Bradesco adota AT 2000 “suavizada”

Edição 185

Adaptação da tábua prevê maior longevidade e, junto com adoção
de “improvement”, reforça provisões matemáticas

A Bradesco Vida e Previdência está adotando desde o final do ano
passado uma nova tábua atuarial, que chama de AT 2000 suavizada,
baseada em estudos feitos com uma população de 500 mil a 1 milhão de
expostos. Ela representa uma redução de cerca de 5%, em média, na
taxa de mortalidade em relação a AT 2000. “Com essa nova tábua,
antecipamos uma tendência que se nota por conta da longevidade dos
participantes dos nossos planos”, explica o diretor executivo da
companhia, Jair de Almeida Lacerda Jr.
A Bradesco Vida e Previdência administra planos abertos e fechados
(multipatrocinados) de previdência, num total que supera dois milhões de
participantes. Com a adoção da nova tábua, a empresa teve que ampliar
suas provisões matemáticas, para fazer face à expectativa de maior
longevidade de toda essa população. Segundo Lacerda, o valor das
provisões chega a ser até 20% mais elevado do que a prática geral do
mercado, não só por conta da AT2000 “suavizada” mas também pela
adoção do que a empresa chama de “improvement” (melhoria, na
tradução do inglês). “Como a sobrevivência aumenta a cada vez que se
produz uma nova tábua atuarial, com o acréscimo do improvement
conseguimos nos antecipar a uma tendência já comprovadamente
consolidada.”
Segundo Almeida, o aumento das provisões evita a necessidade de saltos
inesperados nas reservas que se nota, por exemplo, quando se analisa
informações disponíveis da internet de alguns fundos fechados de
previdência. Em um dos fundos analisados pela Bradesco Vida e
Previdência, citados por Almeida, uma fundação com 27 anos e patrimônio
de R$ 350 milhões, com 40% dos participantes assistidos, teve que
aumentar em 13% as provisões quando passou a adotar a AT 2000 em
substituição à GAM71 (equivalente à AT49).
Ainda de acordo com ele, a Bradesco Vida e Previência pretende
regionalizar o perfil dos seus participantes a partir do ano que vem, de
modo a captar com mais precisão as necessidades atuariais de cada
região. “Todo ano buscamos sofisticar um pouco mais o nosso modelo de
análise atuarial e, agora, vamos incluir também dados regionais”, informa
Jair de Almeida Lacerda Jr, diretor executivo da companhia. Dados
preliminares, segundo Jair de Almeida, apontam que nas regiões
metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Vitória, há uma
redução na taxa de mortalidade da população masculina de quase três
anos.
Conforme o executivo, outra tendência que aponta para a necessidade de
atualização dos cálculos atuariais, neste momento, é a redução dos juros,
com a proximidade do Brasil do grau de investimento – o que poderá
ocorrer já em 2008, conforme alguns analistas. Recentes estimativas do
mercado financeiro, divulgadas pelo Banco Central, apontam que os juros
reais em 2010 ficarão em 5,32%. A previsão é de que já em 2009, os
juros reais não atinjam a meta atuarial de 6% (ver gráfico).

Mistura explosiva – A conjugação de maior longevidade da população com
taxas de juros mais baixas colocam em xeque os cálculos atuariais feitos
com base em premissas distanciadas dessa realidade, conforme o estudo
realizado pelo diretor-executivo e que foi apresentado durante evento
promovido pelo Bradesco Multipensions, em meados de outubro.
Fundações que adotam a tábua atuarial AT2000, por exemplo, teriam que
aumentar as reservas em 10,02% com uma queda dos juros reais de 6%
para 5%, partindo-se da premissa de constituição de provisão para
pagamento de renda vitalícia de R$ 2.500 para indivíduo de 60 anos, do
sexo masculino.
A adoção de modelos de financiamento diferentes para fazer frente à
necessidade de aumento das provisões muda os níveis de ajustes, mas
estes se tornarão cada vez mais necessários nos próximos anos, na
opinião do executivo. “Os atuários têm pouco tempo para fazer os ajustes
nos cálculos e poderiam trabalhar com mais liberdade na política de
investimento”, defende Almeida, para quem o mercado brasileiro de
entidades de previdência complementar fechada já atingiu um nível de
maturidade que justificaria essa liberdade. Do patrimônio total gerido por
essas entidades, excluindo-se as três maiores, 63% já está nas mãos de
fundações em que o número de assistidos é superior a 41%. Na faixa de
41% a 60% de assistidos, são R$ 195 bilhões, do total de R$ 400 bi.