Negócios em alta

Edição 179

Num ano caracterizado por intensa movimentação de investidores estrangeiros, a Bovespa conseguiu aumentar o volume negociado em 49,16%, alcançando o total de R$ 1,19 trilhão

A Bovespa movimentou a incrível cifra de R$ 1,19 trilhão no acumulado de 12 meses do ano passado, representando um crescimento de 49,16% em relação ao mesmo período de 2005. Esse crescimento foi impulsionado, em grande parte, pelo ingresso maciço do capital estrangeiro, que permitiu que a Bolsa fechasse o ano aos 44.473 pontos, com 42 emissões públicas e 26 IPOs realizados. Segundo informações coletadas pelo departamento de pesquisa da revista Investidor Institucional, o ingresso de recursos estrangeiros representou cerca de 27,8% do movimento das corretoras no ano passado.
A pesquisa baseia-se nas informações declaradas por 48 corretoras de valores que responderam nosso questionário, das 87 que operaram na Bovespa no ano passado. Essas 48 corretoras representaram 72,1% do movimento da Bolsa em 2006, sendo que as 39 que deixaram de responder representaram os 27,9% restantes.
No ranking das maiores corretoras por volumes de operação, a Ágora ficou em primeiro lugar, com R$ 117 bilhões, indicando um crescimento de 49,3% em relação ao ano de 2005. Em seguida veio o UBS Pactual, que alcançou R$ 105 bilhões somando os valores das duas casas que já operavam conjuntamente no final de 2006 — embora formalmente isso só tenha ocorrido em abril deste ano. Com a soma das operações do UBS com o Pactual, a corretora alcançou impressionantes 214,2% de crescimento, que não pode ser usado como medida de comparação com outras casas uma vez que a base de comparação de 2005 são as operações isoladas do UBS. O terceiro lugar do ranking pertence ao Credit Suisse, com R$ 95 bilhões movimentados, marcando um crescimento de 105,1% em relação ao volume registrado em 2005.
Segundo o presidente da Ágora, Selmo Nissembaum, o mercado de capitais deve continuar sua trajetória de alta neste ano, pois a demanda internacional por ativos dos BRICs, em especial o Brasil, continua alta. De acordo com ele, as dúvidas que podem existir sobre a estabilidade do mercado brasileiro estão relacionadas mais à situação internacional, envolvendo as economias americana e chinesa, que à situação nacional. “Nosso mercado está bem definido, está consolidado, e se nada de mal acontecer nos mercados internacionais continuaremos crescendo”, avalia Nissembaum.
O movimento conjunto das dez maiores corretoras durante o ano de 2006 atingiu a cifra de R$ 698 bilhões, nada menos do que 58,5% do movimento da Bovespa. Entre as dez maiores, apenas duas entram no ranking das corretoras que apresentaram as mais expressivas taxas de crescimento: a primeira é a UBS Pactual, pelos fatores apontados anteriormente (compra do Pactual), e a segunda o Credit Suisse. A maior taxa de crescimento do ano passado ficou com a Alpes, que cresceu 638,9%, seguida pelo J.Safra, com 475% e pelo BBM, com 219,3%.
Apesar das elevadas taxas de crescimento, as três possuem operações pequenas, com volumes abaixo de R$ 3 bilhões no ano.
A operação dos fundos de pensão, olhadas isoladamente, ainda são muito pequenas em relação ao movimento total das corretoras. Apenas 3% do volume do ano passado foram ordens dadas diretamente pelos fundos de pensão. A queda das taxas de juros, entretanto, deve mudar isso e os fundos de pensão devem assumir um papel mais relevante no movimento da Bovespa.
Entre as maiores operadoras de ordens de fundos de pensão temos a Socopa, que movimentou R$ 3,26 bilhões para as fundações, representando 22% do total operado por ela. Em segundo lugar ficou o Banif, com R$ 2,58 bilhões operados para as fundações, significando 25% do seu total. Em terceiro a SLW, com R$ 1,72 bilhões, indicando que 10% das suas operações foram feitas para as fundações. A corretora mais focada nesse segmento foi a Americainvest, com 40% das suas ordens provenientes dos fundos de pensão.
As altas taxas de juros e a rentabilidade proporcionada pela renda fixa nos últimos anos afastou os fundos de pensão das corretoras, mas esse cenário está começando a mudar. Fundações como a Funcef, Petros e Valia foram às compras no mercado de capitais no início deste ano, quando o preço das ações caíram. A Funcef, por exemplo, aumentou sua carteira de ações em R$ 200 milhões. Os momentos de baixa em janeiro