Edição 189
Gestora do grupo Itaú abre para captação, neste mês, dois fundos multimercados e estréia, em breve, no real estate
Foi um típico casamento por interesse, do jeito que deve ser uma união no mundo dos negócios. A Kinea, recém inaugurada gestora de investimentos alternativos do Itaú, incorporou no fim de 2007 o fundo Quantix Próton (da antiga Quantix Investimentos) e, agora, prepara-se para fazer sua estréia, de fato, no mercado. É que neste mês a gestora reabre o fundo para captação – providencialmente rebatizado de Kinea Macro. O nome é novo, mas o histórico de sucesso do fundo é antigo.
Desde o seu lançamento, em junho de 2005, até meados de fevereiro último, o fundo acumulava rentabilidade equivalente a 157,45% do CDI.
Além de iniciar a sua ofensiva com um multimercado que é destaque na indústria, a Kinea conta ainda com outro trunfo: Sergio Gabriele, gestor da carteira. “Nossa principal aquisição foi, na verdade, o Gabriele, reconhecidamente um talento em gestão”, conta Márcio Verri, sócio da casa. “Nossa maior preocupação nem era tanto iniciar as atividades já com um patrimônio consolidado, mas sim conseguir no mercado um profissional tarimbado nesse tipo de gestão”, ressalta. É provável, aliás, que Gabriele consiga melhorar ainda mais a qualidade da gestão do fundo. “Como na Quantix a equipe era enxuta, eu é que tinha de fazer, por exemplo, a contabilidade das cotas do fundo”, recorda-se Gabriele. “Só com essa tarefa, acabava perdendo duas tardes de terça- feira por mês.” Na Kinea, Gabriele poderá contar com toda a infra- estrutura do banco Itaú nas áreas de compliance de risco, back office e tecnologia.
Aproveitando o embalo, a Kinea abre para captação, neste mês, outro multimercado – o Kinea Total Return Equity. Com patrimônio inicial de R$ 4,5 milhões (dinheiro dos sócios), o fundo vai atuar no mercado de bolsa tanto de forma direcional como na arbitragem entre pares de ações e com índice futuro. A estratégia do Kinea Total Return Equity será também aproveitada, em parte, pelo Kinea Macro. Às operações locais (juros, câmbio e bolsa) – foco da antiga gestão da Quantix e que, hoje, corresponde a 60% da carteira do fundo – foram acrescentados ao Kinea Macro outros fatores de risco, como a estratégia do Total Return Equity, que vai abocanhar 20% da carteira. Modelos quantitativos devem absorver 10% do fundo, mas as ordens de compra e venda precisarão passar pelo crivo do gestor. “O objetivo não é ser um black box”, frisa Verri. Os 20% restantes da carteira serão destinados a operações no mercado internacional com moedas, juros e bolsas. Como faltam definir os detalhes quanto à tributação dessas aplicações (recentemente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários para todos fundos de investimento), a gestão desses ativos, a cargo do sócio Aymar Almeida, se limita, hoje, a treasures e swaps. O Kinea Macro tem patrimônio de R$ 56 milhões e é um fundo bastante agressivo – objetiva retorno de CDI mais 5% e pode ter volatilidade de 6% ao ano.
Imóveis – Os planos para o segmento de real estate, comandado por Carlos Martins, ex-BankBoston, também estão para sair do papel. Dentro de alguns meses, será aberto a investidores com apetite para aplicações em tijolo um fundo (ainda sem nome) que, inicialmente, contará com R$ 50 milhões de capital proprietário. A idéia é operar por meio de Sociedades de Propósito Específico (SPE) e correr o risco da própria realização dos projetos de incorporação. O alvo, a princípio, serão os imóveis residenciais em todo o País. “O crédito em expansão e o déficit habitacional fazem com que esse seja atualmente, o ramo da construção civil mais promissor para se investir”, afirma Verri. Encontram-se em análise, atualmente, dez projetos. “Estimamos que seja preciso olhar entre 20 e 30 projetos para escolher um.” Agora, Verri está empenhado em montar uma equipe de private equity para que a gestora possa dar seus primeiros passos no setor. A temporada de estréias, pelo visto, está, longe do fim.