Fibra coloca foco em fundos de participações

Edição 194

Fundação encontra-se à procura de investimentos em energias alternativas e está em vias de aprovar aporte em tecnologia

Os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) têm sido prioridade na estratégia de diversificação nas alocações de recursos da Fundação Itaipu – BR de Previdência e Assistência Social (Fibra). Silvio Rangel, diretor-superintendente da entidade, afirma que a fundação já investe em cinco FIPs, aprovou a entrada no sexto recentemente e caminha para a avaliação do sétimo fundo. “Aprovamos no final de julho um FIP voltado ao segmento de combustíveis renováveis e estamos com um na área de tecnologia em vias de ser avaliado”, conta o executivo.
A Fibra está prospectando, ainda, investimentos em fundos voltados à área de energias alternativas, incluindo, além dos combustíveis renováveis, as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). “Estamos procurando oportunidades na área de energia, mas não está simples de achar, porque poucas alternativas são disponibilizadas”, comenta Rangel.
Segundo ele, do R$ 1,6 bilhão que a Fibra tem de patrimônio (posição em 30 de junho de 2008), 3% estão hoje alocados em FIPs. O limite para esta colocação é de 4%, fatia que o executivo acredita que seja preenchida ainda até o final deste ano.
Rangel indica que a fundação vem dando maior atenção aos FIPs ligados a empresas emergentes e capital mezanino (que tem uma estrutura mesclada em renda fixa e variável), além dos investimentos em private equity. Em relação aos setores de atuação das companhias, a idéia é cobrir vários segmentos importantes da economia, como infra-estrutura e energia, por exemplo. “Queremos construir um portfólio diversificado, com empresas emergentes em diversos estágios de maturação e diferentes setores de negócio”, diz o executivo. Segundo ele, nos últimos três anos a participação dos FIPs na carteira da Fibra vem passando por um processo contínuo de crescimento.

Força nos CDBs – Do lado da renda fixa, a Fibra mais do que dobrou suas aplicações em Cédulas de Crédito Bancário (CDBs) ao longo do primeiro semestre de 2008, motivada pelo aumento expressivo nos prêmios pagos pelos bancos nestes papéis. “Hoje temos R$ 180 milhões aplicados em CDBs, e o percentual do patrimônio alocado nestes títulos cresceu muito ao longo do primeiro semestre deste ano. Antes disso, tínhamos menos da metade deste valor em CDBs”, calcula Rangel. Ele explica que a estratégia foi aproveitar a oportunidade visto que os prêmios pagos nestes papéis tiveram altas relevantes, o que “não deve permanecer por muito tempo”. Mas ressalva que, apesar dessa aceleração nas aplicações em CDBs, não houve uma exposição maior aos riscos. “Este aumento nas aplicações está dentro dos limites aprovados e nós trabalhamos com um hall de bancos, o que nos preserva dos riscos”, afirma o executivo.
Em 30 de junho deste ano, os investimentos da Fibra estavam divididos da seguinte forma: 72% em renda fixa, 23% em renda variável, 2,8% em empréstimos aos participantes e 1,9% em imóveis. Recentemente, a fundação promoveu revisões de suas alocações em renda variável, processo que incluiu a troca de um de seus gestores e a reavaliação de carteiras.
No entanto, apesar de ter promovido mudanças em sua política de investimentos no ano passado de modo a permitir aplicações nos chamados “outros ativos” de renda variável, que têm sua alocação limitada a no máximo 3% dos recursos das entidades segundo a Resolução número 3.456 do Conselho Monetário Nacional (CMN), a Fibra ainda não lançou mão desta alternativa. “Não utilizamos ainda esse percentual por causa da deterioração do mercado, iniciada no segundo semestre do ano passado”, explica Rangel.
A rentabilidade acumulada pelos investimentos da Fibra chegou a 5,64% nos seis primeiros meses de junho, abaixo dos 7,35% correspondentes à sua meta atuarial no mesmo período. Segundo Rangel, a forte volatilidade da Bolsa e o descolamento entre os índices de inflação INPC e IPCA foram os grandes fatores que causaram esta diferença. “Nossa meta é de INPC+6% e nós temos papéis indexados ao IPCA em carteira”, explica. Ele diz acreditar que possa haver uma recuperação do retorno dos investimentos até o final deste ano, mas que não é certo mudar toda a política da entidade com base apenas na visão de curto prazo. “Os dirigentes dos fundos de pensão têm o grande desafio de montar uma estratégia com compromisso com o longo prazo sem descuidar das metas do curto. É claro que os resultados têm de ser monitorados anualmente, semestralmente e até mensalmente, mas a alocação dos recursos tem de ter o foco no longo prazo”, afirma.
Rangel conta que já viveu momentos de pessimismo e otimismo extremos desde quando começou a trabalhar na Fibra, e que o importante é manter o foco na estratégia que torna os planos mais seguros. “Não adianta se apavorar”, finaliza.