Custódia no foco de banco

Edição 195

Santander prepara expansão de sua área de custória no Brasil; instituição
fortalecerá serviços de trustee e deve estrear nos ramos de escrituração
de ações e custódia do lastro de ADRs

Na esteira do crescimento verificado nos últimos anos em seus serviços de
custódia e administração de ativos, a área de global securities (custódia
qualificada) do Santander prepara seu ingresso em outras atividades em
2009. “São os passos que faltam para que nós tenhamos, na estrutura de
custódia do Brasil, todos os serviços oferecidos globalmente”, indica
Laércio Ramos Jr, superintendente de global securities do Santander. Para
o ano que vem, estão programados o fortalecimento dos serviços de
trustee, com a conquista de novos clientes, e a estréia nos ramos de
escrituração de ações, custódia do lastro de ADRs e back office no
processamento de fundos off shore.
E as novidades não param por aí. A idéia é diversificar ainda os
segmentos de clientes atendidos pela área. “Hoje já cobrimos bem os
investidores institucionais. No ano que vem, vamos entrar também nos
nichos de private banking e family offices, além de governo e institutos de
previdência de estados e municípios, os chamados regimes próprios.
Queremos ter uma cobertura mais intensa desses segmentos”, conta
Ramos, que cita ainda o setor de corporate como uma área de interesse.
Toda esta animação tem um motivo. De acordo com o executivo, o
patrimônio líquido total dos recursos de terceiros sob custódia do
Santander passou de R$ 77,7 bilhões em dezembro de 2005 para R$ 117
bilhões em junho último. Deste bolo, R$ 106,4 bilhões referem-se aos
clientes locais, montante que supera em quase R$ 40 bilhões o volume
verificado neste segmento em dezembro de 2005 (R$ 66,6 bilhões).
Ramos conta que hoje já é possível sentir um aumento dos investimentos
de fundos de pensão, seguradoras e assets em operações mais
estruturadas, como os Fundos de Investimento em Participações (FIPs),
os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e os Fundos de
Investimento em Direito Creditório (FIDCs). “Claro que ainda são fortes as
alocações em ações e títulos públicos, além de haver ainda um volume
aplicado em derivativos principalmente com o objetivo de fazer hedge.
Mas é possível sentir uma mudança destes investidores que têm partido
em busca de ativos nos quais não estavam posicionados antes”, sinaliza.
Segundo Ramos, a área de global securities iniciou suas atividades em
FIDCs na metade de 2006 e, de cada três operações estruturadas no
segmento em 2008, uma contou com a administração ou custódia
realizada pelo Santander. “Isso mostra o quanto somos ativos em FIDCs”,
afirma o executivo. Em relação aos FIPs, Ramos indica que o Santander
se reveza entre os três maiores players do segmento de acordo com o
ranking da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para Ramos, tudo isso
é resultado de uma equação que soma investimentos em tecnologia e
pessoal, atendimento personalizado e um público-alvo bastante
definido. “No nosso target estão as 50 maiores entidades fechadas de
previdência complementar, as dez maiores seguradoras não ligadas a
bancos e as 25 maiores gestoras de recursos. Hoje temos relacionamento
com metade deste público”, aponta o executivo. Ele defende que, apesar
de o serviço de custódia ser realizado em escala, é preciso haver um alto
grau de personalização no atendimento aos clientes para que ele não se
sinta “mais um”. “Mesmo porque, se você der ao cliente a impressão de
que é um serviço de fábrica, ele começar a tratar o produto como
commodity também, o que desvaloriza a atividade”, afirma.

Novos clientes – Os fundos de pensão estão mais exigentes em relação
aos serviços prestados pelos custodiantes. Para Ramos, é com base nesta
constatação que muitas entidades vêm realizando rodadas de licitações
para selecionar e até trocar os provedores deste tipo de serviço. “Os
clientes estão buscando um melhor nível de acompanhamento dos seus
ativos”, afirma o executivo. Segundo ele, diversos fundos de pensão (e
seguradoras, em menor escala) vêm avaliando os players do mercado de
forma mais intensa. “O mercado está mais competitivo. Mas posso dizer
que, nos últimos dez processos dos quais participamos, ficamos entre os
três custodiantes que mais venceram as licitações”, calcula Ramos. Ele diz
que a instituição conquistou de volta duas entidades que havia perdido
para a concorrência no ano passado, e trouxe também novos
clientes. “Claro que não dá para ganhar sempre e nós também acabamos
perdendo um cliente para a concorrência. Mas se formos analisar os que
conquistamos e os que perdemos, existe um maior fluxo de quem entra
do que de quem sai da nossa carteira”, estima o executivo.

Clientes estrangeiros – A despeito da crise internacional, a área de global
securities do Santander vem registrando um aumento no volume de
recursos vindos de fora do País em sua carteira. De acordo com dados
fornecidos por Ramos, o patrimônio líquido de recursos de estrangeiros
que investem no mercado de capitais brasileiro sob custódia do Santander
passou de R$ 1 bilhão em dezembro de 2005 para R$ 10,6 bilhões em
junho de 2008. “E temos a perspectiva de duplicar ou até triplicar esse
volume dentro de dois ou três anos”, indica. Ele afirma que há um
interesse crescente dos investidores estrangeiros por aportes no Brasil e,
em especial, é possível detectar uma demanda por aplicações em crédito
e em participações em empresas.
“Claro que em função do estresse no mercado internacional os
investidores que compram ações no Brasil acabam realizando posições.
Mas existe um outro tipo de investidor que antes não atuava no País e
agora está vindo para cá. É um cliente interessado em fundos de crédito e
em aquisições, em investimento direto nas empresas, principalmente no
setor de infra-estrutura”, aponta. Segundo o executivo, são operações
estratégicas que abrem uma possibilidade de crescimento
sustentado. “Por isso, mesmo com o investidor tradicional saindo do
mercado para cobrir exposições lá fora, é possível sentir um aumento no
fluxo de recursos externos”, explica.
Em relação aos estrangeiros, o Santander conta ainda com a vantagem de
ser o sexto maior banco do mundo e ter uma estrutura de custódia
qualificada em 52 países. Segundo Ramos, em todo o mundo são US$ 1
trilhão em ativos sob o guarda-chuva desta área – na América Latina, são
US$ 150 bilhões. “Somos o maior banco da América Latina e, por aqui,
temos essa estrutura de custódia qualificada em seis países: Argentina,
Chile, México, Colômbia e Venezuela, além do Brasil”, diz.

ABN – Mesmo sem poder dar muitos detalhes sobre como se dará a
integração entre as operações do Santander e do ABN Amro Real na área
de global securities, Ramos afirma que está “muito entusiasmado” com
as “sinergias espetaculares” que a junção das duas instituições pode
gerar. “Todos os planos feitos para 2009 dizem respeito somente ao
Santander. Mas posso dizer que estou bastante otimista com a integração
com o ABN, porque as nossas áreas de global securities são muito
complementares”, resume o executivo.