Funcef espera, mas não muito

Edição 182

Oscilação na bolsa pode atrasar planos do fundo de pensão da Caixa
Econômica para ampliar carteira de renda variável

A Fundação dos Economiários Federais (Funcef) já esticou o prazo para o
aumento da participação da renda variável no total de sua carteira de
investimentos, previsto para ficar em 29% a 30% na virada do ano. “Pode
demorar um pouco mais para essa meta se concretizar, até um ano”,
afirma o presidente da instituição, Guilherme Lacerda. Segundo ele, tudo
vai depender das possibilidades abertas no mercado acionário. “As
oscilações na bolsa são episódicas, não há sinal de que irão se perpetuar.
Mas já temos vários venture capital e fips aprovados e estamos cobrando
os gestores”, afirma Lacerda, informando que a participação da renda
variável no total evoluiu um ponto, para pouco mais de 26%, no primeiro
semestre.
A Funcef fechou o semestre com rentabilidade de 11,22%, seis pontos
acima da meta atuarial, de 5,22%. A carteira de renda fixa teve o melhor
desempenho, com valorização de 14%. Na renda fixa, que representa
63% da carteira total, o ganho no primeiro semestre foi de 5,84 pontos
acima da meta e nas operações com participantes a rentabilidade ficou
em 5,75%, próxima à meta. Diante do resultado do primeiro semestre,
mesmo com a queda recente das ações na bolsa, a expectativa é de
fechar o ano com uma rentabilidade entre 18% e 20%.
O balanço semestral da fundação também aponta acréscimo de R$ 2,3
bilhões no patrimônio de janeiro a junho, para R$ 28,2 bilhões. “Nossa
projeção é de que atinja R$ 30 bilhões até o final do ano, com um
aumento de 15%”, afirma o presidente da fundação.

Novo estatuto e reestruturação – Além dos bons resultados, o presidente
da Funcef também destaca a aprovação do novo estatuto da instituição
pela Secretaria de Previdência Complementar (SPC), que determinará uma
reestruturação da diretoria. A gestão paritária na composição da diretoria,
com a escolha de três dos seis gestores pelos participantes, é a principal
mudança do novo estatuto, segundo Lacerda. “O processo todo de
mudança, incluindo os debates internos, durou mais de dois anos. Mas,
agora temos um estatuto inteiramente compatível com o padrão de
governança corporativa de uma fundação de previdência complementar”,
afirma ele.
A instituição passará a ter seis diretorias em vez de cinco, com o
desmembramento da diretoria de benefícios e administração em duas.
Sérgio Francisco da Silva e Antônio Bráulio de Carvalho, eleitos no final do
ano passado, deverão ser confirmados para as duas diretorias, já que o
estatuto aprovado prevê que o Conselho Deliberativo poderá convalidar o
processo eleitoral, ocorrido anteriormente. O diretor-presidente, o de
investimento e o de participações societárias e imobiliárias, continuarão
sendo indicados pela patrocinadora. Já os diretores de administração, de
benefícios e de planejamento e controladoria serão escolhidos pelos
participantes. Ao diretor-presidente, além do voto ordinário, caberá o voto
de qualidade, para eventual desempate.

Fundos avançam na reorganização nas teles
O processo de reorganização das participações dos fundos de pensão nas
empresas de telecom voltou a caminhar em julho, dias antes do ministro
das Comunicações, Hélio Costa, anunciar proposta do governo de criar
uma grande operadora nacional de telecomunicações, pela fusão da Oi
(antiga Telemar) e da Brasil Telecom. A Funcef, Petros e Previ compraram
a parte da Telecom Itália na Brasil Telecom, por US$ 515 milhões. A
operação de compra, anunciada em julho, vinha sendo negociada desde
meados de 2006.
Em outra negociação, os fundos venderam a participação que tinham na
Telemig e Amazônia Celular, operadoras cujo controle foi adquirido pela
Vivo, por R$ 1,2 bilhão. A Brasil Telecom também integra a lista de ativos
da carteira dos fundos de pensão que estavam sendo preparados para
venda pela administradora de recursos Angra Partners. O caminho para
isso seria a simplificação da estrutura societária, mas, com a proposta
lançada pelo governo, surgiram rumores de que os fundos poderiam ficar
com parte da companhia resultante da fusão. O presidente da Funcef,
Guilherme Lacerda, negou que tenha havido encontro entre os fundos de
pensão para discutir a modelagem dessa operação.