Migrando para ativos alternativos

Edição 177

Fundos de pensão norte-americanos devem aumentar o percentual
aplicado em investimentos alternativos

Executivos da JPMorgan Asset Management de Nova York estão apostando
que fundos de pensão com planos de Benefício Definido (BD) irão deslocar
entre 30% e 50% de suas aplicações tradicionais para investimentos
alternativos durante os próximos três a cinco anos.
A razão disso é uma mudança nas regras de contabilidade dos ativos
tradicionais, que deve trazer grande volatilidade aos papéis das
companhias. Para neutralizar essa volatilidade, executivos de fundos de
pensão estão começando a adotar estratégias com títulos de longa
duração e estão aumentando dramaticamente sua exposição a
investimentos alternativos.
Segundo William McHugh, diretor da área de investimentos estratégicos do
JPMorgan, o mercado de administração de recursos está vivendo “uma
tremenda mudança de paradigmas nos planos de investimentos
previdenciários BD”.

Mudança em marcha – Fontes do mercado concordam com McHugh e
dizem que para equilibrar melhor os ativos com seus passivos, muitos
dirigentes de fundações patrocinadas por empresas já estão
movimentando seus recursos para papéis de longa duração e se utilizando
de swaps para controlar o risco da taxa de juros.
Dados de uma recente pesquisa realizada pela JP Morgan com
responsáveis por decisões de investimento em 75 fundos de pensão de
grandes corporações com BD mostram que 17% já estão utilizando
investimentos alternativos e que outros 41% já consideram essa hipótese.
Além disso, o mercado prevê que muitos fundos de pensão passarão a
investir mais intensamente nesses tipos de ativos alternativos e com
alphas não correlacionadas nos próximos anos, indo de imóveis, private
equity, hedge funds e venture capital.
A pesquisa da JP Morgan revelou que 11% dos planos corporativos vão
aumentar suas alocações em imóveis; 27% investirão mais em private
equity; e 17% investirão mais em hedge funds.
Para McHugh, que é responsável tanto pela área de fundos de pensão
quanto de finanças corporativas dentro do JP Morgan, os planos BD irão
caminhar para uma alocação média de cerca de 30% em ativos
alternativos, uma vez que eles ainda são muito dependentes de ativos
baseados em taxas de juros. Planos do tipo cash-balance, por outro lado,
poderão se aproximar de uma média de 50% aplicados em ativos
alternativos, diz McHugh.
Ter entre 30% e 50% aplicados em investimentos alternativos pode
representar uma grande mudança para a maioria dos fundos de pensão
corporativos, uma vez que a mesma pesquisa da JPMorgam mostrava que
à época em que ela foi feita a soma das aplicações em private equity,
imóveis e hedge funds não passava de 8% do total.
“As novas exigências do FAS 158 (que determina as regras da
contabilidade) e as exigências da Lei de Controle dos Fundos de Pensão
estão mudando as perspectivas dos investimentos”, diz McHugh.

Estratégias casadas – Fontes afirmam que para crescer nesse cenário de
mudanças do perfil de investimento nos próximos três a cinco anos os
gestores devem oferecer estratégias casadas para a renda fixa (com
contratos de swap) e uma ampla gama de estratégias em investimentos
alternativos. Segundo fontes consultadas, devem liderar esse processo de
mudanças as grandes casas de gestão, como o JP Morgan, Goldman
Sachs, Morgan Stanley, Bridgewater, Pacific Investment, UBS Global,
Barclays Global, BlackRoc e Wellington Management. Nenhuma das fontes
tem listas idênticas.
“Todo mundo está falando sobre como atender as demandas por
mudanças desses clientes. Não há nenhuma firma global de gestão de
ativos que não esteja pensando nisso”, afirma o consultor Yariv
Itah. “Você verá movimentação financeira saindo das ações tradicionais
em busca de investimentos alternativos assim que os efeitos da FAS 158
começarem a se fazer sentir”, diz.

Não tão rápido – Michael Peskin, chefe da área de fundos de pensão do
Morgan Stanley de Nova York, concorda que a demanda por soluções de
investimento alternativas está crescendo rapidamente, apesar de não
aceitar completamente a avaliação de que entre 30% e 50% dos ativos
das fundações norte-americanas devem migrar rapidamente para
estratégias de investimento não tradicionais.
Para Greg T. Fedorinchik, diretor executivo e estrategista da UBS Global,
os gestores terão que desenvolver uma ampla gama de habilidades para
oferecer soluções para os clientes. Essas habilidades incluem
conhecimento das responsabilidades; larga experiência e conhecimento de
derivativos com a finalidade de atuar em taxas de juros; abundantes
pesquisas de alphas; modelagem de investimentos e ampla experiência
na administração ativa de recursos; habilidade para separar e administrar
betas; processos de gerenciamento de riscos críticos a serem elaborados
internamente; e uma plataforma de investimentos do tipo arquitetura
aberta, que permita inclusão da terça parte que os administradores
necessitam para diversificação.
“As pessoas pensam que a gestão dos portfólios dos planos BD é apenas
comprar taxas de juros e fazer hedging, mas é muito importante se ter
certeza de que a geração alpha é parte muito significativa da equação”,
diz Fedorinchik.