimas reais entre 8% e 10%. “É o que o cotista requer dos gestores”, diz Piva, que também acrescenta que esse benchmark tende a cair com a redução dos juros reais – que fornecem o custo de oportunidade para a decisão do aporte.
Ainda de acordo com o diretor da consultoria, grande parte das fundações está reduzindo suas metas atuariais de 6% para 5%, devido às dificuldades de alcançar os 6% num quadro de estabilidade da economia e juros em queda. “Na prática, muitos FIPs têm dado e poderão dar retornos maiores aos Fundos do que a rentabilidade mínima, mas essa possibilidade vai se reduzir na medida em que bons negócios vão sendo disputados e realizados”, declara o diretor.