Private equity no radar das fundações menores

Edição 192

Depois das grandes fundações, é a vez das pequenas e médias colocaram
os investimentos alternativos em suas pautas

A expectativa de um aumento no fluxo de investimentos externos, como
resultado da obtenção do investment grade pelo Brasil, está levando os
fundos de pensão locais a correrem atrás das melhores oportunidades de
investimento antes que a demanda externa pressione os preços das
ações e abocanhe os principais negócios no setor de private equity. A
Standard & Poor’s e a Fitch Ratings, duas das três maiores agências de
classificação de risco do mundo, concederam ao Brasil o certificado que em
muitos casos é condição indispensável para que investidores institucionais
estrangeiros desembarquem em algum país.
Antes mesmo de o Brasil receber a primeira nota, concedida pela S&P em
30 de abril, a Ecos, fundação do extinto Banco Econômico, já vinha
promovendo mudanças na sua política de investimentos, em função da
melhora nos indicadores macroeconômicos do País. A fundação aumentou
a parcela do seu patrimônio de R$ 605 milhões aplicada em renda
variável em seis pontos percentuais no período de um ano, chegando a
11% atualmente. “Pretendemos agora elevar esse valor para 14%”,
afirma Tiago Novaes Villas-Bôas, diretor administrativo-financeiro da Ecos.
Segundo Villas-Bôas, quem tiver agilidade conseguirá pegar as melhores
oportunidades. “Os ativos da bolsa vão se valorizar, então é preciso fazer
um movimento rápido. A alta deve acontecer principalmente nas ações de
segunda linha, as small caps, que estão um pouco defasadas”, indica ele.
Segundo ele, o segmento de private equity já responde por 2% do
patrimônio da fundação e deve ser uma área bastante visada pelos
gestores internacionais daqui para a frente. A Ecos participa do fundo
Nordeste I, da Rio Bravo, onde investiu R$ 3 milhões, e acabou de aprovar
um aporte em um fundo no setor de construção civil da Modal Asset. A
fundação discute ainda a sua participação em um fundo do ramo de infra-
estrutura. “O Private Equity é uma alternativa de investimento para
quando o País viver um cenário de juros e inflação em baixa e a bolsa não
tiver um desempenho tão bom”, diz Villas-Bôas.
Também apostando que o Private Equity deverá sofrer um grande impacto
com o investment grade por conta do ingresso de recursos externos, a
Fachesf deve aumentar sua participação no segmento, ampliando inclusive
o limite permitido para investimentos no setor, que hoje é de 3% do
patrimônio de R$ 2,8 bilhões. “O Private Equity cumpre uma parte da
função social das entidades fechadas de previdência complementar,
investindo em empregos, distribuição de renda e regionalização da
economia, além de visar ao longo prazo e ter uma rentabilidade maior
que a dos títulos públicos”, afirma Luiz Ricardo da Câmara Lima, diretor
de administração e finanças da instituição.
Câmara Lima também acredita na valorização das small caps, que ficarão
mais atraentes para investidores de fora. Mas, mesmo assim, a Fachesf
não pretende aumentar sua exposição em renda variável, que hoje é de
25% do patrimônio, um percentual bem próximo ao limite de 30% da
fundação e acima da média dos outros fundos de pensão. “A própria
valorização das ações com o investment grade deverá puxar a
rentabilidade, então não será preciso aumentar essa parcela”, diz.
Luiz Hissao, diretor financeiro da Femco, fundação dos empregados da
Cosipa, concorda que as ações das grandes empresas já estão em um
preço razoável, próximo ao das economias que já conseguiram o
investment grade. “A mudança pode acontecer nas small caps, que desde
julho do ano passado não obtiveram boa rentabilidade”, diz. Segundo
Hissao, em sintonia com as outras fundações, o grande segmento daqui
para a frente será o Private Equity, que oferecerá mais oportunidades. “A
Femco está olhando mais para esse setor, conversando com gestores,
mas com calma”, afirma. A renda fixa também pode ser beneficiada com
o investment grade. “Esse segmento é promissor porque virá capital de
fora para a compra de títulos públicos. Os juros altos do Brasil atraem os
investidores estrangeiros”, completa o diretor financeiro da Femco.
Na opinião de Jeremias Xavier de Moura, diretor administrativo-financeiro
da Faelba, fundo de pensão dos funcionários da Coelba, mesmo com o
grau de investimento é preciso ter cautela, uma vez que os fundos de
pensão são entidades formadoras de poupança de longo prazo. Além do
mais, os certificados de investimento seguro podem ser retirados pelas
agências classificadoras de risco a qualquer momento, alerta. “É preciso
agir com mais seletividade e avaliar melhor as oportunidades e os riscos”,
diz.
Pelo menos por enquanto, a Faelba não deve alterar muito sua política de
investimentos, principalmente devido a algumas amarras. Na fundação, o
participante define o percentual de sua contribuição a ser investido em
renda variável e esse valor é alterado apenas a cada seis meses. Quanto
aos fundos de private equity, Jeremias afirma que a Faelba ainda está em
fase de aprendizado e se encontra um pouco atrás das entidades líderes
nesse segmento. “Mesmo assim, ainda estamos discutindo com gestores
e manteremos por um tempo essa posição conservadora”, finaliza.