Edição 181
Levantamento da FGV mostra que as taxas de administração dos fundos
abertos apresentaram ligeira alta nos últimos oito anos
Na contramão do varejo, onde as taxas de administração cobradas pelas
instituições financeiras para gerir os fundos de investimento têm se
mostrado declinantes, o mercado para institucionais sofre um ligeiro
aumento de custos. Levantamento feito com exclusividade para a
Investidor Institucional pelo professor William Eid Júnior, da Escola de
Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp) da Fundação Getulio
Vargas, revela que as taxas de administração dos fundos abertos voltados
para as entidades fechadas de previdência complementar aumentaram,
em média ponderada pelo patrimônio, de 0,1% para 0,15%, de 1998 para
cá. Os preços praticados no atacado, obviamente, ainda são bastante
inferiores às tarifas do varejo – que na renda fixa giram em torno de 2,5%
(incluídos, aí, aqueles produtos destinados aos investidores de maior
poder aquisitivo). Porém, um aumento de 0,05 ponto percentual sobre
uma montanha de recursos que só faz crescer não é nada desprezível.
Atualmente, o patrimônio da indústria de fundos de pensão é de R$ 385
bilhões, equivalente a 17% do PIB.
Diante desse quadro, fica, então, a dúvida: poderiam os bancos estar
compensando a queda nas taxas de administração do varejo com a
elevação dessa despesa para os investidores institucionais? Afinal, o
espaço para aumento de custos nos DIs oferecidos nas agências bancárias
está apertadíssimo, já que a redução dos juros fez com que essas
aplicações perdessem em rentabilidade até mesmo para a caderneta de
poupança, tradicional lanterninha dos rankings de investimento. Apesar
dos movimentos opostos, Eid Jr. acredita que não tenha ocorrido essa
transferência. “O que houve, na verdade, foi uma guerra de preços muito
grande no segmento de institucionais até 2002”, afirma o professor. “Os
bancos devem ter percebido, com o tempo, que não dava para trabalhar
de graça.”
Paralelamente a esse ajuste, a demanda dos fundos de pensão por
produtos mais sofisticados cresceu, o que pode também ter causado
impacto nas tarifas. “Com a queda da Selic, o rendimento que antes vinha
fácil com a compra de títulos públicos não ocorre mais, daí a migração
para operações mais complexas, que oferecem retornos mais atraentes”,
explica Eid Jr. De fato, embora as três categorias analisadas (ações,
multimercados e renda fixa) tenham registrado aumento de taxas,
especialmente a partir de 2002, é justamente nas duas primeiras
modalidades de investimento que podem ser observadas as maiores
elevações (veja quadro). Entre 1998 e 2006, período que abrange o
estudo, as taxas de administração dos fundos de ações subiram de
1,404% para 2,363% e, nos multimercados, de 0,013% para 1,301%. Na
renda fixa, a ampliação foi pequena, de 0,604% para 0,666%.
Mas até mesmo na renda fixa já está havendo diversificação de ativos e
diferenciação de estratégias, o que pode abrir margem para uma eventual
elevação das taxas de gestão. “As Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) e
os Fundos de Direito Creditório (Fidcs) são produtos recentes no mercado
de previdência complementar, que envolvem muitos agentes e por isso
devem ser bem estruturados, geridos e avaliados”, avalia Paulo da Silva
Leite, diretor de investimentos da Refer, fundo de pensão dos
ferroviários. “Os fundos de recebíveis, por exemplo, não exigem só uma
análise financeira, mas algumas vezes até jurídica, como no caso do setor
de energia, que é regulamentado pelo governo.”
A tendência, daqui para frente, é que não haja mais tanto espaço para um
aumento das taxas de administração cobradas dos institucionais. “O
movimento contínuo de redução dos juros vai levar a uma maior
percepção de preço dos produtos pelos clientes”, observa o autor do
estudo. “Mas é claro que produtos melhores, que exigem maior expertise
do gestor, vão poder cobrar mais”, ressalva. A cobrança de uma taxa mais
salgada – ou mesmo de uma tarifa adicional de performance – não é, na
visão de Eid Jr., necessariamente um problema que deva ser contornado
pelos fundos de pensão. “O que precisa ser olhado é o retorno líquido da
aplicação. Se um gestor cobra mais caro, porém oferece melhor retorno, é
porque ele merece”, diz Eid Jr., que também é membro do conselho
deliberativo da FGV Previ, fundo de pensão dos funcionários da Fundação
Getulio Vargas. “Problema é pagar caro por um produto ruim”, sentencia.