Banif acelera no segmento de private equity

Edição 184

Com quatro fundos em fase de captação, banco português espera chegar
a R$ 1,5 bilhão de ativos sob gestão

A origem lusa comum ajudou de imediato na identificação. Mas essa não
foi a única motivação de Joubert Castro Filho para aceitar o convite de
trabalho feito pelo Banif Banco de Investimentos. A proposta era
irrecusável: gerenciar um fundo de private equity de R$ 600 milhões, com
foco em governança corporativa. Castro Filho, que antes ocupava a
superintendência da Associação Brasileira de Venture Capital (Abvcap),
agora,no comando do fundo, volta a pôr a mão na massa. O produto,
que ainda está em fase de estruturação, vai destinar recursos para
empresas que tenham potencial de crescimento e de melhora no grau de
governança. “Agora é a hora de os investidores alocarem recursos nessas
companhias, de forma a ajustá-las para as mudanças que virão com a
conquista do investment grade pelo país”, afirma Castro Filho.
A contratação de Castro Filho é apenas uma mostra da relevância que o
segmento de private equity vem ganhando dentro do Banif. Com produtos
diversificados para atender aos investidores institucionais, o banco
português espera reunir, até o fim do ano, R$ 1,5 bilhão de ativos sob
gestão. Um dos destaques são os investimentos nas áreas de infra-
estrutura energética. A onda de sustentabilidade ambiental estimulou o
banco a criar o fundo Banif Bio Etanol, que irá aplicar recursos em usinas
de açúcar e álcool em parceria com a empresa Cabrera Energética. O
fundo está em fase de captação e a expectativa é que feche, até o fim do
ano, com um montante de R$ 200 milhões. No início de outubro, o
presidente do Banif, Paulo Pinho, tem encontro marcado com investidores
de Londres interessados em investir nessa indústria. Uma das opções de
captação de recursos que está sendo cogitada é a transformação do fundo
em empresa e sua posterior abertura de capital no Alternative Investment
Market (AIM), mercado da bolsa londrina voltado para pequenas
empresas, a exemplo do que fez o fundo Clean Energy Brazil, da gestora
Temple Capital.
A agenda de visitas dos executivos do Banif deve, aliás, ficar bastante
apertada daqui para frente. Além do Bio Etanol, outros dois fundos
encontram-se em fase de captação: o Banif Real Estate II, que acaba de
sair do forno, e o FIP Caixa Ambiental, já em estágio mais
avançado. “Acredito que nos próximos 30 dias fecharemos a captação”,
diz Pinho, referindo-se ao fundo da Caixa Econômica, de R$ 700 milhões,
no qual o Banif é o gestor. O trabalho de divulgação do Banif Real Estate
II, no entanto, está só começando.
Como sugere o nome, o Banif Real Estate II é direcionado para o setor
imobiliário. O fundo de private equity de R$ 100 milhões pretende alocar
recursos em diversos segmentos – comercial, residencial e logístico. Trata-
se de uma segunda versão do FIP Banif Real Estate, que até o fim do ano
entra em fase de desinvestimento com a venda de um prédio residencial
de alto padrão no bairro Vila Nova Conceição, em São Paulo. A recente
crise americana das hipotecas de alto risco não parece desanimar
Pinho. “O FED jogou bastante água na fogueira e o mercado está reagindo
bem”, minimiza. “Além disso, o setor imobiliário americano é muito
diferente do brasileiro. Aqui, o crédito imobiliário começa a deslanchar
agora, e nós vamos participar desse crescimento.”
Na atividade de administração, o banco aposta em um FIP voltado para a
construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no complexo do rio
Madeira. O fundo de R$ 430 milhões que vai concorrer à licitação é
proveniente de um consórcio entre a construtora Odebrecht e a Santander
Asset Management. “Caso o consórcio saia vencedor do leilão, marcado
para o fim de novembro, vamos fazer a distribuição desse fundo”, afirma
Pinho.
Tradicional investidor em private equity de Portugal, o Banif luso lançou no
início deste ano um fundo de 50 milhões de euros focado em
investimentos no mercado de créditos de carbono, o Luso Carbon Fund,
que já está fechado e em fase de investimento. No Brasil, a equipe
portuguesa participa de 30% do equity da linha 4 do metrô, juntamente
com a CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), um valor de
aproximadamente R$ 100 milhões. Nos próximos investimentos, a área
de bioenergia poderá entrar na lista de investimentos que a sede
portuguesa analisa para o Brasil.