Edição 187
Estudo mostra que há pouca oferta de projetos em infra-estrutura
enquanto sobra recursos da ordem de US$ 1 trilhão
Com a confiança dos governos nas privatizações renovada e um mercado
secundário robusto, parece que finalmente vão ser criadas novas
oportunidades para a alocação de recursos que estão à espera de
oportunidades para investimentos em infra-estrutura. Isso é o que indica
o estudo Investimento global em infra-estrutura 2007: Uma classe de
ativos emergente, realizado pela consultoria Ernst & Young LLP. Ele revela
que, hoje, há mais capital disponível para o setor do que projetos. Esses
recursos podem chegar à ordem de US$ 1 trilhão ao ano para o mercado
novo e secundário de infra-estrutura em todo o mundo. “Há muito recurso
à caça de um pequeno número de negócios”, afirma Chris Lawton, sócio
da Ernst & Young e um dos autores do relatório.
De acordo com o estudo, os negócios no setor, tanto os de investimento
direto quanto por meio de títulos, crescerão à medida que os governos
ficarem mais confortáveis com as privatizações. Isso deverá ser
estimulado pela grande necessidade mundial de uma nova infra-estrutura,
além da revitalização das já existentes, o que ajudará os governos a
aceitarem as privatizações como uma forma de financiar esses
projetos. “Quanto mais os governos demorarem para entrar, mais projetos
estarão disponíveis para o setor privado”, afirma Lawton, que se recusa a
estimar quando isso irá ocorrer.
O relatório aponta, contudo, algumas iniciativas nesse sentido, como o
incentivo às privatizações iniciado há 15 anos no Reino Unido, que criou
uma câmara de compensação para centralizar os recursos privados
destinados a projetos de infra-estrutura. Em países como a Índia, as
privatizações ocorrem num ritmo acelerado, pois o governo não tem
capital para financiar a infra-estrutura necessária para acompanhar o
crescimento econômico. Já o governo americano está demorando um
pouco para aceitar a iniciativa privada como solução, avalia Lawton. “Nós
havíamos pensado que isso aconteceria mais rapidamente nos Estados
Unidos.”
Os negócios recentes de infra-estrutura estão produzindo, em todo o
mundo, retornos brutos de 12 a 30 vezes o valor do endividamento,
superando os níveis históricos de 8 a 11 vezes. Na Europa, os preços dos
acordos têm sido bem altos, segundo Lawton. No setor de água, as
companhias públicas têm negociado prêmios de 15% a 20% acima do
valor regulado. Contudo, ele ressalta que os retornos variam dependendo
da natureza e da localização do projeto.
O recente distúrbio no mercado de crédito diminuiu um pouco o
aquecimento dos negócios em infra-estrutura e o aperfeiçoamento dos
projetos em todo o mundo. Os preços dos negócios começaram caindo
porque nem sempre havia dinheiro fácil e barato para financiar esses
projetos. “Financiadores tinham visão rígida e fechada desses projetos”,
disse Lawton.
O relatório aponta que a grande procura por projetos está elevando os
preços e diminuindo os retornos, o que está levando gestores de
investimentos a aumentar o tamanho dos fundos somente para investir
em infra-estrutura. A Goldman Sachs Group, por exemplo, aumentou um
fundo para U$ 6,5 bilhões no ano passado.